quinta-feira, 28 de maio de 2026

Gleisi Hoffmann leva vitória da 6×1 para disputa do Senado



A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), pré-candidata ao Senado pelo Paraná, transformou nesta quinta-feira (28) a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara em ativo político para a disputa de 2026, depois de uma votação que teve 25 votos favoráveis da bancada paranaense, nenhum voto contrário registrado e adesão até de adversários da direita.

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho no país e acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O texto segue agora para o Senado Federal.

O placar nacional foi amplo. No primeiro turno, a PEC passou por 472 votos a 22. No segundo turno, foi aprovada por 461 votos a 19. O texto fixa jornada de 40 horas semanais, cinco dias de trabalho, dois dias de descanso e manutenção dos salários.

A votação carrega a digital política de Gleisi porque a pauta entrou no centro da articulação do governo Lula quando ela ainda comandava a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional, partidos, estados e municípios.

Em janeiro, ainda como ministra das Relações Institucionais, Gleisi afirmou que o fim da escala 6×1 era prioridade do governo federal em 2026. Na mesma ocasião, disse que o presidente Lula (PT) estava determinado a tocar a proposta, apontou o impacto sobre as mulheres e afirmou que caberia ao governo “batalhar pela aprovação”.

Quatro meses depois, a pauta saiu da promessa política e virou votação concluída na Câmara. Esse é o ponto que Gleisi tenta levar para a campanha no Paraná: a petista pode dizer que colocou a pauta na mesa do governo, ajudou a abrir caminho no Congresso e viu o texto passar com margem suficiente para atravessar até parte da oposição.

No vídeo publicado após a votação, Gleisi chamou o resultado de “vitória histórica” e comparou o avanço da PEC a conquistas trabalhistas como salário mínimo, férias, 13º salário e descanso semanal. A fala é declaração política da deputada, não altera o rito legislativo, mas mostra como o PT pretende disputar a narrativa da aprovação.

O discurso também puxa Lula para o centro da vitória. Gleisi associou a pauta à trajetória sindical do presidente, lembrou as greves do ABC em 1979 e disse que a conquista “nasce da luta dos trabalhadores e trabalhadoras”. A leitura é clara: a petista quer colar a aprovação da 6×1 ao campo lulista antes de a matéria chegar ao Senado.

No Paraná, o efeito político ganhou peso porque a bancada federal não registrou voto contrário no painel analisado pelo Blog do Esmael. Dos 30 deputados do estado, 25 votaram a favor. Cinco não aparecem com voto registrado: Dilceu Sperafico (PP-PR), Padovani (PP-PR), Pedro Lupion (Republicanos-PR), Sergio Souza (MDB-PR) e Tião Medeiros (PP-PR).

Entre os votos favoráveis aparece Filipe Barros (PL-PR), adversário direto de Gleisi no campo da pré-disputa ao Senado. O voto dele não apaga a diferença ideológica entre os dois, mas mostra o tamanho do custo político de enfrentar uma pauta popular entre trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, vigilância, restaurantes, telemarketing e transporte.

A direita tentou escapar da pecha de inimiga do trabalhador. O PL orientou voto “sim” no segundo turno, enquanto o Novo orientou “não” e a oposição liberou a bancada. Na comissão especial, a disputa foi mais áspera, com debate sobre transição, custo para empresas e modelos alternativos de jornada.

O texto aprovado prevê transição. Dois meses após a publicação da futura emenda constitucional, passam a valer dois dias de descanso remunerado por semana e jornada de 42 horas. Após mais 12 meses, a jornada máxima cai para 40 horas semanais.

Para o trabalhador, a mudança significa tempo fora do serviço, descanso e reorganização da vida familiar. Para empresas, o texto abre uma fase de adaptação de turnos, contratos, acordos coletivos e custos, especialmente em setores que funcionam todos os dias.

A votação também reposiciona a disputa paranaense pelo Senado. Gleisi ganhou um fato concreto para apresentar ao eleitorado trabalhador. Filipe Barros votou a favor e evita carregar o ônus de um voto contra. Os cinco sem registro no painel ficam com explicação pendente caso a pauta entre de vez na campanha.

O próximo teste será no Senado. Gleisi comemorou a etapa da Câmara, mas a PEC ainda depende de nova votação em dois turnos pelos senadores. A vitória, portanto, é grande, mas não encerra a tramitação.

A aprovação da 6×1 deu a Gleisi um argumento simples para a pré-campanha: quando a pauta saiu do discurso e chegou ao painel, até adversários tiveram de votar com os trabalhadores.



Fonte: Blog do Esmael

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