Deputada afirma que anistia e redução de penas abrem caminho para nova tentativa de golpe contra a democracia brasileira
A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez um duro pronunciamento contra a sessão do Congresso que discutiu medidas de anistia e redução de penas para envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Em discurso na tribuna, registrado em vídeo publicado no YouTube, Gleisi classificou a sessão como uma “vergonha” para o país e afirmou que a iniciativa atenta contra a Constituição e a democracia.
“É com muita tristeza que eu subo nessa tribuna, porque, infelizmente, senhor presidente, essa é uma sessão que envergonha o país”, afirmou. “Passar pano para tentativa de golpe, para os golpistas, é a mesma coisa que dizer: ‘Façam de novo, vão lá, depredem de novo o Congresso Nacional. Depredem de novo o Supremo, depredem de novo o Palácio do Planalto e tentem dar golpe novamente para tirar um presidente eleito’.”
Gleisi também atribuiu ao bolsonarismo a entrada do ódio como instrumento central da política brasileira. “O ódio veio para a pauta da política quando Bolsonaro entrou na disputa da Presidência da República. O ódio veio para a pauta da política quando Bolsonaro presidiu esse país”, disse.
A dirigente petista afirmou que o próprio Congresso foi vítima desse ódio em 8 de janeiro e, por isso, não poderia apoiar qualquer proposta de anistia ou redução de penas. Segundo ela, o projeto votado era tão grave que foi vetado integralmente pelo presidente Lula.
Gleisi também relacionou a sessão a um acordo político mais amplo. “Essa sessão coroa um acordo feito para derrotar a indicação de Jorge Messias ao STF. Um acordo que pega todos os interesses, políticos eleitoreiros, financeiros, de impunidade”, afirmou.
CPMI do Master
Em outro trecho, a deputada defendeu a instalação da CPMI do Master e disse que o debate permitirá esclarecer relações de bolsonaristas com o caso. “Nós não temos medo, não. Quero fazer um pedido para Vossa Excelência: instale a CPMI do Master”, declarou.
A parlamentar ainda defendeu o legado do presidente Lula e criticou a Lava Jato. “O Lula é um grande líder que venceu a farsa da Lava Jato, mas sobretudo foi absolvido pelas urnas. Presidente eleito três vezes pelo povo brasileiro”, disse. Ela também acusou a família Bolsonaro de tentar submeter a soberania brasileira aos interesses dos Estados Unidos, citando Donald Trump, atual presidente dos EUA.
No encerramento, Gleisi afirmou que a democracia brasileira ainda é frágil e que o campo progressista tem o dever de impedir novos retrocessos. “Nós temos o dever de defender esse Congresso Nacional, a democracia, o Brasil”, concluiu.
Fonte: Brasil 247
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