Com queda no dólar, despesas internacionais crescem 21,9% e atingem maior nível da série histórica iniciada em 1995
Os gastos de brasileiros no exterior atingiram um novo recorde no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pela queda do dólar, que tornou viagens internacionais mais acessíveis e elevou o consumo fora do país. As despesas somaram US$ 6,04 bilhões entre janeiro e março, representando um avanço de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, esse é o maior valor já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1995. Apenas em março, os brasileiros gastaram US$ 1,99 bilhão no exterior, também um recorde para o mês.
A valorização do real frente ao dólar tem sido um dos principais fatores para o aumento dessas despesas. Com a moeda norte-americana mais barata, custos como passagens aéreas, hospedagens e consumo de produtos e serviços no exterior ficam mais baixos, incentivando viagens internacionais e ampliando o volume de gastos.
Esse movimento ocorre em um cenário internacional marcado por tensões no Oriente Médio, que influenciam o mercado cambial. A percepção de investidores de que o Brasil, como exportador de petróleo, está em posição relativamente favorável tem contribuído para a entrada de divisas no país, fortalecendo a moeda nacional.
Além do câmbio, o nível de atividade econômica também exerce influência sobre o comportamento dos consumidores. Mesmo com sinais de desaceleração, a economia brasileira ainda apresenta crescimento, o que tende a sustentar o aumento de despesas no exterior.
⊛ Contas externas mostram melhora no trimestre
No mesmo período, o déficit das contas externas do Brasil apresentou recuo de 10,76%, segundo o Banco Central. O saldo negativo em transações correntes foi de US$ 20,27 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 22,71 bilhões registrados um ano antes.
As transações correntes incluem três componentes principais: a balança comercial, que mede o comércio de bens; os serviços, que englobam despesas como viagens internacionais; e as rendas, relacionadas a remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior.
De acordo com o Banco Central, o comportamento desse indicador está diretamente ligado ao ritmo da economia. Em períodos de crescimento mais forte, a tendência é de aumento das importações e dos gastos com serviços externos, ampliando o déficit. Já em momentos de desaceleração, esse rombo tende a diminuir.
⊛ Investimento estrangeiro registra leve queda
Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil também apresentaram redução no início de 2026. Entre janeiro e março, entraram US$ 21,03 bilhões no país, abaixo dos US$ 23,04 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
Fonte: Brasil 247
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