O gabinete do deputado federal Mário Frias (PL-SP) destinou ao menos R$ 154 mil da cota parlamentar à Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa citada na investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de irregularidades em contratos entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo.
O ICB é presidido por Karina Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na segunda-feira (1º), a Polícia Civil deflagrou uma operação para investigar o contrato da entidade com a gestão Ricardo Nunes (MDB).
Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados mostram que a Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Antes disso, entre abril de 2023 e agosto de 2024, a GTrend recebeu R$ 115,6 mil do mesmo gabinete.
A GTrend pertence a Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama. Segundo apuração da GloboNews, ele afirmou acreditar que sua empresa foi contratada em razão da ligação familiar com a empresária. Wemerson disse ainda que executou parte dos serviços, mas que muitas propostas apresentadas ao gabinete eram recusadas.
A troca de empresas ocorreu logo após o fim do relacionamento entre Wemerson e Karina. Os pagamentos à Complexsys foram feitos com recursos da cota parlamentar de Frias para serviços descritos como “CRM Político”, sistema usado para gestão de relacionamento com eleitores, organização de demandas e acompanhamento de atividades do mandato.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que notas fiscais emitidas pela GTrend e pela Complexsys ao gabinete de Frias tinham descrições idênticas para os serviços prestados, apesar de terem sido emitidas por empresas diferentes e em períodos distintos. O g1 procurou Mário Frias, Karina Gama, o ICB e a Complexsys, mas não obteve retorno até a última atualização.

Um dos focos da investigação da Polícia Civil é a relação entre o Instituto Conhecer Brasil e a Complexsys, contratada pela ONG para prestar serviços à Prefeitura de São Paulo. A empresa pertence ao empresário André Feldman, que aparece em fotografias publicadas nas redes sociais ao lado de Karina.
Entre os documentos analisados está uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys em novembro de 2025 por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. Registros da Prefeitura indicam que a nota foi cancelada no sistema oficial no mesmo dia da emissão, em 6 de novembro de 2025. Mesmo assim, o documento foi incluído pelo ICB na prestação de contas entregue à prefeitura em fevereiro deste ano.
Em maio, a Complexsys afirmou que acompanha “com serenidade” a investigação e que atua como “mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil”. A empresa disse ainda que não há conclusões definitivas que justifiquem responsabilização. “A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”, informou.
A Polícia Civil investiga suspeitas de irregularidades no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB para instalação de wi-fi gratuito em comunidades. Segundo o inquérito, há indícios de direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica, pagamentos por serviços não executados e possível sobrepreço.
Fonte: DCM
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