O Pix aparece 20 vezes no relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que propõe a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O documento conclui uma investigação aberta em julho de 2025 e classifica determinadas práticas comerciais do Brasil como “irracionais ou discriminatórias”.
Em um relatório de 107 páginas, o USTR dedica 16 páginas a ataques ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Segundo o órgão, o principal problema seria o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador do setor e operador do Pix, o que criaria um conflito de interesses e vantagens para o sistema brasileiro.
O documento afirma que regras adotadas pelo Brasil favoreceriam o Pix em relação a empresas privadas estrangeiras. Entre os exemplos citados estão a obrigatoriedade de adesão ao sistema por instituições financeiras com mais de 500 mil contas, a exigência de destaque ao meio de pagamento nos aplicativos bancários e a gratuidade para pessoas físicas.
“É injusto exigir que concorrentes concedam vantagens ao Pix, como maior visibilidade, disponibilidade e limites de tarifas, enquanto esses benefícios são oferecidos apenas ao sistema brasileiro, discriminando empresas americanas”, afirma o relatório.
O USTR também alega que o Banco Central limita tarifas cobradas de empresas e reduz o espaço para modelos privados de negócio. Segundo o órgão, o tratamento dado ao Pix obrigaria concorrentes estrangeiros a promover, sem compensação, um sistema controlado pelo governo brasileiro, elevando custos e restringindo estratégias comerciais.

Apesar dos ataques, o próprio relatório reconhece que o Pix ampliou o acesso da população aos serviços financeiros e aos pagamentos digitais. Desde seu lançamento, em 2020, o sistema conquistou espaço em um mercado antes dominado por cartões de crédito e débito, afetando empresas como Visa, Mastercard, Google Pay e Apple Pay.
Dados do Banco Central mostram que o Pix respondeu por 54,7% das transações realizadas no segundo semestre de 2025, com 42,9 bilhões de operações. No mesmo período, cartões de crédito, débito e pré-pagos representaram 30,4% do total, somando 23,8 bilhões de transações.
O governo Lula tem contestado as acusações e argumenta que o Pix foi decisivo para a inclusão financeira de milhões de pessoas. Em audiência no Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o crescimento da ferramenta também impulsionou outros meios de pagamento.
“Muitas pessoas imaginam que existe rivalidade entre Pix e cartão de crédito, mas o que observamos é o contrário. O cartão cresceu junto com a bancarização promovida pelo Pix”, explicou.
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda também tem defendido o sistema como uma inovação brasileira com potencial de servir de modelo para moedas digitais em outros países.
Fonte: DCM
Nenhum comentário:
Postar um comentário