sábado, 7 de março de 2026

Polícia Federal afirma não haver elementos para investigar relação entre Moraes e Vorcaro

Instituição prioriza apuração de vazamentos ligados ao caso Master e aponta impasse sobre análise de mensagens

       Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A Polícia Federal informou que, até o momento, não identificou elementos que justifiquem a abertura de investigação sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o jornal O Globo, a PF não elaborou relatório específico sobre menções a Moraes encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Compliance Zero, nem houve análise formal sobre as trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro que teriam sido apagadas e posteriormente reveladas em reportagens.

A prioridade da corporação, neste momento, é a investigação de possíveis vazamentos de informações do caso. A apuração foi solicitada ao relator do processo envolvendo o Banco Master no STF, ministro André Mendonça. Na sexta-feira (6), Mendonça determinou a abertura de um inquérito específico para apurar a divulgação de dados sigilosos.

Segundo o Metrópoles, os registros obtidos pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pela defesa de Vorcaro indicam apenas que houve troca de mensagens entre o ex-banqueiro e o ministro. Como as conversas teriam sido enviadas no modo de visualização única, não é possível verificar o conteúdo do diálogo. Segundo fontes da corporação ouvidas pelo portal, não seria possível, do ponto de vista criminal, fazer conjecturas sobre o que teria sido discutido entre os dois, motivo pelo qual não foi elaborado relatório ao Supremo sobre o episódio, ao contrário do que ocorreu no caso envolvendo o ministro Dias Toffoli.

Investigadores avaliam que a reportagem do jornal O Globo teria associado anotações registradas por Vorcaro em um bloco de notas, sem identificação de remetente, a mensagens enviadas ao ministro com base apenas na coincidência de horários entre os registros. Na Polícia Federal, a interpretação é de que esse tipo de inferência reproduziria práticas atribuídas à Operação Lava Jato, baseadas em conjecturas, algo que o atual comando da instituição afirma buscar evitar.

Dentro da Polícia Federal, o entendimento predominante é que a situação envolvendo Moraes difere do caso do ministro Dias Toffoli. No episódio anterior, a corporação elaborou um relatório detalhado encaminhado ao então presidente do STF, ministro Edson Fachin. Na ocasião, havia indícios mais consistentes de relações frequentes entre Toffoli e Vorcaro, incluindo transações financeiras com pessoas ligadas ao caso, posteriormente justificadas como negociação de cotas de resorts no Paraná em nome da empresa da família do ministro, a Maridt.

No caso de Moraes, existem apenas conjecturas sobre possíveis conversas entre ele e Vorcaro, razão pela qual não há justificativa para investigação formal neste estágio. Caso surjam novos elementos relevantes, o material poderá ser encaminhado ao relator do caso. Parte dos investigadores entende que qualquer análise mais aprofundada dependeria de autorização do próprio STF, já que envolve um de seus ministros. O debate ocorre enquanto persistem questionamentos públicos sobre a relação entre Moraes e o Banco Master, que mantinha um contrato de R$ 132 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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