quarta-feira, 3 de junho de 2026

Tarcísio defende autonomia da Polícia Civil após operação sobre filme de Bolsonaro

Governador afirma que não interfere em investigações

          Tarcísio de Freitas (Foto: Paulo Guereta/Governo Estado SP)

 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (2) que a Polícia Civil paulista tem autonomia para conduzir investigações e operações, ao comentar a ação que mirou endereços ligados à produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), e uma secretaria da Prefeitura de São Paulo.

As declarações foram dadas um dia depois de críticas do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo informações da Folha de S. Paulo. A operação, batizada de Wi-Fi, apura suspeitas de superfaturamento e desvio em um contrato de R$ 108 milhões firmado em 2024 entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet gratuita na capital paulista.

◉ “A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere”
Em Rio Claro, no interior paulista, Tarcísio buscou se distanciar das críticas feitas à ação policial e defendeu o caráter institucional da Polícia Civil.

"A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere", disse o governador.

Segundo Tarcísio, a investigação estava em andamento e a corporação apenas cumpriu uma demanda do Ministério Público.

"A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda", afirmou.

O governador reforçou que a Polícia Civil não deve ser tratada como instrumento político do governo estadual.

"Portanto, tivemos a operação. E sempre vai ser assim: a polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado", declarou.

◉ Críticas de Nunes e Flávio Bolsonaro
A manifestação de Tarcísio ocorreu após Ricardo Nunes classificar a operação como possível "perseguição política". O prefeito afirmou não ver sentido em uma ação dentro da prefeitura, argumentando que, segundo ele, o material levado pela polícia era público e já estava disponível.

A Polícia Civil, porém, sustentou ao Judiciário que havia enviado ofícios solicitando informações e que eles não foram respondidos, justificando assim o pedido de autorização para a operação.

Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato do PL à Presidência, também criticou a ação. Ele sugeriu que a operação poderia fazer parte de uma "perseguição estatal" conduzida por setores interessados em "influenciar as eleições" e colocou em dúvida a atuação de "parte" da Polícia Civil.

Segundo a Folha, auxiliares de Nunes e aliados de Tarcísio se queixaram do que avaliaram como falta de controle sobre a Polícia Civil. Bolsonaristas também telefonaram ao governador para reclamar da operação.

◉ Operação mira produtora de Dark Horse e contrato de R$ 108 milhões
A Operação Wi-Fi cumpriu oito mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

A ação também atingiu empresas associadas ao Instituto Conhecer Brasil, organização social presidida por Karina. O inquérito investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos no contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura em 2024 para a implantação de pontos de wi-fi gratuito em São Paulo.

A apuração busca verificar se parte dos recursos públicos destinados ao projeto foi direcionada para a produção do longa-metragem sobre Bolsonaro.

◉ Intercept revelou negociações com Daniel Vorcaro
O caso ganhou força após o site The Intercept Brasil publicar áudios e mensagens que mostram Flávio Bolsonaro negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento da produção de Dark Horse.

Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro foi usada para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro nega que exista qualquer irregularidade no pedido de ajuda ao ex-banqueiro. Eduardo Bolsonaro também nega ter tido acesso aos recursos.

◉ Pressão política sobre Tarcísio
A reação de Tarcísio indica uma tentativa de preservar a imagem institucional da Polícia Civil em meio à pressão de aliados bolsonaristas e do prefeito da capital. Ao defender a autonomia da corporação, o governador procurou afastar a ideia de interferência política direta sobre a investigação.

O episódio ocorre em um ambiente de alta tensão política, envolvendo a Prefeitura de São Paulo, aliados de Jair Bolsonaro, a produção de um filme sobre o ex-presidente e suspeitas de desvio de recursos públicos em um contrato milionário.

A fala de Tarcísio também expõe um desconforto dentro do próprio campo conservador, já que a operação atingiu interesses próximos ao bolsonarismo e provocou reações públicas de Nunes e Flávio Bolsonaro.

Mesmo diante das críticas, o governador afirmou que a Polícia Civil continuará atuando com autonomia em investigações de Estado.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário