segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Preços de alimentos disparam na Venezuela após sequestro de Maduro pelos EUA


Clientes fazem compra de verduras, legumes e frutas em mercado de Caracas. Foto: Ding Hongfa/Xinhua

A Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, enfrenta um cenário de incertezas e aumento dos preços de alimentos e itens essenciais. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou um projeto de lei para “proteger os direitos socioeconômicos dos cidadãos” e tentar controlar a inflação especulativa.

“Está tudo caríssimo. Não tenho como comprar alimentos com este benefício que ganho. Estou pedindo ajuda a amigos (para conseguir comida). Dias antes do que aconteceu, a caixa grande de ovos custava US$ 6. Agora está em US$ 8 (o equivalente a R$ 42). Não dá. O que já era caro, ficou ainda mais”, reclamou uma professora de dança de 65 anos.

Com o dólar variando em diferentes cotações, a economia da Venezuela segue instável. O salário mínimo, que antes equivalia a US$ 3, agora foi reduzido a cerca de US$ 0,42. A alta especulativa tem gerado descontrole nos preços, como apontado por um mototaxista de 47 anos que luta para ganhar o suficiente para sustentar sua família: “Preciso fazer pelo menos o equivalente a US$ 50 por dia ou não consigo levar comida para casa”.

A ameaça de uma nova hiperinflação, como a vivida entre 2016 e 2021, tem preocupado a população, com o bolívar perdendo valor. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, se não houver uma ação imediata, o país pode retornar à hiperinflação, já que a moeda tem sofrendo uma desvalorização de 1,5% diariamente.

Eles explicam que a escassez de dólares no mercado e a desvalorização da moeda nacional são as principais causas da instabilidade monetária. A população, ciente dessa fragilidade, tem se preparado para possíveis dificuldades, investindo em bens duráveis como alimentos.

Feira popular de rua em Caracas. Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
O medo da escassez, que marcou a história recente da Venezuela, também voltou a crescer. Muitos venezuelanos lembram da grave falta de produtos entre 2013 e 2019. Embora o governo tenha garantido que as reservas de alimentos são suficientes para 111 dias, o aumento dos preços e a falta de controle nos mercados estão gerando insegurança.

“Semana passada comprei um quilo de Harina Pan por U$ 1,10. Ontem foi U$ 1,45. Não sei onde vamos parar”, relatou uma diarista.

A flexibilidade na importação de alimentos durante a gestão de Maduro, a fim de suprir a escassez, é vista como uma medida necessária, mas o comércio interno continua marcado por preços elevados e descontrole. A grande desvalorização do bolívar e a flutuação do dólar dificultam a negociação e o controle dos preços. Comerciantes, muitas vezes, aguardam que os atacadistas definam os valores antes de repassá-los para os consumidores.

Algumas pessoas que vivem em Caracas afirmam que “comerciantes estão abusando” dos preços e que precisam ir a outras cidades comprar comida.

Fonte: DCM

Nenhum comentário:

Postar um comentário