sábado, 7 de março de 2026

Defesa confirma morte de sicário apontado pela PF como operador de grupo ligado a Daniel Vorcaro

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu após tentativa de suicídio em cela da Polícia Federal

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "sicário" de Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, confirmou na noite de sexta-feira (6) a morte do investigado apontado pela Polícia Federal como integrante de uma estrutura paralela associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi divulgada em nota e publicada originalmente pela Folha de S.Paulo, que acompanha os desdobramentos da Operação Compliance Zero.

Segundo a defesa, Mourão morreu às 18h55, após a conclusão do protocolo de morte encefálica iniciado na manhã de sexta. Em nota, os advogados afirmaram: "Informamos que o quadro clínico evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado hoje, 06.03.26, por volta das 10h15. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal, seguindo-se o protocolo legal".

Mourão havia sido preso na quarta-feira (4), durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, ele tentou suicídio em uma cela da Superintendência da PF em Minas Gerais. Após o episódio, foi socorrido e levado a um hospital, onde permaneceu internado até a confirmação de sua morte.

⊛ Apontado como operador central de grupo investigado

Nas investigações, Mourão aparecia com o apelido de “Sicário” e foi descrito pela PF como operador central de um grupo chamado “A Turma”. Segundo os investigadores, ele seria responsável por coordenar ações de obtenção de informações e monitoramento de pessoas consideradas de interesse de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ainda de acordo com a investigação, Mourão teria papel relevante em operações clandestinas de vigilância e intimidação. Foi com ele, segundo a PF, que Vorcaro trocou mensagens relacionadas a uma tentativa de intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto. As apurações também citam outras conversas que tratariam de ameaças e agressões contra desafetos.

A Polícia Federal sustenta que Mourão seria o encarregado de executar essas condutas e que tinha inclusive acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos nacionais e internacionais. A gravidade das suspeitas deu nova dimensão ao caso, que passou a envolver não apenas supostas práticas de espionagem ilegal, mas também a possível utilização de estruturas paralelas para perseguição e coação.

⊛ Defesa contestava acusações

No dia da prisão, a defesa de Mourão afirmou que os fatos atribuídos a ele não correspondiam à realidade e sustentou que as acusações seriam esclarecidas quando houvesse acesso integral aos autos da investigação. A posição dos advogados indicava contestação frontal à narrativa construída pelos investigadores.

Em relação a outro processo que já tramitava contra Mourão, também mencionado após sua prisão, a defesa afirmou que a ação ainda estava em curso e que confiava que, ao final, sua inocência seria demonstrada.

⊛ Histórico policial e acusações anteriores

Em Minas Gerais, Mourão também era conhecido pelo apelido de “Mexerica”. Segundo policiais ouvidos pela Folha de S.Paulo, ele teve passagens por crimes como furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular.

Os registros anteriores, porém, não eram relacionados a crimes classificados como violentos. Para integrantes da polícia mineira citados pela reportagem, o perfil atribuído a Mourão até então era mais o de um operador de fraudes e golpes do que o de alguém com atuação marcada por violência física direta.

Segundo esses relatos, ele era conhecido por atuar como agiota e por participar de esquemas de pirâmide ligados a falsos investimentos e negociações fraudulentas de veículos usados. Também haveria indícios de ligação com uma organização criminosa com ramificações em jogos do bicho e apostas ilegais, envolvendo criminosos e policiais.

As mesmas fontes afirmaram ainda que Mourão mantinha amizades influentes na polícia mineira e em outras esferas de poder, o que amplia a sensibilidade política e institucional do caso.

⊛ Réu em ação por pirâmide financeira e lavagem de dinheiro

Além dos antecedentes policiais, Mourão já era réu desde 2021 por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais obtida pela Folha de S.Paulo, ele teria atuado como um dos chefes e articuladores de um esquema de pirâmide financeira.

O processo tramita na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte e, até o momento mencionado na reportagem original, ainda não havia sido julgado. De acordo com os procuradores, o esquema teria começado em 2017 e envolvia anúncios de investimentos com promessas de lucros exorbitantes, usados para atrair pessoas interessadas na compra e venda de títulos, ações e cotas.

Outras dez pessoas também foram denunciadas pelo Ministério Público como integrantes do esquema. Entre elas, segundo a reportagem, estavam a mãe e a irmã de Mourão.

⊛ Caso amplia pressão sobre investigação

A morte de Mourão acrescenta um elemento dramático a uma investigação já cercada de forte repercussão. Por ser descrito pela Polícia Federal como peça central de uma engrenagem de monitoramento, intimidação e acesso a informações sigilosas, ele era considerado um personagem-chave para o avanço das apurações.

Com sua morte, o caso tende a provocar novas perguntas sobre a extensão da estrutura investigada, os vínculos entre seus integrantes e a eventual participação de agentes públicos ou privados em atividades clandestinas. Ao mesmo tempo, permanece o princípio de que as acusações relatadas no inquérito ainda dependem de apuração completa e de eventual confirmação judicial.

A nota da defesa encerrou oficialmente a informação sobre o óbito, mas os desdobramentos da Operação Compliance Zero devem seguir no centro do debate jurídico e político, especialmente diante das suspeitas de uso de métodos ilegais de espionagem, pressão e intimidação contra alvos escolhidos pela organização investigada.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pela Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário