domingo, 1 de fevereiro de 2026

Pré-candidato a presidente, Flávio recicla promessas não cumpridas de Bolsonaro

Senador tenta reproduzir estratégia eleitoral do pai, aposta em redes sociais e símbolos conservadores, mas enfrenta alta rejeição e limites digitais

           Flávio Bolsonaro - 19 de dezembro de 2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articula sua pré-candidatura à Presidência da República com base em uma estratégia inspirada diretamente na trajetória eleitoral de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). O plano envolve a recuperação de métodos de campanha utilizados com sucesso em 2018 e parcialmente reaproveitados em 2022, além do resgate de promessas feitas naquele primeiro pleito e que não foram cumpridas durante o governo. A tentativa, no entanto, esbarra em obstáculos como alcance mais restrito nas redes sociais, rejeição ainda elevada e maior vigilância da Justiça Eleitoral sobre o ambiente digital, informa o jornal O Globo.

A chamada reaplicação do “manual Bolsonaro” inclui comunicação direta com apoiadores pelas plataformas digitais, estímulo a doações pulverizadas, mobilização de rua e uso recorrente de símbolos voltados ao eleitorado conservador e religioso. Aliados afirmam que a diferença em relação a campanhas anteriores estaria na busca por maior profissionalização e na correção de falhas identificadas nos últimos ciclos eleitorais, como problemas de coordenação, ausência de foco no Nordeste e fragilidades no discurso econômico.

Em 2018, Jair Bolsonaro construiu sua campanha presidencial com pouco tempo de televisão e forte presença nas redes sociais, especialmente no WhatsApp, em um contexto de baixa regulação das plataformas e rejeição à política tradicional. Já em 2022, no exercício do cargo, o bolsonarismo adaptou sua atuação, deslocando parte da mobilização para o Telegram, intensificando transmissões ao vivo e apostando em atos de rua, como as motociatas. É esse repertório que Flávio busca reencenar, com a ampliação das lives no YouTube como principal canal de diálogo direto com sua base.

Nos bastidores, a estratégia é tratada como uma atualização do modelo adotado pelo ex-presidente. O senador afirmou que pretende discutir os próximos passos da pré-campanha com Rogério Marinho, senador e coordenador do projeto eleitoral, ao retornar de viagem. “Quando voltar de viagem, vou sentar com Rogério Marinho (senador e coordenador da pré-campanha) para bolar as estratégias daqui para frente. Nosso primeiro evento deve ser em São Paulo”, disse Flávio ao Globo.

Durante o giro internacional, o parlamentar passou por Israel, onde foi batizado no rio Jordão e participou da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, evento que contou com a presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Segundo aliados, a viagem teve como objetivo reforçar a identidade religiosa do pré-candidato, dialogar com o eleitorado evangélico e sinalizar alinhamento com pautas da direita no cenário internacional.

Paralelamente, Flávio tem resgatado promessas feitas por Jair Bolsonaro em 2018 que não se concretizaram ao longo do mandato presidencial. Entre elas estão a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, proposta que provocou reações diplomáticas, a redução da maioridade penal e a ampliação do chamado “excludente de ilicitude”.

Apesar do esforço para ganhar visibilidade e ritmo político, aliados reconhecem entraves relevantes. Um deles é a estrutura digital. Enquanto Jair Bolsonaro mantém cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram, Flávio reúne pouco mais de 8 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, soma 14,4 milhões. A avaliação interna é que a força orgânica do bolsonarismo, isoladamente, não sustenta uma campanha nacional competitiva.

Outro fator de preocupação é o endurecimento da fiscalização eleitoral. Na última eleição presidencial, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de diversos conteúdos das redes sociais e, agora, discute normas para o pleito de 2026, incluindo diretrizes específicas para o uso de inteligência artificial. Além disso, Flávio enfrenta dificuldades para montar palanques estaduais robustos e busca um marqueteiro capaz de reduzir sua rejeição.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês aponta que o percentual de eleitores que afirmam não votar nele de forma alguma caiu de 60% para 55%. Ainda assim, o índice permanece acima do registrado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado por setores da direita como uma alternativa mais competitiva.

Rogério Marinho sustenta que a campanha pretende capitalizar a experiência recente do bolsonarismo. “Nós vamos potencializar os acertos, que foram muitos, e tentar não repetir os erros, por menores que tenham sido. A eleição de 2022 foi decidida por menos de dois pontos percentuais. Temos um laboratório recente”, afirmou o senador.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

MDB quer testar nome de Michel Temer em pesquisa para Presidência

Partido discute candidatura própria para este ano

      Michel Temer (Foto: Reuters)

O MDB planeja realizar, após o Carnaval, uma pesquisa nacional para medir a viabilidade eleitoral de Michel Temer - articulador do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 - como eventual candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro. A iniciativa surge em meio a debates internos sobre a estratégia da legenda para 2026 e a possibilidade de lançar um nome próprio na disputa presidencial, segundo a Folha de São Paulo.

A ideia de submeter o nome de Temer a um levantamento ganhou força após uma sugestão do ex-ministro Carlos Marun, um de seus aliados históricos. A proposta foi acolhida pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, que passou a defender a avaliação mais objetiva do cenário eleitoral antes de qualquer decisão definitiva.

Embora a movimentação interna exista, Michel Temer afirmou que uma nova candidatura não está entre suas prioridades no momento, ainda que não tenha descartado completamente a possibilidade. Nos bastidores do partido, a avaliação é de que o simples teste pode ajudar a balizar o debate interno e esclarecer o posicionamento do MDB diante da polarização política.

Baleia Rossi destacou que “uma candidatura eventual do presidente Temer qualificaria o debate e nos daria oportunidade de falar dos grandes avanços da sua gestão”.

Outro ponto considerado pela direção do MDB é o efeito de uma candidatura própria sobre as divisões internas da legenda. A avaliação é que a definição de um nome poderia contribuir para reduzir as tensões entre os setores do partido que mantêm proximidade com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aqueles alinhados à oposição, criando um eixo comum de articulação política para a campanha de 2026.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

VÍDEO: Em Aparecida, padre critica Nikolas, marcha “pelo poder” e cristãos que defendem armas

 

Padre Ferdinando Marcílio, do Santuário de Aparecida
Durante missa no Santuário Nacional de Aparecida, o padre Ferdinando Marcílio fez críticas duras ao que chamou de incoerência entre o discurso cristão e a defesa de armas e da violência. Também detonou o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG).

“Não adianta fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca fez um projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida”, disse.

“Mentira. Quer o poder”.

Na homilia, o sacerdote questionou a compatibilidade entre o cristianismo e instrumentos criados para ferir e matar.

Para ele, seguir os ensinamentos de Jesus exige uma postura clara em favor da vida, o que inclui rejeitar propostas que estimulem a violência ou o confronto armado.

O padre também condenou o uso da fé como ferramenta de projeção política.

Segundo afirmou, há quem recorra ao discurso religioso para conquistar apoio e poder, enquanto ignora a fome, a miséria e o sofrimento de grande parte da população.

Ele ressaltou que a vivência cristã pede atenção concreta aos necessitados e compromisso com a justiça social. A celebração foi transmitida ao vivo pelo portal A12, ligado à TV Aparecida, e ganhou repercussão nas redes. Veja o vídeo:

Fonte: DCM

Gabriela Botelho vence Miss Brasil 2026 e vai ao Miss Mundo

Gabriela Botelho é coroada por Jessica Pedroso

A modelo e empresária Gabriela Botelho, que disputou o concurso com a faixa de Miss Sergipe, venceu a final do 64º Miss Brasil Mundo, realizada no sábado (31), no Teatro Caesb, em Águas Claras, no Distrito Federal. Com o título, ela garantiu a vaga para representar o Brasil no Miss Mundo 2026, cuja sede e data ainda serão anunciadas pela organização.

Na classificação final, a Miss Pará, Maria Cecília Nóbrega, ficou em segundo lugar, enquanto a Miss Rio de Janeiro, Carolina Faria, completou o Top 3. Ao todo, 25 candidatas de todas as regiões do país participaram da disputa, considerada a seletiva nacional para o mais antigo concurso de beleza internacional ainda em atividade.

A definição da vencedora ocorreu na etapa de perguntas para as finalistas. Na resposta decisiva, Gabriela citou experiências pessoais ligadas a ações sociais e afirmou que a principal mudança necessária no país passa pela capacidade de ouvir quem pede ajuda. A noite também coroou a Miss Minas Gerais, Giovanna Starling, como Miss Global Brasil 2026, título que a levará a disputar o Miss Global ainda neste ano.

Fonte: DCM

Documento revela ultimato do Banco Central ao Master um ano antes da liquidação

Ofício assinado por Daniel Vorcaro em novembro de 2024 detalha plano de 180 dias para reforçar liquidez e governança

Documento revela ultimato do Banco Central ao Master um ano antes da liquidação (Foto: Divulgação)

Um documento enviado pelo Banco Master ao Banco Central em 7 de novembro de 2024 mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro assumiu formalmente o compromisso de implementar, em até 180 dias, um pacote de medidas para reforçar a governança corporativa e recompor a saúde financeira da instituição, com prazo até maio de 2025. O conteúdo enfraquece a versão de que a liquidação do banco, decretada em novembro de 2025, teria sido inesperada para seus controladores.

A revelação foi publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, que teve acesso ao ofício encaminhado pelo Master como resposta a um termo de compromisso expedido pelo Banco Central durante a gestão do então presidente Roberto Campos Neto, cerca de um ano antes da liquidação conduzida já sob o comando do atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.

O documento se tornou ainda mais relevante após o levantamento do sigilo dos depoimentos relacionado ao caso, decisão atribuída ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Com a abertura de informações, avança também a disputa de narrativas sobre o que ocorreu nos bastidores: de um lado, a defesa de Vorcaro sustenta que o banco vinha cumprindo o que fora pactuado; de outro, relatórios e depoimentos citados na apuração apontam deterioração acelerada de liquidez, dependência do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e falhas no recolhimento de depósitos compulsórios.

◎ Um prazo dado por Campos Neto e acompanhado por Galípolo

Segundo o relato, o termo de compromisso do Banco Central foi consequência de uma sequência de questionamentos feitos ao longo de 2024 sobre a situação do Master. A medida, adotada na reta final da gestão Campos Neto — encerrada em 31 de dezembro de 2024 — estabeleceu obrigações e metas a serem cumpridas até maio de 2025, período que já alcançaria o início do comando de Galípolo.

A existência do acordo formal e a descrição das exigências sugerem que o Banco Central já via a instituição como um caso crítico, impondo um “ultimato” regulatório: melhorar indicadores, reforçar práticas de governança e aprimorar mecanismos de gestão de riscos, com foco especial na liquidez de curto prazo.

Ainda assim, a liquidação do Master só ocorreu seis meses depois do fim do prazo, em novembro de 2025. Esse intervalo virou um dos pontos centrais do debate público e institucional, inclusive porque, paralelamente, o caso passou a envolver apurações policiais, análise do Tribunal de Contas da União e divergências entre versões apresentadas por executivos.

◎ Caixa vazio, dívidas na porta e compulsórios em atraso

Um dos trechos mais contundentes citados na apuração envolve o depoimento à Polícia Federal do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. De acordo com o que foi relatado, no dia da liquidação o Master teria apenas R$ 4 milhões em caixa e mais de R$ 127 milhões a pagar na mesma semana, dado que reforçaria a percepção de incapacidade de honrar compromissos imediatos sem apoio externo.

O cenário descrito se agrava com a informação de que as dívidas vinham sendo pagas “há meses” pelo FGC, e de que o banco deixou de recolher mais de R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios ao Banco Central. Em relatório enviado ao TCU, o BC teria informado que, a partir de novembro de 2024, ocorreram “diversos episódios de recolhimento insuficiente dos depósitos compulsórios” por parte do conglomerado do Master.

Esse conjunto de elementos é central para entender por que o Banco Central teria exigido, ainda em 2024, medidas voltadas a ativos líquidos e de alta qualidade: a autoridade monetária, em geral, busca assegurar que bancos mantenham condições reais de pagar obrigações de curtíssimo prazo, sem depender de soluções emergenciais ou de socorro indireto via mecanismos coletivos.

◎ A contradição com o BRB e o foco na carteira de créditos

No pano de fundo do caso, há também a disputa em torno das carteiras de crédito que teriam sido vendidas ao BRB. Pela versão apresentada na apuração, a Polícia Federal sustenta que a Tirreno seria uma empresa de fachada criada para fabricar carteiras e revendê-las ao BRB. Entre janeiro e junho de 2025, o BRB teria pago ao Master R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões por carteiras consideradas falsas e R$ 5,5 bilhões a título de prêmio.

Nesse mesmo período, o Master teria fechado um acordo para ser comprado pelo BRB em 28 de março, com a previsão de formação de uma nova instituição e a participação de Vorcaro no conselho de administração. O encadeamento desses fatos — negociações de mercado, transações bilionárias e deterioração financeira — passou a ser lido como parte de um único processo que culminou na intervenção.

Em depoimento à PF, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que o banco estatal não sabia que as carteiras eram originadas pela Tirreno e que isso teria sido omitido por Vorcaro. Segundo Costa, o contrato previa a compra de carteiras próprias do Master e, por isso, o BRB teria sido enganado. Ele declarou: “Contratualmente, a obrigação do Master era que as carteiras fossem originadas por eles”.

Durante acareação, Vorcaro apresentou versão oposta, sustentando que o BRB sabia que as carteiras eram de terceiros — um dos pontos mais controversos entre as defesas. O choque entre as narrativas ajuda a explicar por que o caso deixou de ser apenas um episódio de supervisão bancária e passou a envolver desdobramentos criminais e institucionais, com efeitos políticos e econômicos.

◎ O que o Master prometeu ao Banco Central em 180 dias

O ofício de 7 de novembro de 2024, assinado por Daniel Vorcaro e por seu sócio Angelo Antonio Ribeiro da Silva, afirma que o banco, “no intuito de reforçar seu compromisso de manter uma governança corporativa efetiva e gestão de riscos proativa”, adotaria medidas internas “a serem cumpridas em até 180 dias”.

Entre os pontos descritos, aparece a manutenção do indicador de cobertura de liquidez de curto prazo, que, na prática, impõe ao banco a necessidade de manter ativos de alta qualidade e rápida conversão em caixa, para cobrir vencimentos imediatos. A exigência ganha sentido diante do diagnóstico de que o Master mantinha ativos de baixa liquidez — como precatórios e direitos creditórios — que só poderiam ser vendidos rapidamente com descontos expressivos, abrindo um “buraco” no balanço.

O documento também menciona o reforço da governança corporativa, com institucionalização de diretoria executiva e decisões colegiadas, além da criação de comitês e fóruns efetivos, com destaque para riscos e investimentos. Em outro eixo, o Banco Central exigia manutenção do patrimônio de referência a uma taxa mínima de 12,5% em relação aos ativos ponderados pelo risco, indicador essencial para avaliar a solvência e a resiliência de uma instituição financeira.

◎ O que diz a defesa de Daniel Vorcaro

Procurada, a defesa de Vorcaro sustenta que o banco vinha cumprindo o acordado com o regulador. Em nota, afirmou: “A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que os compromissos assumidos pelo Banco Master junto ao Banco Central em novembro de 2024 estavam sendo cumpridos, conforme demonstrado no próprio acompanhamento realizado ao longo de 2025”.

A manifestação acrescenta que, segundo o depoimento prestado por Vorcaro, o banco adotava medidas pactuadas, incluindo governança e capital, ajustes operacionais, venda de ativos e busca de soluções de mercado. A defesa também afirma: “A negociação com o BRB fez parte desse rol de medidas”.

O texto da nota vai além e contesta a conclusão implícita de insolvência, ao declarar: “Até o momento da liquidação, o Banco Master permanecia solvente, com ativos superiores aos passivos, conforme demonstrações financeiras auditadas e monitoradas pelo Banco Central”. Por fim, sustenta: “Daniel Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos permitirá esclarecer adequadamente o contexto das decisões administrativas tomadas”.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Líder evangélico apoiou acordo do INSS com entidade investigada por fraude milionária

Deputado Silas Câmara participou de acordo com a CBPA, investigada por descontos irregulares que renderam R$ 221 milhões entre 2023 e 2025

        Silas Câmara (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Uma das principais lideranças da bancada evangélica no Congresso, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) esteve envolvido na articulação e na assinatura de um acordo entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade que mais tarde passou a ser investigada por suspeitas de fraude em descontos aplicados sobre benefícios previdenciários. A partir desse acordo, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS entre março de 2023 e abril de 2025, período que antecedeu a deflagração da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades no sistema, informa o jornal O Globo.

O envolvimento de Silas Câmara com a CBPA antecede a formalização do acordo. No início de 2021, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, o parlamentar acompanhou o presidente da confederação, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em reuniões com a cúpula do INSS. Em maio daquele ano, Silas participou da cerimônia que marcou a assinatura de um protocolo de intenções entre o instituto e a entidade, cujo objetivo era autorizar descontos de até 2,5% nos benefícios previdenciários de associados da CBPA, conforme registro no Diário Oficial.

Após o evento, o deputado celebrou publicamente a iniciativa. “O acordo de cooperação técnica com o INSS trará um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”, escreveu Silas Câmara, em publicação feita depois da cerimônia realizada na sede do INSS, ao lado de Abraão Lincoln.

O acordo foi efetivado em julho de 2022, mas os descontos começaram a ser aplicados apenas em março de 2023, já no governo Lula. Em poucos meses, a CBPA ampliou de forma acelerada sua base de associados com valores descontados diretamente dos benefícios. Entre junho e julho de 2023, o número de filiados passou de cerca de 35 mil para mais de 220 mil. Com isso, a arrecadação mensal da entidade saltou de aproximadamente R$ 30 mil para R$ 7,5 milhões, valor que chegou a R$ 9,5 milhões por mês no início de 2025.

Quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram a investigação, a CBPA contava com 442 mil associados com descontos ativos em seus benefícios previdenciários. Em auditoria realizada em 2024, a CGU entrevistou uma amostra de 32 beneficiários vinculados à entidade e nenhum deles afirmou ter autorizado os descontos. Segundo o órgão, a confederação não conseguiu esclarecer a situação de nenhum dos casos analisados.

As suspeitas levaram o caso à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, especialmente após o depoimento de Abraão Lincoln, prestado em novembro. Documentos encaminhados à CPMI indicam que, desde o fim de 2023, a CBPA firmou contratos com empresas ligadas a familiares de Silas Câmara, repassando a elas cerca de R$ 1,8 milhão.

O primeiro contrato foi firmado com a Network Multimídia, que recebeu R$ 30 mil para divulgar o evento “Grito da Pesca”, realizado em agosto de 2023, no qual o deputado atuou como uma espécie de embaixador. Na sequência, entre julho de 2024 e março de 2025, a CBPA transferiu R$ 1 milhão para a Network Filmes, empresa que tem como sócia Kethlen Brito, cunhada de Heber Câmara, filho do parlamentar. Heber se apresenta como CEO do chamado “Network Group”. A Network Multimídia, por sua vez, está registrada em nome de Maria Soraia Costa, sogra de Heber.

Ainda no ano passado, a confederação repassou R$ 30 mil à Rádio Morena FM, então dirigida por Elienai Câmara, outro filho do deputado. Houve também um contrato com a Conektah Estratégias Digitais, empresa que constou na prestação de contas da campanha de Silas Câmara em 2022. A CBPA pagou R$ 800 mil à empresa, sob a justificativa de veicular programas radiofônicos sobre a entidade no Amazonas.

Procurado pelo O Globo, Silas Câmara não se manifestou. Em ofício enviado à CPMI do INSS, a defesa do deputado afirmou que “não há qualquer base fática ou indício mínimo que permita cogitar” o uso das empresas para fins irregulares e sustentou que a “relação familiar (...) não implica, por si só, irregularidade”.

A CBPA também contratou para seu setor jurídico a advogada Milena Ramos Câmara, filha de Silas. Ela já atuou como coordenadora jurídica da bancada evangélica, presidida pelo deputado em 2019 e novamente em 2023.

As controvérsias ganharam novos contornos após declarações públicas da deputada federal Antonia Lucia (Republicanos-AC), ex-esposa de Silas Câmara, de quem se separou em 2024. Nas redes sociais, ela acusou o ex-marido de “gastar o dinheiro da farra dos pescadores por meios ilícitos” e mencionou sua atuação, em 2025, para manter entidades como a CBPA na intermediação do seguro-defeso, benefício pago pelo INSS nos períodos em que a pesca é proibida.

O próprio Silas expôs, também nas redes, sua articulação com Abraão Lincoln para alterar uma medida provisória do governo Lula que transferia às prefeituras a responsabilidade pelo cadastro do seguro-defeso. Em 2025, o Amazonas tinha cerca de 83 mil beneficiários do programa, muitos deles registrados pela CBPA e por associações vinculadas à confederação. “Somos contra abrir precedentes que fragilizam a atuação das entidades representativas”, disse o deputado na ocasião.

A CBPA não respondeu aos contatos feitos pelo O Globo.

Convocação de sócia de Flávio Bolsonaro entra na pauta da CMPI do INSS

“Suspeita-se de uma conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS)", diz o requerimento

      Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Um requerimento que deve ser protocolado nesta semana na Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CMPI) do INSS pretende convocar Letícia Caetano dos Reis para prestar esclarecimentos ao colegiado. Ela é sócia-administradora do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde a fundação da banca, em 2021, e o pedido tende a aumentar a pressão política sobre o parlamentar, que se apresenta como pré-candidato a presidente, relata Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com o conteúdo do requerimento, Letícia Caetano dos Reis é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Alexandre foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro no exterior, relacionada a fraudes contra aposentados. Ainda segundo o documento, o escritório de advocacia funciona no mesmo endereço da mansão adquirida por Flávio Bolsonaro há cerca de cinco anos, pelo valor de R$ 6 milhões.

O texto do requerimento também registra que Letícia afirmou, em entrevista, ter sido indicada para o cargo de administradora do escritório do senador pelo advogado Willer Tomaz. O criminalista é descrito como amigo próximo de Flávio Bolsonaro e já atuou na defesa de Alexandre Caetano dos Reis em alguns processos judiciais.

Ao justificar a convocação, o pedido encaminhado à CMPI sustenta a necessidade de aprofundar a apuração sobre possíveis vínculos entre o senador e o grupo investigado. O documento afirma literalmente: “Diante das evidências, suspeita-se de uma conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo de Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS), visto que seus sócios são irmãos”.

A expectativa é que o requerimento seja analisado pelos integrantes da comissão nos próximos dias, no contexto das investigações sobre irregularidades e fraudes envolvendo benefícios previdenciários e seus possíveis desdobramentos no âmbito político e empresarial.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Rubio e Mauro Vieira alinham agenda de encontro entre Lula e Trump nos EUA


Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone no fim da tarde de sexta-feira (31) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio (Partido Republicano). Segundo o uol, a ligação durou cerca de 20 minutos e teve como objetivo alinhar as prioridades para um novo encontro entre Lula (PT) e Donald Trump (Partido Republicano), previsto para março.

O contato ocorre depois de os dois presidentes terem falado por cerca de 50 minutos na segunda-feira anterior, quando acertaram a visita do mandatário brasileiro aos Estados Unidos. A avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem é que, desta vez, os dois querem chegar à Casa Branca com anúncios concretos.

Entre os pontos em discussão está a tentativa de encerrar de vez os efeitos do “tarifaço” e as sanções a autoridades brasileiras, que ainda teriam pendências. A ideia seria apresentar esses temas como superados e, ao mesmo tempo, lançar iniciativas novas de cooperação bilateral.

Um dos projetos citados é um plano de combate ao crime organizado, proposto por Lula (PT) em dezembro e visto como de interesse de Washington. A costura, segundo a apuração, busca dar conteúdo político e prático ao encontro, para além do gesto diplomático.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento em Brasília – Gabriela Biló/Reprodução
Para destravar outras agendas, Vieira também deve conversar na próxima semana com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA (USTR). A ele cabem as análises sobre tarifas que incidem hoje sobre cerca de 20% dos produtos exportados pelo Brasil ao mercado americano.

A visita é tratada como prioridade na política externa brasileira, em um ano de eleição presidencial no Brasil, marcada para outubro. O objetivo, conforme o texto, é manter uma relação funcional com o governo Trump (Partido Republicano) e reduzir riscos de tensão bilateral no período eleitoral.

A reportagem relembra que, em julho do ano passado, a gestão Trump iniciou uma ofensiva contra o Brasil com sanções e tarifas, justificadas por razões políticas. Entre elas, o processo criminal contra Jair Bolsonaro (PL), depois condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, e decisões do Supremo que atingiram publicações em redes sociais, classificadas pela Casa Branca como censura e prejuízo para big techs.

Diplomatas avaliam que a crise ficou perto de ser totalmente contornada, citando atuação de representantes oficiais e do setor empresarial, além de uma boa relação pessoal entre os presidentes. O texto aponta, porém, novos pontos de atrito, como o ataque americano à Venezuela que retirou Nicolás Maduro (PSUV) do poder e a resistência do Brasil em compor o Conselho da Paz recém-lançado por Trump (Partido Republicano).

Fonte: DCM com informações do UOL

sábado, 31 de janeiro de 2026

Com medo de Tebet o pleito pelo Senado em SP, Nunes choraminga: “manobra espúria do Lula


      Simone Tebet (MDB) e Ricardo Nunes durante campanha em 2022. Foto: Divulgação/MDB

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, líder do MDB no estado, comentou sobre a decisão da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, de deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. A movimentação ocorre em meio à preparação do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026.

Em entrevista à CNN Brasil, Nunes afirmou que Tebet é “grande demais para se deixar ser usada em uma manobra espúria do Lula”. O prefeito destacou a importância da ministra no cenário político nacional e reforçou sua posição crítica à aproximação com o PT.

Simone Tebet, natural de Mato Grosso do Sul, anunciou que pretende deixar o ministério em março para concorrer ao Senado. Embora ainda não tenha definido oficialmente por qual estado disputará, aliados do PT indicam que a tendência é que ela se candidate por São Paulo.

Líder da sigla em São Paulo, Nunes acredita que Tebet permanecerá no MDB, partido pelo qual construiu sua carreira política. Ele também ressaltou que espera que a ministra respeite os compromissos do partido no estado, em especial com o governo do governador Tarcísio de Freitas.

O posicionamento do emedebista reforça a disputa interna sobre alianças e apoios no cenário eleitoral paulista. A entrada de Tebet no Senado é vista como estratégica para o fortalecimento do palanque do presidente Lula, mas provoca cautela entre lideranças do MDB.

Até o momento, Simone Tebet não se manifestou publicamente sobre a declaração de Ricardo Nunes. A ausência de resposta mantém aberta a especulação sobre os próximos passos da ministra e o impacto de sua candidatura.

Analistas políticos observam que a decisão de Tebet pode alterar o equilíbrio de forças em São Paulo, influenciando negociações partidárias e a construção de alianças para as eleições de outubro. O MDB paulista monitora a situação de perto para evitar divisões internas.

Enquanto isso, os preparativos para as eleições de 2026 avançam, com definições sobre candidaturas ainda em discussão. O cenário político no estado permanece dinâmico, e a posição de Tebet poderá ser decisiva para o alinhamento de forças entre MDB e PT.

Fonte: DCM

“Nunca vi”: Jovem citado na investigação do caso Orelha é retirado do caso


     O cão “Orelha”. Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina retirou um adolescente da investigação sobre a morte do cão Orelha em Florianópolis após concluir que ele não participou do crime. A decisão foi confirmada no fim de janeiro durante o andamento do inquérito que apura o caso ocorrido na Praia Brava. As informações foram dadas pela família do menor ao programa Balanço Geral Florianópolis.

O adolescente havia sido citado como suspeito dias após a morte do animal, registrada em 15 de janeiro. Segundo a polícia, a apuração comprovou que o jovem não estava com o grupo envolvido na agressão ao cachorro no momento do crime.

A morte do cão Orelha teve repercussão nacional e gerou comoção em todo o país. O animal, conhecido na região, foi agredido a pauladas por três adolescentes e não resistiu aos ferimentos. O caso motivou protestos e mobilizou moradores e defensores da causa animal.

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou que o adolescente inicialmente citado estava em outro local no momento da agressão. A presença dele com um grupo diferente de jovens foi confirmada, o que levou ao descarte de sua participação no crime. A informação foi divulgada pelo Delegado-Geral da corporação, Ulisses Gabriel.

A família do adolescente falou pela primeira vez após a exclusão do nome do jovem do inquérito. Em entrevista exclusiva ao Balanço Geral Florianópolis, os pais relataram surpresa ao tomarem conhecimento da citação do filho como suspeito dias depois da morte do cão.


O pai contou que soube da acusação na manhã de 20 de janeiro e procurou o adolescente imediatamente. Segundo ele, o filho negou qualquer envolvimento e afirmou que nunca havia tido contato com o animal. A família mora há quatro anos na região da Praia Brava.

A mãe relatou os impactos emocionais causados pela exposição do caso. Ela afirmou que precisou buscar atendimento psicológico após a divulgação do nome do filho e demonstrou preocupação com as consequências futuras para a saúde emocional do adolescente.

Em coletiva de imprensa, a Polícia Civil reforçou que não divulga nomes de adolescentes envolvidos no caso, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A legislação proíbe a identificação de menores em procedimentos policiais e prevê sanções para quem descumprir a norma.

Fonte: DCM com informações do Balanço Geral Florianópolis

VÍDEO: PM atira em médico após ser chamado de “corno” em barco


Um policial militar de folga atirou na perna de um médico durante uma discussão em uma travessia de barco

Um policial militar de folga atirou na perna de um médico durante uma discussão em uma travessia de barco entre São José do Norte e Rio Grande, na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. O episódio ocorreu na quarta-feira (28) e foi registrado em vídeo pelo próprio médico, que mostra a escalada da briga verbal antes do disparo. Segundo o relato, o médico teria avançado contra o policial e o xingado, chamando-o de “corno”.

As imagens mostram o médico provocando o PM e desafiando-o a usar a arma, enquanto a esposa do policial tenta intervir e questiona a conduta do médico, mencionando um possível tapa desferido contra o militar. Durante a discussão, o policial ordena que o médico se afaste, mas as ofensas continuam, com xingamentos e ameaças verbais. Em determinado momento, o médico avança novamente em direção ao policial.

Após a aproximação, o policial reage e dispara contra a perna do médico, que foi socorrido e encaminhado a um hospital. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, e a Brigada Militar instaurou um procedimento interno para apurar a conduta do policial envolvido na ocorrência.

Fonte: DCM

PM de folga mata a tiros ex-companheira e um homem no interior do PR


      Destacamento da Polícia Militar, em Terra Boa (PR). Foto: Divulgação/ PM-PR

Na madrugada deste sábado (31), um policial militar matou a ex-companheira e um homem que a acompanhava em Terra Boa, no noroeste do Paraná. O crime ocorreu enquanto o agente estava de folga e foi cometido com uma arma da corporação.

Após os disparos, o autor deixou o local e se apresentou espontaneamente no destacamento da Polícia Militar do município paranaense. Ele entregou a pistola utilizada e foi preso em seguida, sendo encaminhado para a 21ª Subdivisão Policial de Cianorte.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR), o policial era lotado em Cianorte e se deslocou até a residência da ex-mulher. No local, atirou contra as duas vítimas, que morreram antes da chegada de socorro. As identidades ainda não foram divulgadas oficialmente.

O caso é investigado como feminicídio e homicídio. Além do processo criminal, a SESP-PR informou que serão adotadas medidas administrativas e disciplinares cabíveis em relação à conduta do servidor.

Fonte: DCM

TV por assinatura perde 1,6 milhão de clientes em 2025 e atinge menor nível desde 2009

Dados da Anatel mostram queda de 17,7% em um ano; avanço do streaming amplia mudança no consumo e pressiona o mercado de mídia

      TV por assinatura mais barata no Brasil (Foto: Tom Davison/Shutterstock)

O mercado brasileiro de TV por assinatura encerrou 2025 com 7,6 milhões de pontos ativos, após perder 1,6 milhão de clientes ao longo do ano. A retração representa uma queda de 17,7% em relação a 2024 e leva o setor ao menor patamar desde 2009, quando havia 7,5 milhões de acessos.

Os números foram divulgados pelo Poder360, com base em dados oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) referentes ao fechamento do ano. O recuo reforça uma tendência prolongada: na comparação com 2014, quando o segmento somava 19,6 milhões de pontos ativos, a base atual representa uma redução de 61,1%.

☉ Queda estrutural e fim de um ciclo

A perda acelerada de clientes em 2025 não aparece como um evento isolado, mas como a continuação de um processo de esvaziamento que se intensificou na última década. A TV por assinatura, que já foi sinônimo de variedade de canais e acesso a conteúdos exclusivos, passou a competir com um ecossistema digital cada vez mais presente no cotidiano e na tela dos brasileiros.

O dado central do ano — "perdeu 1,6 milhão de clientes em 2025" — evidencia o tamanho do desafio. Em termos práticos, significa menos assinaturas renovadas, mais cancelamentos e um mercado que precisa se reposicionar diante de mudanças tecnológicas e de hábitos de consumo, além de pressões econômicas que tornam o corte de gastos recorrente nos lares.

☉ Mudança no consumo e avanço do streaming

A redução da TV paga ocorre em paralelo ao crescimento das plataformas de vídeo on-line. Segundo dados da Kantar Ibope citados no levantamento, em dezembro de 2025 as plataformas digitais chegaram a 37,2% de participação na audiência no país, o maior nível da série histórica considerada.

No mesmo recorte, a TV aberta manteve 55,8% da participação na audiência total, enquanto a televisão paga ficou com 6,9% dos aparelhos sintonizados. A medição, de acordo com o material, considera todos os dispositivos, o que ajuda a explicar por que o consumo migra de forma mais visível para plataformas e aplicativos.

Entre as plataformas, o YouTube liderou a audiência com 21,6%, seguido por Netflix (5,6%) e TikTok (5,0%). O resultado consolida a percepção de que o “horário nobre” se fragmentou: parte relevante do público deixou de depender de grades lineares e passou a consumir vídeo sob demanda, em múltiplas telas, com preferência por conteúdos curtos, recomendações algorítmicas e catálogos extensos.

Nesse contexto, a cifra de 37,2% ganha valor simbólico por traduzir um ponto de inflexão: "as plataformas de vídeo on-line tiveram 37,2% da participação na audiência do país", segundo o levantamento. Para a TV por assinatura, isso significa competir não apenas com um “novo canal”, mas com um modelo de consumo completamente diferente.

☉ Impacto no mercado de mídia e no jornalismo

A perda de assinantes também atinge o ecossistema de mídia, já que a TV por assinatura segue sendo uma via relevante de distribuição para canais especializados — especialmente no jornalismo, onde há ao menos oito canais de notícias que operam nesse formato.

Com uma base menor, esses canais passam a depender ainda mais de outras frentes de distribuição e monetização, em um cenário de disputa intensa por atenção. A lógica é direta: menos assinantes significa menor alcance potencial no cabo e, em muitos casos, menor atratividade comercial para determinados formatos, o que pode pressionar receitas e estratégias de programação.

O próprio Poder360 registrou, em fevereiro de 2025, que os cinco principais canais de notícia do Brasil tiveram ao longo de 2024 uma audiência média de 111.792 espectadores nas 24 horas do dia — um patamar que tende a ser ainda mais pressionado se a TV paga continuar encolhendo ano após ano, como mostram os dados recentes.

☉ Concentração do setor e domínio de poucas operadoras

Apesar da queda, a estrutura do mercado permanece altamente concentrada. Segundo os dados apresentados, 95,7% das operações de TV por assinatura no Brasil estão nas mãos de cinco empresas, o que indica um setor com poucos grandes grupos sustentando quase toda a base remanescente.

A liderança é da Claro, com 4.092.391 acessos (53,7%). Em seguida aparece a Sky, com 2.116.031 acessos (27,8%). A Vivo ocupa o terceiro lugar, com 733.292 acessos (9,6%). A Mileto — citada como empresa que comprou parte da Oi — soma 320.848 acessos (4,2%). A Telemidia completa a lista com 33.865 acessos (0,4%).

Esse desenho reforça dois movimentos simultâneos: de um lado, a migração de consumidores para alternativas digitais; de outro, a consolidação de um mercado “menor”, porém mais dependente de poucas operadoras para manter escala e operação.

☉ O que o novo mapa da audiência sinaliza

A fotografia de dezembro de 2025 apresentada pela Kantar Ibope sugere que o centro da disputa passou a ser a atenção — e não apenas a infraestrutura. A TV aberta ainda concentra a maior fatia, mas as plataformas digitais ampliam presença e capturam tempo de tela com velocidade.

Para a TV por assinatura, o desafio não se resume a “perder clientes”, mas a responder a mudanças profundas: o público quer flexibilidade, personalização e oferta de conteúdo sem barreiras de grade. Ao mesmo tempo, parte do mercado tradicional ainda carrega custos e modelos comerciais desenhados para uma realidade anterior, quando o cabo era o principal atalho para variedade e segmentação.

☉ Perspectivas para 2026

Com o setor no menor nível desde 2009 e distante do pico registrado em 2014, os dados apontam para um 2026 de reajustes e tentativas de adaptação. Em um cenário de streaming consolidado e consumo multiplataforma, a TV por assinatura tende a buscar estratégias de retenção e diferenciação, seja por pacotes mais enxutos, integração com aplicativos e plataformas, ou reposicionamento em nichos que ainda valorizam canais lineares.

Os números de 2025, porém, deixam claro que a transformação já aconteceu na prática: enquanto a TV paga recua para 7,6 milhões de pontos ativos, as plataformas digitais ocupam uma fatia histórica da audiência. O resultado é um mercado de vídeo que muda de forma acelerada — e que redefine, junto com a tecnologia, a distribuição de conteúdo, a economia da mídia e o modo como o público se informa e se entretém.

Fonte: Brasil 247 com informações divulgadas pelo Poder360

Lula avalia Simone Tebet para o governo de SP, aponta Vera Magalhães

Presidente dos Estados Unidos não é citado; articulação envolve ministério e estratégia eleitoral em 2026

Lula avalia Simone Tebet para o governo de SP, aponta Vera Magalhães (Foto: Washignton Costa/MPO)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a ministra do Planejamento, Simone Tebet, um dos nomes mais fortes do campo governista para a disputa pelo governo de São Paulo em 2026. A avaliação foi apresentada pela jornalista Vera Magalhães ao analisar os bastidores das articulações eleitorais envolvendo o Palácio do Planalto e a definição das candidaturas no maior colégio eleitoral do país.

Segundo Vera Magalhães, Lula tem destacado a capacidade de enfrentamento público da ministra. O presidente teria dito a auxiliares que Simone Tebet é “muito boa de debate”, recordando os embates diretos entre os dois durante a campanha presidencial de 2022. A leitura no entorno do Planalto é que esse perfil poderia ser decisivo em uma eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, em um confronto direto com o atual governador, Tarcísio de Freitas.

A jornalista relatou que a própria Simone Tebet confirmou ter tratado do tema com Lula e reconheceu que diferentes cenários estão em análise, sem qualquer decisão tomada até o momento. Hoje, a ministra tem domicílio eleitoral no Mato Grosso do Sul, o que exigiria uma mudança formal caso venha a disputar um cargo por São Paulo.

Entre as possibilidades avaliadas estão uma candidatura ao Senado paulista ou a composição de uma chapa ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também cotada para deixar o governo e concorrer. No entanto, conforme apurou Vera Magalhães, cresce a hipótese de Simone Tebet assumir a cabeça de chapa ao governo estadual, sobretudo diante da resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em disputar novamente uma eleição majoritária em São Paulo.

A estratégia paulista é tratada como central para o projeto de reeleição de Lula. A diretriz do presidente, segundo a análise apresentada, é colocar ministros em campo para defender o governo federal e estabelecer um contraponto político claro nos estados considerados estratégicos. Mesmo em cenários adversos, a orientação é manter candidaturas competitivas e reduzir a margem de derrota.

No campo partidário, a eventual candidatura de Simone Tebet em São Paulo exigiria uma mudança de legenda. Interlocutores do MDB avaliam que não há espaço para uma candidatura alinhada a Lula no estado, onde o partido gravita em torno do prefeito da capital, Ricardo Nunes. Nesse contexto, a migração para o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, é vista como um caminho possível.

Fonte: Brasil 247