sábado, 7 de março de 2026

Zettel, cunhado de Vorcaro, pagou R$ 3 milhões por sítio de servidor do Banco Central

Segundo investigação da Polícia Federal, Paulo Sergio Neves de Souza agia para favorecer o Master dentro do BC, mediante vantagens indevidas

       Fabiano Zettel (Foto: Reprodução/YouTube/PrimoCast)

Uma negociação imobiliária envolvendo familiares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recoloca no centro das investigações um servidor do Banco Central (BC). O empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, adquiriu uma propriedade rural no sul de Minas Gerais por R$ 3 milhões. O imóvel, chamado Sítio Alto do Mirante, tem 43,56 hectares — área equivalente a cerca de 60 campos de futebol — e era pertencente ao servidor do BC Paulo Sergio Neves de Souza e a outros familiares, segundo Tácio Lorran, do Metrópoles.

A transação é detalhada em documentos de compra e venda. O acordo previa uma entrada de R$ 750 mil paga à vista e mais três parcelas anuais no mesmo valor, com vencimentos entre 2022 e 2024.

Localizado no município de Juruaia, o sítio possui plantação de café e foi adquirido por Paulo Sergio Neves de Souza e um produtor rural em agosto de 1998. Na escritura de venda assinada em 13 de janeiro de 2021, também aparece como vendedora a psicóloga Lavinia Vieira Costa Monteiro, esposa do servidor do BC em regime de comunhão parcial de bens.

Além da relação com o servidor do Banco Central, o negócio também envolve outro personagem próximo à família Vorcaro. Luis Roberto, citado nas investigações, aparece na Receita Federal como administrador de uma empresa do próprio Fabiano Zettel no setor imobiliário.

● PF investiga relação entre banqueiro e servidor do Banco Central

O caso ganhou repercussão após a Polícia Federal avançar nas investigações que envolvem Daniel Vorcaro e pessoas de seu círculo próximo. O banqueiro e o pastor Fabiano Zettel foram presos na quarta-feira (4) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro foi transferido para Brasília, onde permanece em uma penitenciária federal de segurança máxima.

Na mesma decisão, Mendonça determinou medidas cautelares contra Paulo Sergio Neves de Souza, que atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. O servidor passou a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o município onde reside ou manter contato com outros investigados na chamada Operação Compliance Zero.

As apurações da Polícia Federal indicam que o servidor teria atuado como uma espécie de intermediário de interesses dentro da autoridade monetária. Mensagens interceptadas apontam que ele fornecia orientações estratégicas relacionadas a processos administrativos envolvendo o Banco Master.

Segundo a decisão do ministro, a atuação incluía revisão de documentos e aconselhamento sobre como a instituição financeira deveria se posicionar diante do órgão regulador.

“Os elementos informativos reunidos indicam que PAULO SÉRGIO prestava consultoria informal e contínua ao referido investigado, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora. Em diversas ocasiões, o investigado encaminhou ao banqueiro recomendações específicas acerca de temas que poderiam ser levantados por autoridades do Banco Central em reuniões institucionais, orientando previamente as respostas e estratégias a serem adotadas”, afirmou Mendonça na decisão.

As investigações também apontam que o servidor teria recebido vantagens indevidas em troca das orientações prestadas, incluindo benefícios pessoais e até um guia em uma viagem à Disney.

● Sindicância do BC apura suspeita de enriquecimento ilícito

Paralelamente ao inquérito criminal conduzido no Supremo Tribunal Federal, o Banco Central abriu uma sindicância interna para avaliar se o patrimônio do servidor é compatível com sua renda como funcionário público.

O procedimento administrativo começou em 8 de janeiro e levou Paulo Sérgio a deixar o cargo de confiança no BC 11 dias depois. A sindicância patrimonial analisa indícios de enriquecimento ilícito e pode resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), caso sejam identificadas irregularidades.

Entre os elementos analisados estão outras aquisições imobiliárias feitas pelo servidor. Ele comprou dois terrenos e 66,6% de um prédio residencial em Guaxupé (MG) por R$ 915 mil. Parte das operações foi realizada em dinheiro vivo, enquanto outras ocorreram por transferência bancária, todas pagas à vista.

Se houver confirmação de irregularidades, o Banco Central poderá encaminhar o caso para diferentes órgãos de controle, incluindo Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

A sindicância tem prazo inicial de 30 dias para conclusão, com possibilidade de prorrogações sucessivas. Até o momento, o procedimento já foi estendido uma vez e segue em andamento.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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