Abrafrigo aponta receita de US$ 2,865 bilhões no primeiro bimestre, com EUA dobrando compras e China mantendo liderança apesar de nova tarifa de 55%
Brasil suspende exportações de carne bovina à China com confirmação de caso de "vaca louca" 19/10/2019 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revela que as receitas obtidas com vendas internacionais de carnes in natura, industrializadas, miudezas e demais subprodutos bovinos totalizaram US$ 2,865 bilhões entre janeiro e fevereiro — crescimento de 39% sobre os US$ 2,065 bilhões do mesmo intervalo de 2025. O volume físico exportado avançou 22%, somando 557,24 mil toneladas embarcadas.
Os números mensais reforçam a trajetória ascendente. Apenas em fevereiro, ainda segundo os registros da Abrafrigo, o faturamento com exportações bovinas chegou a US$ 1,449 bilhão, alta de 39,57% na comparação com fevereiro de 2025, quando a receita havia sido de US$ 1,038 bilhão.
O volume exportado no mês cresceu 28,64%, saltando de 217,08 mil para 279,26 mil toneladas, consolidando o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de proteína bovina em um cenário de demanda global robusta.
China
Apesar de continuar ocupando o primeiro lugar entre os compradores da carne bovina brasileira, a China perdeu um pouco de espaço relativo no primeiro bimestre. As exportações para o gigante asiático somaram US$ 1,221 bilhão — expansão de 36% frente ao mesmo período de 2025 —, com volume de 223,7 mil toneladas, incremento de 21,7%.
A representatividade chinesa no total exportado recuou de 43,4% para 42,6%, e nas vendas exclusivas de carne in natura caiu de 48,6% para 46,5%, evidenciando que outros mercados ganham peso progressivamente. O preço médio praticado nas exportações para a China subiu 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada.
O cenário das quotas tarifárias acrescenta um elemento de atenção ao relacionamento comercial com Pequim. Mesmo que o Brasil consuma toda a sua parcela na quota chinesa — que garante isenção da tarifa adicional de 55% —, a Abrafrigo entende que a combinação entre demanda crescente em outros destinos e restrição da oferta interna deve sustentar o ritmo de exportações ao longo de 2026, diluindo os efeitos da limitação imposta pela China.
A medida tarifária foi adotada pelo governo chinês em 31 de dezembro de 2025 com o objetivo de proteger sua produção pecuária doméstica, ainda em recuperação após um período de excesso de oferta. O Ministério do Comércio da China fixou a quota total de importação para 2026 em 2,7 milhões de toneladas para os países afetados — volume próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas atingido em 2024, mas abaixo do ritmo registrado nos primeiros 11 meses de 2025 por exportadores como Brasil e Austrália.
EUA e Europa
Se a China segue na liderança, os Estados Unidos foram a grande surpresa do bimestre. O país, segundo maior comprador externo da carne bovina brasileira, mais que dobrou suas aquisições de carne in natura: as compras saltaram 97,3%, chegando a US$ 379 milhões, com volume de 63,08 mil toneladas — crescimento de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Somando carnes e subprodutos bovinos, o total comercializado com os norte-americanos chegou a US$ 448,7 milhões, alta de 56,8%. O preço médio de exportação para o mercado americano valorizou 23,4%, alcançando US$ 6.015 por tonelada. O salto reflete o expressivo déficit de abastecimento dos EUA, que segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA) precisará importar 2,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2026.
O bloco europeu avança em ritmo firme, beneficiado pelo clima favorável gerado pela aprovação do Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia. No primeiro bimestre, as exportações brasileiras de carne in natura para o continente cresceram 24,6% em valor, somando US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, com 14,17 mil toneladas embarcadas. O preço médio registrou valorização de 4,85%, chegando a US$ 8.568 por tonelada — o patamar mais elevado entre todos os principais destinos da carne bovina brasileira.
América do Sul
No continente sul-americano, o Chile manteve trajetória sólida, com volume de compras de 23.609 toneladas, crescimento de 22,4%, e valor total de US$ 135,9 milhões, alta de 29,3%. Já a Rússia protagonizou uma das expansões mais expressivas do período entre os vinte maiores compradores globais, avançando para a quinta posição no ranking.
As importações russas de carne bovina brasileira mais que dobraram em volume, atingindo 23.349 toneladas, alta de 106,6%, enquanto o valor das compras cresceu 132,3%, para US$ 102,6 milhões — resultado que ilustra o avanço estratégico do Brasil naquele mercado.
Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita também ampliaram significativamente suas aquisições. Quanto ao Oriente Médio de forma geral, a Abrafrigo reconhece que a guerra na região pode elevar custos logísticos e pressionar as exportações brasileiras, mas pondera que o impacto tende a ser contido: o bloco respondeu por 6,65% das receitas com carne bovina em 2025 e por 8,5% no primeiro bimestre de 2026, o equivalente a US$ 244 milhões.
No cenário interno, o Brasil enfrenta uma virada no ciclo pecuário, marcada pela valorização dos animais de reposição e pela queda no abate de fêmeas, o que deve comprimir a oferta de carne disponível para exportação ao longo deste ano.
Em contrapartida, a abertura e consolidação de novos destinos — como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul — projetam perspectivas favoráveis para a manutenção da demanda externa pela proteína bovina brasileira. O balanço do bimestre mostra que 109 países elevaram suas compras do Brasil, ao passo que 42 reduziram o volume adquirido.
Fonte: Brasil 247
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