sábado, 7 de março de 2026

Polícia Federal rebate advogados de Vorcaro e nega exposição indevida

A PF fez o comunicado após a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro alegar que dados do empresário foram vazados de forma ilegal

      Polícia Federal rebate advogados de Vorcaro e nega exposição indevida (Foto: PF/Divulgação)

A Polícia Federal emitiu nesta sexta-feira (6) uma nota para reafirmar que a instituição “atua em todas as suas investigações seguindo rigorosos padrões de segurança no tratamento de informações e na preservação e garantia dos direitos fundamentais, incluindo o respeito à privacidade e à intimidade”.

A PF fez o comunicado após a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro alegar que dados do empresário foram vazados indevidamente. De acordo com a nota da corporação, “nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações”.

“Não foram incluídas, portanto, informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados. Não compete à Polícia Federal editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena, inclusive, de violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados”, continuou.

Segundo a PF, “os materiais apreendidos na citada operação estão em poder da Polícia Federal desde novembro de 2025 e em poder da Procuradoria-Geral da República desde janeiro de 2026”.

“Posteriormente, por decisão do então Ministro Relator do processo, a defesa dos investigados passou a ter acesso à integralidade dessas informações. Da mesma forma, a CPMI do INSS recebeu dados referentes ao objeto da comissão por determinação do atual relator do processo. Por fim, por orientação do diretor-geral da instituição, a equipe responsável pelas investigações encaminhou ao ministro relator representação para a abertura de apuração sobre a divulgação indevida de informações sigilosas”.

Investigações

As informações sobre o suposto esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro vieram a público a partir de dados reunidos pela investigação conduzida pela Polícia Federal (PF). O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Segundo os responsáveis pela apuração, as práticas investigadas teriam provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de insolvência de instituições financeiras.

De acordo com as apurações, Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano anterior. Na ocasião, ele acabou obtendo liberdade provisória, mediante a condição de utilizar tornozeleira eletrônica.

A nova ordem de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular do empresário. O aparelho havia sido apreendido ainda durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Conforme apontam os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do banqueiro.

Entre os episódios mencionados no inquérito, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria ameaçado o jornalista Lauro Jardim e também uma empregada doméstica. As investigações também apontam que o empresário teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Além disso, segundo a PF, o banqueiro teria acessado de forma indevida sistemas de diferentes instituições. Entre eles estariam plataformas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Defesa

Em comunicado divulgado por sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de maneira equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que, ao longo de sua trajetória profissional, sempre manteve relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa.

Na nota, o banqueiro declarou: “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Ele acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o conteúdo das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais incisivas teriam ocorrido em âmbito privado e não teriam tido o objetivo de intimidar qualquer pessoa.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

Fonte: Brasil 247

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