Iván Cepeda, do governista Pacto Histórico, faz campanha em Barranquilla, na Colômbia: primeiro nas pesquisas — Foto: Vanessa ROMERO/AFP
A campanha para o primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, cuja votação será realizada neste domingo (31), foi marcada por violência e polarização, intensificadas pela morte do senador Miguel Uribe Turbay em agosto de 2025. O atentado ampliou a tensão no processo eleitoral, dividido entre a política de “paz total” de Gustavo Petro e propostas de linha-dura defendidas por setores da direita. As informações são da Folha.
Iván Cepeda, do governista Pacto Histórico, lidera as pesquisas e defende a continuidade da política de Petro. Segundo especialistas, ele enfrenta o desafio de conquistar eleitores de centro e indecisos, enquanto a direita precisa unificar a oposição para ampliar suas chances. “O assassinato de Miguel Uribe despertou uma memória histórica de campanhas passadas”, afirmou Katherin Galindo Ortiz, cientista política colombiana.
Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, promove uma agenda de endurecimento contra o crime e grupos armados, com ampliação da presença militar e construção de megaprisões. A campanha do candidato de extrema direita também foi marcada por ataques a membros de sua equipe, o que o levou a discursar atrás de vidros blindados e usando colete à prova de balas.

A desinformação também tem impactado o pleito, com conteúdos falsos circulando nas redes sociais. Relatos associam Cepeda a narcotraficantes e guerrilheiros, enquanto Espriella cresce entre votos conservadores. Apesar da aprovação relativamente alta de Petro, 45,8%, ela não é majoritária, mostrando que a base eleitoral de Cepeda não garante vitória no primeiro turno.
O histórico político de Cepeda é apontado como um trunfo. Defensor dos direitos humanos, ex-deputado e senador, ganhou notoriedade nacional ao investigar supostos vínculos de aliados do ex-presidente Álvaro Uribe com grupos paramilitares. Em 2020, a Suprema Corte da Colômbia identificou indícios de tentativa de influência sobre testemunhas por parte de Uribe, que chegou a cumprir prisão domiciliar.
Jovens eleitores e o voto de eleitores indecisos aparecem como decisivos para o resultado. “A chave será o voto que hoje não está nem com Cepeda nem com Espriella”, explicou Jenny Paola Lis-Gutiérrez, economista e pesquisadora. A fragmentação do eleitorado da direita e a mobilização de jovens entre 18 e 21 anos podem influenciar significativamente os resultados do primeiro turno.
Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo
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