segunda-feira, 11 de maio de 2026

Vereadores bolsonaristas provocam estudantes e causam pancadaria em protesto


Vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) discute com estudantes em manifestação. Foto: João Lucas Casanova/Poder360

Os vereadores bolsonaristas do União Brasil Adrilles Jorge e Rubinho Nunes, um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), invadiram um protesto de estudantes de universidades públicas de São Paulo nesta segunda (11), no centro da capital, e causaram briga. Alunos da USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estavam em frente ao prédio onde ocorreria uma reunião dos reitores das instituições.

Os dois chegaram ao protesto e, em seguida, começaram os confrontos. Rubinho disse ter sido agredido por estudantes e que sofreu fraturas no nariz. Ele negou ter iniciado a provocação, alegando ter sido agredido sem motivo, com chutes, socos, canos e até um cone.

Vereador Rubinho Nunes (União) é afastado após provocar manifestantes. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A polícia interviu e utilizou gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Como resultado, a reunião do Conselho de Reitores (Cruesp) foi cancelada. Após a intervenção, os estudantes começaram a marchar rumo à Avenida São Luís.

Vídeo divulgado pelo site Poder360 mostra Adrilles e o influenciador Robson Fuinha discutindo com os manifestantes antes da confusão. “Eu que pago a universidade de vocês”, disse o vereador após gritos de “vai trabalhar” dos estudantes.

Em outro vídeo, é possível ver o influenciador sendo atingido por algo líquido e partindo para cima dos manifestantes. Em outro momento, Rubinho leva um empurrão e começa a chutar um estudante. Veja:


O protesto é parte do aumento da mobilização estudantil nas universidades paulistas, que começou na USP e se espalhou para Unicamp e Unesp, em uma greve por mais investimentos nas instituições de ensino.

Na USP, a greve dos estudantes começou em 14 de abril e teve apoio dos servidores, que também estavam em greve contra a gratificação mensal de R$ 4.500 destinada aos docentes, sem contrapartida para outras categorias.

Embora os servidores tenham encerrado sua paralisação após acordo com a reitoria, os alunos mantiveram suas mobilizações. A greve também se intensificou devido à falta de condições adequadas para a permanência estudantil.

O movimento dos alunos exige melhorias nas bolsas integrais do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), que atualmente é de R$ 885, pedindo um aumento para cerca de R$ 1.804, o valor do salário mínimo paulista.

A reitoria das universidades propôs reajustar os auxílios pelo índice IPC-Fipe, com o auxílio integral subindo para R$ 912 e o auxílio parcial para R$ 340, o que ainda é abaixo das expectativas dos estudantes. O programa atende cerca de 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que está investigando possíveis excessos durante as operações da Polícia Militar, como a que ocorreu no domingo (11), quando a PM retirou 150 alunos que ocupavam a reitoria da USP. A operação foi criticada por muitos, especialmente pela falta de aviso prévio à USP.

O orçamento de 2026 para a assistência estudantil, que inclui bolsas, moradia, alimentação e saúde, está previsto em R$ 461 milhões. No entanto, a crescente pressão dos estudantes sugere que ainda há um longo caminho a percorrer para atender às demandas de uma educação pública de qualidade no Estado.

Fonte: DCM


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