Presidente reage à fala de subordinação aos interesses estadunidenses feita pelo senador e reforça defesa da soberania nacional
Flávio Bolsonaro entregará o Brasil aos EUA caso seja eleito presidente, diz Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Reprodução/Youtube)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a ministros que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso vença as eleições presidenciais, poderá colocar o Brasil em posição de subordinação aos Estados Unidos. A declaração, segundo o Valor Econômico, foi feita durante reunião ministerial e reforça a defesa da soberania nacional como eixo central do discurso político do governo.
A crítica de Lula ocorreu após declarações recentes do parlamentar em um evento conservador nos Estados Unidos. O trecho específico da fala do presidente não foi transmitido à imprensa, pois ocorreu na parte final do encontro, restrita a ministros e auxiliares.
◎ Reação ao discurso nos EUA
A manifestação de Lula foi motivada pelo discurso de Flávio Bolsonaro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas. No evento, o senador defendeu uma aproximação estratégica entre Brasil e Estados Unidos, destacando o potencial brasileiro no fornecimento de minerais críticos, como as terras raras, como alternativa à dependência norte-americana da China.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o presidente apenas interpretou o posicionamento do senador. “Foi o que ele [Flávio] fez lá [nos Estados Unidos], porque foi isso que ele fez, foi lá se entregar”, declarou após a reunião.
◎ Críticas de Flávio ao governo brasileiro
Durante sua participação na CPAC, Flávio Bolsonaro também criticou o governo Lula e a política externa brasileira. Em sua fala, afirmou que “Lula e seu partido são abertamente antiamericanos. Ele fala em enfraquecer o dólar como moeda global, alinhou o Brasil à China e se opôs aos interesses americanos em diversas áreas da política externa. Criticou publicamente ações dos EUA em relação à Venezuela, Irã, Cuba e combate ao tráfico de drogas. Mais chocante ainda, fez lobby para impedir que os dois maiores cartéis brasileiros fossem classificados como organizações terroristas”.
Outro ponto levantado pelo senador foi a defesa da classificação de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
◎ Debate sobre soberania nacional
No governo federal, a proposta é vista com cautela. Integrantes da administração avaliam que uma eventual classificação desse tipo, especialmente se acompanhada de respaldo institucional no Brasil, pode abrir espaço para intervenções militares, sanções e ingerência externa, além de representar riscos à soberania nacional.
A defesa da soberania tem sido reiterada por Lula como uma das principais bandeiras políticas diante do cenário eleitoral, especialmente em temas que envolvem relações internacionais e segurança pública.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal Valor Econômico
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