sábado, 28 de março de 2026

Paulo Pimenta diz que “verdade prevaleceu” após derrota de relatório da CPMI no INSS

Deputado afirma que relatório alternativo aponta responsáveis por fraudes no INSS, enquanto comissão encerra sem documento final aprovado

    Deputado Paulo Pimenta (Foto: Reprodução/X)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi encerrada na madrugada deste sábado (28) sem a aprovação de um relatório final, após a rejeição do parecer do relator. Em meio ao impasse, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o texto derrotado não refletia o conjunto das investigações realizadas.

“A CPMI do INSS termina com o trabalho do relator rejeitado. Foi apresentada uma peça frágil, que não se sustenta e não reflete as quase 40 sessões da Comissão, realizadas desde agosto de 2025”, declarou o parlamentar.

◉ Relatório rejeitado aprofunda divisão política
De acordo com informações da Agência Brasil e do Brasil 247, o colegiado rejeitou, por 19 votos a 12, o parecer apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL). O documento previa o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e outros nomes do meio político e empresarial.

Após a derrota, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), optou por não colocar em votação um relatório alternativo apresentado por parlamentares governistas, levando ao encerramento da CPMI sem qualquer documento final aprovado — um desfecho considerado incomum.

◉ Governistas defendem relatório alternativo
O deputado Paulo Pimenta sustentou que havia um outro texto com respaldo da maioria da comissão. “Este documento que carrego é o verdadeiro relatório, entendido pela maioria dos parlamentares como aquele que aponta os reais culpados pelos golpes cometidos contra os aposentados de todo o Brasil, em uma trama instituída no Governo Bolsonaro”, afirmou.

Esse relatório alternativo previa cerca de 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma suposta organização criminosa ligada a fraudes em descontos do INSS. O documento, no entanto, não chegou a ser analisado pelo colegiado.

◉ Mobilização do governo foi decisiva
Para barrar o parecer de Gaspar, o governo mobilizou sua base no Congresso. Senadores foram chamados a Brasília para participar da votação, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi temporariamente exonerado para reassumir o mandato no Senado e votar.

A movimentação evidenciou o peso político da disputa em torno das conclusões da CPMI, marcada por forte polarização desde o início de seus trabalhos.

◉ Relatório rejeitado previa medidas de impacto
O parecer derrotado incluía propostas de grande repercussão, como a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva e a investigação dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por suposto tráfico de influência.

O texto também apontava a existência de um esquema que teria movimentado cerca de R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025, envolvendo empresas com indícios de atuação como fachada para lavagem de dinheiro.

Além disso, previa o indiciamento de ex-ministros da Previdência, como Carlos Lupi e José Carlos Oliveira, com acusações que variavam de fraude a organização criminosa.

◉ Base governista aponta origem das fraudes
Já o relatório alternativo da base governista sustentava que mudanças realizadas a partir de 2019 facilitaram a atuação de entidades em descontos sobre benefícios previdenciários.

“Em 2019, no governo Bolsonaro, começam a ocorrer as grandes mudanças internas [...] que vão cada vez mais abrindo a possibilidade para que outras instituições e entidades pudessem fazer descontos”, afirmou Pimenta.

O documento também sugeria medidas legislativas para ampliar a proteção de aposentados e pensionistas, com foco no combate a práticas abusivas em operações de crédito consignado e no reforço à segurança de dados.

◉ CPMI termina sem conclusões formais
Sem consenso político, a comissão encerrou suas atividades sem consolidar oficialmente suas conclusões. Apesar disso, Pimenta afirmou que as investigações não se encerram com o fim dos trabalhos parlamentares.

“A CPMI acaba, mas a busca pela punição dos criminosos continuará. A verdade prevaleceu”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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