sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

União Brasil se aproxima do PT no Ceará e pressiona Ciro Gomes

Partido prioriza eleição de deputados federais, sinaliza apoio a Elmano e amplia incerteza sobre candidatura de Ciro Gomes ao governo

       Ciro Gomes (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

A articulação política no Ceará para as eleições estaduais de 2026 ganhou novos contornos com a aproximação entre União Brasil e PT, movimento que pode enfraquecer o projeto de Ciro Gomes (PSDB) de disputar novamente o governo estadual. Segundo o jornal O Globo, a legenda passou a considerar mais provável o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O comando nacional do União Brasil tem sido procurado tanto por Ciro quanto por aliados do presidente Lula. Apesar de ter adotado no fim do ano passado um discurso mais oposicionista, incluindo a proibição de filiados ocuparem cargos no governo federal, o partido intensificou a aproximação com o Palácio do Planalto nos últimos meses, especialmente na região Nordeste.

Estratégia mira bancada federal
Integrantes ligados à direção nacional da sigla afirmam que a prioridade do União Brasil é ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados. A definição das alianças estaduais estaria condicionada a esse objetivo. Nesse contexto, a presidência nacional do partido, sob comando de Antonio Rueda, avalia que uma composição com o PT no Ceará pode oferecer melhores condições eleitorais do que um acordo com o grupo de Ciro Gomes.

A movimentação no Ceará acompanha tendências observadas em outros estados nordestinos. Em Pernambuco, há sinalização de apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao governo estadual, embora existam resistências internas ligadas ao PP, que mantém aliança com a governadora Raquel Lyra (PSD), possível candidata à reeleição. Já na Bahia, a federação caminha para a oposição ao PT, com ACM (União Brasil) se posicionando como provável candidato contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Divisão interna no Ceará
No cenário cearense, o União Brasil ainda está dividido. Deputados federais como Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, além de parte dos prefeitos do interior filiados à legenda, defendem uma aliança com o PT. Em sentido oposto, o deputado Danilo Forte e o ex-deputado Capitão Wagner apoiam uma composição com Ciro Gomes e o PL de Jair Bolsonaro.

A oposição já iniciou discussões sobre a divisão de espaços em eventual chapa. A proposta envolve Ciro na disputa pelo governo, Capitão Wagner ao Senado e o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil), ao lado do PL, ocupando as demais posições majoritárias.

No início de fevereiro, Ciro participou de um jantar com Antonio Rueda e com o presidente do PP, Ciro Nogueira. O encontro ocorreu na residência de Danilo Forte, que relatou: “Esse apoio foi defendido em um jantar que fiz em minha casa no início do mês”. Apesar da articulação, o apoio formal da federação ainda não foi assegurado.

Dirigentes da cúpula partidária avaliam que Ciro precisa demonstrar capacidade de formar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, superando o grupo alinhado ao PT. O ex-ministro teria indicado a intenção de filiar seus principais aliados ao União Brasil, e não ao PSDB, como forma de consolidar o acordo, mas a direção aguarda a concretização do movimento antes de bater o martelo.

Federação e cenário presidencial
O PP no Ceará tem maioria favorável ao apoio ao PT e ao presidente Lula, mas a decisão tende a ser influenciada pelo União Brasil, que possui maior representação federal. A formação oficial da federação entre União e PP depende ainda de manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esperada para o fim do mês.

No plano nacional, a federação não definiu posição para a eleição presidencial. Há tendência de neutralidade, embora, mesmo na hipótese de eventual apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alianças regionais com o PT possam ser autorizadas.

Enquanto as negociações avançam, Ciro Gomes evita confirmar sua candidatura. Em evento com aliados da oposição no último dia 7, afirmou: “É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga. Meu juízo dizendo para eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato”.

Apesar das declarações, o PSDB tem descartado a possibilidade de Ciro ficar fora da disputa, mantendo a expectativa de que ele entre na corrida pelo governo do Ceará em 2026.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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