segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Bolsonaro é citado em 74 arquivos do caso Epstein

Materiais não trazem provas e citam mensagem atribuída a Steve Bannon

         Jair Bolsonaro, escurecido na foto - 30/07/2021 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, novos arquivos relacionados à investigação sobre o financista Jeffrey Epstein, preso em 2019 sob acusação de tráfico sexual. Entre os documentos tornados públicos, o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em 74 arquivos, segundo levantamento divulgado no domingo, 1º de fevereiro de 2026, a partir do material liberado.

Segundo a RT Brasil, que repercutiu o conteúdo, as menções ao nome de Bolsonaro não indicam provas nem estabelecem conclusões sobre o ex-presidente. O texto ressalta ainda que os documentos podem estar duplicados e que o levantamento citado não contabilizou o número total de citações, mas sim a quantidade de arquivos em que o nome aparece.

A presença do nome de Jair Bolsonaro em um conjunto de arquivos, conforme descrito, não equivale automaticamente a evidência de envolvimento em qualquer ilícito. Em investigações com grande volume documental, é comum que nomes surjam em anotações, comunicações, listas e referências indiretas — muitas vezes registradas por terceiros — sem que isso signifique comprovação de fatos.

A própria reportagem repercutida enfatiza que as menções não produzem conclusões contra Bolsonaro. Ainda assim, a divulgação desse tipo de material tende a provocar disputas de narrativa, com recortes usados politicamente para sugerir vínculos que os documentos, pelo menos no que foi apresentado, não demonstram.

☉ A mensagem atribuída a Steve Bannon e a referência a “Jair”

Um dos registros citados traz referência a uma mensagem atribuída a Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, enviada a Epstein em 2018. No trecho reproduzido, a mensagem aparece como:
"Precisamos manter a questão do Jair nos bastidores"

A frase é apresentada como parte do material divulgado, mas o recorte descrito não explica o contexto completo da comunicação, nem o que seria “a questão do Jair”, nem se houve desdobramentos investigativos a partir disso. A reportagem também não afirma que o trecho seja prova de qualquer irregularidade, limitando-se a indicar que a referência consta nos arquivos.

☉ “MBGA” e a alusão ao slogan “MAGA”

O material também menciona a sigla “MBGA”, apresentada como abreviação de “Faça o Brasil Grande de Novo”, em alusão ao slogan político “Faça a América Grande de Novo”. A referência reforça que os arquivos incluem termos e expressões associados a slogans e códigos políticos, mas o texto repercutido não detalha em que circunstâncias a sigla aparece, quem a utiliza ou com qual finalidade.

☉ Um acervo gigantesco e a complexidade do caso Epstein

Segundo o DOJ, os arquivos divulgados integram um conjunto de mais de 3 milhões de anotações e comunicações reunidas ao longo da investigação sobre a rede de contatos de Epstein. O volume do material ajuda a explicar por que referências a figuras públicas podem aparecer em registros diferentes, às vezes duplicados, e com naturezas variadas — de contatos e menções indiretas a mensagens pontuais.

Epstein foi preso em 2019 sob acusação de tráfico sexual, e o caso ganhou dimensão global por envolver redes de influência, dinheiro e relações sociais com pessoas conhecidas. Nesse contexto, a divulgação de documentos tende a gerar ondas de repercussão pública sempre que nomes de grande visibilidade surgem no acervo.

☉ O que se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido

Com base apenas nas informações apresentadas no material fornecido, o dado central é que, após a liberação de documentos pelo DOJ em 30 de janeiro de 2026, um levantamento citado identificou o nome de Jair Bolsonaro em 74 arquivos. Ao mesmo tempo, o próprio texto repercutido afirma que essas menções não constituem prova nem estabelecem conclusões sobre o ex-presidente.

O que ainda permanece em aberto, no recorte disponibilizado, é a natureza exata dessas menções: se aparecem em comunicações, listas de contatos, anotações de terceiros, registros duplicados ou documentos de tipos distintos. Sem esse detalhamento, qualquer interpretação que ultrapasse a constatação de que “há menções em arquivos” corre o risco de virar especulação.

☉ Como a informação foi divulgada

A RT Brasil publicou a informação indicando que as menções aparecem em documentos sem provas e que o nome do ex-presidente figura em 74 arquivos, conforme levantamento citado. A reportagem também aponta a referência à mensagem atribuída a Steve Bannon e a menção à sigla “MBGA”, associada ao slogan “Faça o Brasil Grande de Novo”.

Fonte: Brasil 247

Presidente da CPMI do INSS diz a Toffoli que é indispensável ouvir depoimento de Vorcaro

Comissão afirma que oitiva de Daniel Vorcaro é essencial para esclarecer contratos de consignado do Banco Master ligados a benefícios do INSS

Presidente da CPMI do INSS diz a Toffoli que é indispensável ouvir depoimento de Vorcaro (Foto: Divulgação)

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que a comissão considera indispensável o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro para o avanço das investigações sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo o senador, a oitiva teria como foco exclusivo contratos de empréstimos consignados do Banco Master relacionados ao INSS.

Segundo reportagem do G1, no pedido encaminhado ao ministro Dias Toffoli, o senador ressaltou a centralidade dos depoimentos para o funcionamento de uma CPI. “Como as CPIs se baseiam brutalmente em inquirições, não se pode tolher os parlamentares de inquirir e, sem depoentes presentes, não há inquirição possível”, argumentou Viana no documento enviado ao STF.

Em declarações a jornalistas na semana anterior, o presidente da CPMI detalhou os pontos que pretende esclarecer com o banqueiro. Segundo ele, “ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e como descontos ocorreram sem autorização em casos nos quais não havia comprovação”. A comissão também pretende questionar quais providências foram adotadas para a devolução dos valores cobrados indevidamente dos clientes prejudicados.

O pedido de depoimento ocorre em meio a um impasse entre a CPMI e o STF sobre o acesso a dados sigilosos da investigação. Antes de recorrer judicialmente, Viana disse que pretende solicitar uma audiência com Dias Toffoli para pedir a devolução à comissão dos materiais resultantes da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro e do Banco Master. Por decisão do ministro, esses documentos foram encaminhados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e submetidos a sigilo total.

Antes do recesso parlamentar, a CPMI solicitou à Advocacia do Senado que recorresse da decisão do STF. No entanto, integrantes da comissão avaliam que a atuação do órgão se limitou a uma notificação formal ao Supremo, sem efeitos práticos. Na avaliação de Viana, faltou empenho institucional para tentar atender à solicitação do colegiado. O senador afirma que buscará esclarecer ao ministro que o escopo da investigação da CPMI se restringe a questões diretamente ligadas ao INSS. Caso não haja entendimento, ele não descarta a apresentação de um mandado de segurança para liberar a documentação.

Paralelamente aos trabalhos da comissão, o Banco Master enfrenta um quadro grave no sistema financeiro. A instituição sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, após a autoridade monetária concluir que o banco não tinha condições de honrar seus compromissos. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso em uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o banco. Posteriormente, o empresário foi solto, mas passou a cumprir medidas cautelares.

Dados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) encaminhados à CPMI apontam um aumento expressivo de reclamações contra o Banco Master relacionadas a crédito consignado. Entre 2019 e 2025, foram registrados 5.665 queixas. Apenas em 2024, a instituição liderou o volume anual de reclamações, com 2.472 registros, superando bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BRB.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Filho de doméstica e pedreiro passa em primeiro lugar para medicina na USP

Baiano de 23 anos, formado na rede pública, alcança a maior nota pelo Enem e garante vaga no concorrido curso de Ribeirão Preto

    Filho de doméstica e pedreiro passa em primeiro lugar para medicina na USP (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 23 anos, o baiano Wesley de Jesus conquistou o primeiro lugar no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, uma das formações mais concorridas do país. Morador da periferia de Salvador, ele estudou em condições precárias, com materiais reaproveitados e aulas gratuitas disponíveis na internet, até alcançar a maior nota entre os aprovados pelo sistema do Enem.

A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, que detalhou a trajetória do estudante aprovado pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Segundo Wesley, após cinco anos de preparação por conta própria, sua pontuação permitiria ingresso em qualquer universidade pública participante do sistema.

Desde a infância, o jovem afirma ter clareza sobre a escolha profissional. “Desde pequeno quero ser médico. Sempre usei hospitais públicos porque tenho asma. Agora quero me preparar para dar o retorno para a sociedade. Quero ser um exemplo para outros jovens de que hoje é possível acessar algo de excelência independentemente de origem, classe social e raça”, declarou.

Wesley vive em Cajazeiras, um dos maiores conjuntos habitacionais do Brasil, em uma casa ainda inacabada, com cômodos sem laje e sem pintura. Ele divide dois quartos com os pais e três irmãos. A mãe, Liliana Maria de Jesus, de 54 anos, está desempregada e atua como trabalhadora doméstica. O pai, Djalma Souza Batista, de 51, trabalha como pedreiro. Nenhum dos dois cursou o ensino superior.

Toda a formação escolar de Wesley ocorreu na rede pública. Ele relata que utilizou apostilas usadas, doações e conteúdos disponíveis online para se preparar. “Minha vida estudantil foi toda em escola pública. Estudei com apostilas usadas que me doavam, materiais que eu encontrava na internet e aulas online pelo Youtube. Tem muita coisa disponível atualmente”, afirmou.

Com a aprovação, o jovem se prepara para mudar-se para o estado de São Paulo, experiência ainda pouco conhecida por ele. “Não conheço praticamente nada. Tenho um sentimento agridoce. Feliz por estar indo para uma nova realidade em uma universidade muito importante, mas também em choque pelo que me espera. O custo de vida é muito mais caro do que aqui”, disse. Para enfrentar os primeiros meses, Wesley criou uma vaquinha nas redes sociais para arrecadar recursos. A USP oferece programas de assistência estudantil voltados a alunos de baixa renda, incluindo moradia e alimentação.

Ao refletir sobre o percurso até a aprovação, Wesley reconhece as dificuldades enfrentadas, mas ressalta a postura adotada diante delas. “Com toda certeza, eu tive muito mais barreiras que outros alunos para conseguir essa aprovação, mas nunca entendi a minha realidade econômica como algo determinante para eu nunca mudar de vida. Quero ser um médico com valores humanos, que gosta de seus pacientes e defende o sistema público.”

A família também atribui a conquista à fé religiosa. “Somos cristãos e a base de tudo sempre será Jesus, o autor da nossa salvação. Foi Deus que mais nos amparou em tudo, e tenho certeza que vai continuar nos ajudando nessa empreitada”, afirmou Wesley.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Congresso retoma trabalhos com foco em segurança e acordo Mercosul-UE

Ano legislativo começa mais curto por causa das eleições e reúne disputas entre governo e oposição sobre CPIs, vetos presidenciais e medidas provisórias

Congresso Nacional (Foto: EBC)

O Congresso Nacional retoma oficialmente suas atividades nesta segunda-feira (2), inaugurando um ano legislativo que tende a ser mais enxuto em razão do calendário eleitoral de 2026. Tradicionalmente, em anos de eleição geral, o ritmo das votações diminui à medida que deputados e senadores passam a se dedicar às campanhas, o que impõe disputas mais intensas pela definição das prioridades.

De acordo com reportagem da CNN Brasil, entre os principais temas que devem dominar a agenda do Parlamento estão o avanço de propostas na área de segurança pública e a tramitação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, considerado estratégico pelo governo e por setores do empresariado.

Paralelamente, cresce a pressão de parlamentares por investigações relacionadas ao Banco Master. A apuração de uma fraude financeira e seus desdobramentos políticos, que incluem menções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionou articulações para a apresentação de mais de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O tema também já aparece em colegiados em funcionamento, como a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado, além de um grupo de trabalho previsto no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

No campo político, a oposição concentra esforços na tentativa de derrubar o veto presidencial ao projeto que reduzia penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta, que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi vetada integralmente pelo governo. Já a base governista trabalha para destravar o projeto que estabelece regras para trabalhadores de aplicativos, negociado pelos ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Outras pautas defendidas pelo Executivo incluem o fim da escala de trabalho 6x1 e a implantação da tarifa zero no transporte público. Ambos os temas devem ganhar destaque no debate político e são apontados como bandeiras da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

● Vetos acumulados e disputa de prioridades

Atualmente, o Congresso acumula 73 vetos presidenciais pendentes de análise, sendo 72 assinados por Lula e um ainda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais de 82% dessas pendências correspondem a vetos parciais, enquanto o restante envolve vetos totais a projetos aprovados pelo Legislativo.

Entre as decisões rejeitadas pelo presidente estão, além da redução de penas relacionada ao 8 de janeiro, propostas que unificavam o limite de idade para concursos policiais e que estabeleciam novo prazo para a regularização de imóveis rurais em áreas de fronteira. Pela Constituição, o Congresso tem 30 dias para apreciar um veto, prazo que, na prática, frequentemente não é cumprido, fazendo com que algumas decisões se arrastem por anos.

● Medidas provisórias na pauta inicial

O início do ano legislativo também é marcado por um volume elevado de medidas provisórias. Atualmente, 26 MPs aguardam análise do Congresso Nacional. Editadas pelo presidente da República, essas medidas têm força de lei imediata, mas precisam ser aprovadas pelo Legislativo para não perderem a validade. O prazo inicial é de 60 dias, prorrogável automaticamente por mais 60, caso a votação não seja concluída nas duas Casas.

Na Câmara dos Deputados, os trabalhos começam com sessões dedicadas à apreciação de MPs do Executivo. Entre elas estão a medida que trata do Auxílio Gás do Povo e outra que autoriza crédito extraordinário para o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Também consta na lista a MP nº 1327/2025, que prevê isenção de taxas e dispensa de exames presenciais para a renovação da carteira de motorista de condutores que não tenham registrado multas nos últimos 12 meses. No momento, 16 medidas provisórias estão sob análise de comissões mistas, cinco tramitam diretamente na Câmara, e outras cinco já foram publicadas e aguardam encaminhamento formal, compondo um cenário de forte disputa política logo no início dos trabalhos parlamentares.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

Lula intensifica agenda de inaugurações pelo país no 1º semestre

Planejamento prevê lançamentos e cerimônias no primeiro semestre, com foco no Sudeste e no Nordeste antes do início das restrições eleitorais

23.01.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de celebração da contratação de 2 milhões de moradias no “Minha Casa, Minha Vida” e entrega de 1.337 moradias em Maceió. Residencial Dr. Pedro Teixeira Duarte I e II. Maceió (AL) - Brasil Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá cumprir, ao longo do primeiro semestre, uma extensa agenda de lançamentos de programas e inaugurações de obras em diferentes regiões do país. A estratégia busca ampliar a presença do chefe do Executivo em eventos oficiais antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, que entram em vigor a partir de julho. As informações são da CNN Brasil.

A programação está sendo organizada pela Casa Civil, com a colaboração de todos os ministérios. O objetivo central é concentrar o maior número possível de compromissos institucionais até o período em que agentes públicos ficam impedidos de participar de atos desse tipo por conta do calendário eleitoral.

De acordo com os relatos, a prioridade da agenda presidencial será direcionada principalmente ao Sudeste e ao Nordeste. O Sudeste concentra os três maiores colégios eleitorais do país e costuma ser palco de disputas acirradas entre forças de direita e de esquerda. Já o Nordeste, historicamente mais favorável à esquerda em eleições recentes, é visto como fundamental para equilibrar o cenário diante da vantagem da direita nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Levantamentos eleitorais mais recentes indicam avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Sudeste, fator que tem influenciado diretamente o planejamento político do Palácio do Planalto. Diante desse quadro, Lula tem intensificado, nas últimas semanas, articulações para a definição de palanques estaduais, com atenção especial a São Paulo e Minas Gerais.

Aliados do presidente avaliam que um eventual segundo turno nesses dois estados é considerado decisivo para afastar o risco de derrota na disputa presidencial. Por isso, a agenda de viagens, anúncios e inaugurações tem sido tratada como peça central da estratégia política do governo ao longo deste ano eleitoral.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

Acusada de fraude no INSS recebeu R$ 221 milhões após apoio de líder da bancada evangélica; entenda


       Fachada do prédio da Previdência Social INSS em Brasília. Foto: Antonio Molina/Folhapress

Uma das principais lideranças da bancada evangélica, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) participou da assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade investigada por suposta fraude em descontos de aposentadorias. Desde o acordo, a CBPA recebeu R$ 221 milhões repassados pelo INSS entre março de 2023 e abril de 2025 — mês em que foi deflagrada a Operação Sem Desconto, que apurou irregularidades nessas entidades. Com informações do Globo.

Silas acompanhou o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em reuniões com a cúpula do INSS no início de 2021, ainda no governo Jair Bolsonaro. Em maio daquele ano, ele esteve na cerimônia em que foi assinado, conforme o Diário Oficial, um “protocolo de intenções (…) com a finalidade de efetivar descontos nos benefícios previdenciários” de filiados à CBPA, de até 2,5% do benefício. Após o ato, Silas escreveu: “O acordo de cooperação técnica com o INSS trará um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”.

O acordo foi efetivado em julho de 2022 e os descontos começaram em março de 2023, já no governo Lula. Entre junho e julho daquele ano, a CBPA passou de 35 mil associados com descontos para mais de 220 mil, e o valor mensal recebido do INSS saltou de cerca de R$ 30 mil para R$ 7,5 milhões; no início de 2025, chegou a R$ 9,5 milhões mensais.

Quando a Polícia Federal e a CGU deflagraram a investigação, a entidade tinha 442 mil associados com descontos; em 2024, a CGU entrevistou uma amostra de 32 associados e nenhum disse ter autorizado os descontos, e o órgão afirma que a CBPA não conseguiu esclarecer a situação de nenhum deles.

Documentos enviados à CPI do INSS e levantados pelo portal O Globo indicam que, desde o fim de 2023, a CBPA firmou contratos com empresas de familiares de Silas Câmara, repassando R$ 1,8 milhão. A Network Multimídia recebeu R$ 30 mil para divulgar, em agosto de 2023, o evento “Grito da Pesca”, no qual o deputado foi apontado como uma espécie de “embaixador”. Entre julho de 2024 e março de 2025, a CBPA repassou R$ 1 milhão à Network Filmes, cuja sócia é Kethlen Brito, cunhada de Heber Câmara, filho do deputado; Heber se apresenta como CEO do “Network Group”. A Network Multimídia está em nome de Maria Soraia Costa, sogra de Heber.

Silas Câmara (Republicanos-AM). Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
No ano passado, houve ainda R$ 30 mil para a Rádio Morena FM, dirigida por Elienai Câmara, outro filho do parlamentar, e um contrato com a Conektah Estratégias Digitais — que aparece na prestação de contas da campanha de Silas em 2022 —, que recebeu R$ 800 mil para “veicular programas radiofônicos” sobre a entidade no Amazonas. A CBPA também contratou a advogada Milena Ramos Câmara, filha de Silas, para o setor jurídico.

Procurado pelo veículo, Silas Câmara não se manifestou. Em ofício à CPI do INSS, a defesa disse que “não há qualquer base fática ou indício mínimo que permita cogitar” que as empresas foram usadas “para fins irregulares” e que a “relação familiar (…) não implica, por si só, irregularidade”. A ex-mulher do deputado, a deputada Antonia Lucia (Republicanos-AC), que se separou dele em 2024, acusa Silas de “gastar o dinheiro da farra dos pescadores por meios ilícitos” e citou sua atuação, em 2025, para manter entidades como a CBPA intermediando o repasse do seguro-defeso.

Nas redes, Silas expôs articulação com Abraão Lincoln para alterar uma medida provisória do governo Lula que transferia o cadastro do seguro-defeso para prefeituras; o Amazonas tinha, em 2025, 83 mil beneficiários do seguro-defeso, muitos cadastrados pela CBPA e por associações ligadas a ela. “Somos contra abrir precedentes que fragilizam a atuação das entidades representativas”, disse o deputado.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

Em vídeo, Tony Garcia diz a Gabriela Hardt que era "informante" de Moro e revela grampos

Delator relatou abusos de Moro à juíza substituta e disse que tinha autonomia para pedir grampos de pessoas de interesse das investigações

          Tony Garcia e Sergio Moro (Foto: Reprodução/TV 247 | Roque de Sá/Agência Senado)

Vídeos gravados pela Justiça Federal e obtidos por Daniela Lima, do UOL, mostram um ex-colaborador da 13ª Vara Federal de Curitiba afirmando, diante de uma juíza, que não atuava apenas como delator, mas como “informante” do então juiz Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná. Nas gravações, ele sustenta que tinha autonomia para pedir interceptações telefônicas de pessoas consideradas de interesse das investigações conduzidas na vara.

Os registros reforçam um conjunto de acusações de abuso e irregularidades relacionadas à atuação de Sergio Moro à frente da Justiça Federal no Paraná. Atualmente, o senador é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a suspeita de uso de colaboradores para alcançar alvos que estariam fora da competência da Justiça Federal. Moro deixou a magistratura e ingressou na política em 2023.

Nas gravações, o ex-deputado estadual Tony Garcia conversa com a juíza Gabriela Hardt, que sucedeu Moro na 13ª Vara, e relata o que considera práticas abusivas durante o período em que colaborou com o Ministério Público e a Justiça Federal. Segundo ele, foi chamado a assinar um acordo para revelar um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e, a partir daí, passou a atuar de forma contínua como agente infiltrado.

“Com o tempo, doutora Gabriela, eu fui agente infiltrado do Ministério Público, eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, 24 horas, tendo um agente da Polícia Federal para pedir segurança e interceptação telefônica para quem eu achasse que poderia contribuir para a Justiça”, afirmou Tony Garcia em um dos vídeos gravados pela Justiça.

O ex-colaborador também relata que mantinha contato frequente com Sergio Moro para discutir os rumos das investigações e que recebia orientações para buscar possíveis delatores. Ele afirma ainda ter utilizado o telefone da própria 13ª Vara para entrar em contato com alvos das apurações. “Inclusive, uma das pessoas-chave desse inquérito eu levei para o acordo. Eu pedi para ele não ser preso. E ele foi lá e falou tudo. Que tinha conta fora e tal”, declarou.

Sergio Moro é investigado no Supremo por supostamente ter usado a estrutura da Justiça Federal do Paraná para coagir autoridades e políticos. Moro teria autorizado, solicitado e recebido gravações envolvendo o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná, realizadas por Tony Garcia.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

STF retoma atividades sob pressão do Congresso em ano eleitoral


        O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma os trabalhos nesta segunda-feira (2) em meio a divisões internas e sob o risco de se tornar alvo do Congresso Nacional ao longo de um ano eleitoral marcado por tensões institucionais. A Corte volta do recesso pressionada pelas repercussões da investigação sobre o Banco Master e com o desafio de conter novos desgastes políticos enquanto se prepara para julgamentos sensíveis.

A abertura do ano judiciário de 2026 ocorre após um recesso em que o presidente do STF, Edson Fachin, tentou contornar a crise de imagem do tribunal. Fachin pediu que todos os ministros comparecessem presencialmente à sessão solene, com exceção de Luiz Fux, diagnosticado com pneumonia e que participará de forma remota.

A expectativa é de um discurso em defesa da Corte, embora haja dúvidas se o presidente abordará de forma direta sua principal bandeira: a criação de um código de conduta para magistrados de tribunais superiores.

A proposta de código divide o tribunal. Um grupo de ministros apoia o avanço da iniciativa, enquanto outra ala resiste, avaliando que o momento é delicado e pode expor ainda mais a Corte a críticas e ataques externos.

☉ Caso Banco Master e foco em Toffoli

O ministro Dias Toffoli está no centro das discussões. Relator do inquérito do Banco Master, ele passou a ser alvo de questionamentos após viajar de jatinho com um dos advogados do caso, no fim de novembro, e por negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira investigada.

Diante desse cenário, Fachin foi aconselhado por interlocutores a evitar “movimentos bruscos” no início de um ano considerado politicamente sensível.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Reprodução
Ministros ouvidos reservadamente avaliam que o STF enfrentará um horizonte de embates com o Congresso nos próximos meses. Com a retomada simultânea do ano legislativo, parlamentares podem destravar iniciativas como pedidos de impeachment de ministros, requerimentos para convocar membros da Corte em CPIs e outras propostas do chamado “pacote anti-STF”.

Entre os temas centrais de 2026 no tribunal está o das emendas parlamentares. Entre os dias 10 e 11 de março, a Primeira Turma julgará um grupo de deputados do PL acusados de desvio de recursos, decisão vista internamente como um termômetro do rigor que o STF adotará em processos semelhantes.

☉ Pauta sensível e calendário eleitoral

Ainda no primeiro semestre, a Primeira Turma tem na agenda, para 24 de fevereiro, o julgamento dos acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. Também deve avançar a análise da ação penal contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, acusado de tentar interferir nas investigações sobre a trama golpista.

Ministros defendem que os casos mais controversos sejam julgados entre janeiro e junho, antes do calendário eleitoral do segundo semestre, quando o STF busca reduzir a exposição pública. As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que as legendas passam a registrar oficialmente seus candidatos.

☉ Sessões iniciais e articulações

Na primeira sessão plenária jurisdicional do ano, marcada para quarta-feira (4), Fachin pautou uma ação contra regras do CNJ sobre o uso de redes sociais por magistrados, com relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Até agora, há quatro votos para manter os termos atuais da resolução.

Para a solenidade de abertura, confirmaram presença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além dos presidentes do Senado e da Câmara. A OAB e a Procuradoria-Geral da República também devem se manifestar.

O STF inicia 2026 com uma vaga em aberto, já que o indicado pelo governo para substituir um ministro aposentado ainda não passou pela sabatina no Senado.

Fachin convidou os colegas para um almoço reservado em 12 de fevereiro. Oficialmente, o encontro marca o início dos trabalhos, mas há expectativa de que o código de conduta volte ao centro das conversas internas.

Fonte: DCM

domingo, 1 de fevereiro de 2026

VÍDEOS: Manifestantes saem às ruas pedindo “Justiça por Orelha”


      Cão participa de protesto por justiça para o cachorro Orelha. Foto: Divulgação

A morte do cão Orelha, agredido a pauladas em uma praia de Florianópolis, provocou protestos e indignação em diferentes regiões do país. Na manhã deste domingo (1), uma multidão se reuniu em frente ao Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para exigir justiça e cobrar punição aos responsáveis pelo crime.

O ato foi convocado por organizações de proteção animal e reuniu manifestantes com cartazes, faixas e animais de estimação. Para o Instituto Ampara Animal, um dos responsáveis pela mobilização, a presença nas ruas tem um significado político e simbólico. Em outros estados, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também foram registradas movimentações pedindo a punição dos responsáveis.

“Estar nas ruas também é uma forma de proteger os animais. É dizer, de forma coletiva, que maus-tratos não podem ser ignorados, normalizados ou esquecidos”, afirmou a entidade. “Orelha não foi o único, mas deveria ser o último”.

Orelha era um cachorro comunitário da Praia Brava, em Florianópolis. Ele morreu no dia 15 de janeiro após ter sido torturado. As investigações iniciais indicaram que o animal foi agredido por um grupo de quatro adolescentes, o que intensificou a repercussão nacional do caso.

Durante o andamento do inquérito, um dos adolescentes apresentou provas de que não estava presente no momento da agressão e deixou de ser considerado suspeito. Outros dois jovens, que haviam viajado para a Disney, nos Estados Unidos, retornaram ao Brasil na quinta-feira (29) e foram alvos de mandados de busca e apreensão.

Protesto na Avenida Paulista em apoio ao cão Orelha. Foto: Divulgação
A Polícia Civil também indiciou três familiares dos adolescentes investigados, entre eles um advogado e dois empresários, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo as autoridades, eles teriam ameaçado o porteiro de um condomínio que presenciou a agressão contra o cão.

Na Avenida Paulista, os manifestantes pediram rigor nas investigações, punição aos envolvidos e responsabilização dos pais dos adolescentes. Parte dos participantes também defendeu mudanças na legislação, incluindo o debate sobre redução da maioridade penal em casos de violência extrema.

Cartazes exibidos durante o protesto traziam frases como “Justiça por Orelha”, “Chega de impunidade, não importa a idade”, “Diga não aos maus-tratos aos animais” e “Ninguém solta a pata de ninguém”. Muitos manifestantes levaram seus próprios animais para reforçar o caráter simbólico do ato.

Uma das mensagens mais repetidas questionava a viagem internacional feita por dois dos suspeitos após a morte do cão. “Quando um cachorro ataca, é sacrificado. Quando um adolescente mata, vai pra Disney?”, dizia um cartaz exibido por participantes do protesto.

Além de São Paulo, manifestações também ocorreram em Florianópolis. Na Beira-Mar Norte, moradores cobraram respostas das autoridades e exibiram cartazes com frases como “assassinos herdeiros da violência” e “dinheiro não limpa o sangue no chão”, ampliando a pressão pública por responsabilização no caso Orelha.

Fonte: DCM