domingo, 17 de maio de 2026

Lula amplia agenda econômica, reage nas pesquisas e vê oposição sob pressão

Presidente aposta em medidas populares, melhora ambiente político após viagem aos EUA e acompanha desgaste de adversários ligados ao caso Banco Master

15.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD) do Hospital de Amor, Barretos - SP. (Foto: Wallison Breno/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou sua movimentação política e econômica nas últimas semanas em meio à corrida pela reeleição em 2026. Após um período marcado por embates institucionais e dificuldades políticas no Congresso, o petista passou a apostar em ações de forte apelo popular, enquanto aliados avaliam que o cenário eleitoral voltou a apresentar sinais mais favoráveis ao Palácio do Planalto.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Lula adotou uma estratégia voltada para recuperar espaço nas pesquisas e melhorar a percepção do governo junto ao eleitorado. Entre as iniciativas anunciadas estão a revogação da chamada “taxa das blusinhas” e a criação de uma subvenção para conter a alta no preço da gasolina, além da repercussão positiva da visita do presidente brasileiro aos Estados Unidos, onde se reuniu com Donald Trump, atual presidente norte-americano.

Os movimentos ocorreram após levantamentos eleitorais apontarem crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lançou pré-candidatura à Presidência no fim de 2025. Integrantes do entorno presidencial afirmam que Lula passou a cobrar mais eficiência da comunicação do governo, defendendo que ações econômicas precisam chegar com mais clareza à população.

☉ Governo aposta em medidas populares
Uma das decisões mais simbólicas foi a revogação do imposto sobre pequenas compras internacionais, apelidado de “taxa das blusinhas”. A medida havia provocado desgaste entre consumidores que utilizam plataformas estrangeiras de comércio eletrônico e vinha sendo alvo constante de críticas nas redes sociais.

A suspensão da cobrança foi anunciada na última terça-feira (12) e representou uma vitória da ala política do governo. Integrantes da equipe econômica resistiam à mudança, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também já comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

No dia seguinte, o governo federal anunciou um novo pacote para conter a alta dos combustíveis. A proposta prevê uma subvenção de até R$ 0,89 por litro da gasolina para evitar reajustes mais severos ao consumidor. O impacto fiscal estimado pode chegar a R$ 2,4 bilhões.

☉ Guerra no Oriente Médio pressiona combustíveis
A alta internacional do petróleo tem sido impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, fator que aumentou a pressão sobre os preços internos dos combustíveis. Diante desse cenário, o governo decidiu agir para evitar novos desgastes inflacionários e proteger o poder de compra da população.

Aliados do presidente afirmam que Lula considera a pauta econômica decisiva para a disputa eleitoral de 2026. Nos bastidores, integrantes do governo defendem que benefícios percebidos diretamente pela população podem ter peso importante na recuperação da popularidade presidencial.

A avaliação positiva dentro do Palácio do Planalto também foi reforçada após a viagem oficial aos Estados Unidos, realizada em 7 de maio. Lula esteve na Casa Branca e se reuniu com Donald Trump. O encontro foi tratado por auxiliares do presidente brasileiro como um sucesso diplomático e político.

☉ Viagem aos EUA anima entorno de Lula
Segundo relatos de aliados ouvidos pela Folha, Lula retornou ao Brasil satisfeito com a repercussão da agenda internacional. A avaliação no entorno do presidente é de que a boa recepção recebida por Trump enfraqueceu tentativas da oposição de monopolizar a relação política com o líder norte-americano.

O gesto foi interpretado dentro do governo como um fator de isolamento político para setores bolsonaristas, especialmente diante da tentativa de aproximação histórica entre aliados de Jair Bolsonaro e o atual presidente dos Estados Unidos.

Além do cenário internacional, o governo também passou a acompanhar os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, que atingiu nomes ligados ao campo político adversário.

☉ Caso Master pressiona adversários
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, foi alvo de operação da Polícia Federal no último dia 7. A ação reforçou o discurso de setores governistas de que adversários políticos estariam associados ao escândalo envolvendo o banco.

Dias depois, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, projeto voltado à trajetória política de Jair Bolsonaro.

Também veio à tona uma mensagem atribuída ao senador. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu Flávio Bolsonaro em conversa divulgada pelo portal.

O senador afirma que não houve qualquer irregularidade e sustenta que buscava apenas patrocínio privado para o longa-metragem sobre o ex-presidente.

☉ Governo monitora pesquisas eleitorais
Enquanto a oposição enfrenta desgaste, o governo comemorou os números divulgados pela pesquisa Quaest na última quarta-feira (13). O levantamento apontou redução na diferença entre avaliações negativas e positivas da gestão Lula, passando de 11 para 5 pontos.

Entre aliados do presidente, há a interpretação de que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro, começou a produzir efeitos mais perceptíveis entre os eleitores nos últimos meses.

Já o Datafolha mostrou estabilidade na avaliação geral do governo. Segundo o instituto, 39% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto 30% avaliam o governo como bom ou ótimo. Outros 29% classificam a administração federal como regular.

Mesmo sem apresentar uma virada consolidada nos índices de popularidade, o Palácio do Planalto avalia que a combinação entre medidas econômicas, recuperação da agenda política e dificuldades enfrentadas pela oposição abriu uma nova fase na articulação de Lula para 2026.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário