Carlos Alberto foi preso em flagrante e segue à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações
O autor dos disparos, identificado como Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, foi preso em flagrante (Foto: Reprodução)
A empresa representada pelo médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, preso por matar a tiros dois colegas de profissão na Grande São Paulo, mantém contratos com uma organização social de saúde investigada por suspeita de corrupção. A Cirmed Serviços Médicos possui acordos milionários firmados com a Fundação ABC, entidade que administra hospitais em São Bernardo do Campo e foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2025.
As informações foram divulgadas pelo Metrópoles, que revelou a ligação contratual entre a empresa do médico e a organização social citada em investigações sobre um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo recursos públicos da saúde.
A Fundação ABC foi um dos alvos da Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2025. Na ocasião, o então prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial. A investigação apura o desvio de recursos públicos por meio de contratos de gestão firmados pela OS com a prefeitura.
Embora a Cirmed Serviços Médicos não seja citada diretamente na investigação, Carlos Alberto figura como representante legal da empresa e é o signatário dos contratos firmados com a Fundação ABC. Segundo apuração, a Cirmed foi contratada para administrar diferentes unidades hospitalares ao longo dos últimos anos, com valores expressivos envolvidos.
Um dos contratos, firmado em março de 2024, previa o repasse de R$ 6,8 milhões por ano para atuação no Centro Obstétrico e de Parto Normal. Já outro acordo, assinado em maio do mesmo ano, estabelecia o pagamento de R$ 4 milhões anuais para a prestação de serviços no Hospital de Clínicas Municipal.
Na representação que deu origem à Operação Estafeta, a Polícia Federal descreveu um suposto esquema de distribuição de dinheiro entre servidores públicos e agentes políticos. “É relevante notar que a Fundação ABC, sendo uma entidade de direito privado e sem fins lucrativos, atua na gestão da saúde pública em São Bernardo do Campo por meio de repasses de dinheiro público, administrando uma rede de serviços através de ‘contratos de gestão’ firmados com a Prefeitura”, afirmou a PF no documento.
Ainda segundo a investigação, “Paulo Iran e Antonio Rene (apontados como operadores) são os agentes centrais de arrecadação e distribuição dos recursos, operando uma grande rede de contatos e um expressivo fluxo de recursos financeiros, sob a coordenação de Marcelo Lima Fernandes”.
Após o duplo homicídio, a Cirmed Serviços Médicos divulgou nota afirmando que o episódio envolvendo Carlos Alberto se tratou de um problema de ordem pessoal. “A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas”, declarou a empresa.
O delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso, afirmou que Carlos Alberto e uma das vítimas, Luís Roberto Pellegrini Gomes, eram donos de empresas concorrentes na área de gestão hospitalar. “Eles disputavam esses contratos”, disse o delegado ao Metrópoles, sem detalhar quais acordos estariam no centro do conflito.
Além de Luís Roberto, também foi morto Vinicius dos Santos Oliveira, funcionário da empresa da vítima. Os dois estavam em um restaurante de luxo no bairro Alphaville Plus, em Barueri, na noite de sexta-feira (16), quando Carlos Alberto chegou ao local.
Câmeras de segurança registraram o início da discussão dentro do restaurante. As imagens mostram Carlos Alberto cumprimentando os colegas e, em seguida, iniciando uma briga que termina com agressões físicas. Do lado de fora, outra gravação flagrou o momento em que o médico aparece por trás das vítimas no estacionamento e efetua os disparos.
De acordo com a decisão judicial que decretou a prisão preventiva, a Guarda Civil Municipal chegou a ser acionada antes do crime, após a informação de que havia um homem armado no local. Durante a abordagem, nenhuma arma foi encontrada. Carlos Alberto apresentava marcas de agressão e disse que deixaria o estabelecimento, mas retornou minutos depois e efetuou os disparos. Segundo testemunhas, a arma teria sido entregue a ele por uma mulher.
Carlos Alberto foi preso em flagrante e segue à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações para esclarecer a motivação do crime e eventuais conexões com disputas empresariais na área da saúde.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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