A ex-juíza Ludmila Lins Grilo, aposentada compulsoriamente pelo CNJ e radicada nos Estados Unidos desde 2023, anunciou sua saída da empresa de “consultoria imigratória” Immigrex Global, sociedade criada ao lado do lobista bolsonarista Paulo Figueiredo.
O rompimento ocorre em meio ao avanço das investigações sobre a atuação de aliados do bolsonarismo nos EUA e ao caso envolvendo o financiamento de Daniel Vorcaro da cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”.
“Deixei a Immigrex por razões pessoais, no dia 24 de abril de 2026, por decisão unilateral minha, desvinculando-me desde então de quaisquer deveres e atribuições. Tenho satisfação em ter participado da criação e do desenvolvimento de uma empresa próspera, sólida e em constante crescimento, com inúmeros casos de sucesso e clientes satisfeitos”, escreveu.
“Saio com a consciência tranquila de quem contribuiu de forma decisiva para essa trajetória e com a expectativa de que a empresa preserve, no futuro, os padrões de excelência e dedicação que marcaram sua história até aqui.”
Qualquer vínculo societário com Figueiredo passou a representar um risco jurídico crescente. O Ministério da Justiça informou que o governo norte-americano ainda não respondeu ao pedido de cooperação feito pelo STF para notificar oficialmente Figueiredo, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por atuação em operações de desinformação ligadas à tentativa de golpe de Estado.
Em documento assinado por Rodrigo de Brito Carnevale, coordenador-geral de cooperação jurídica internacional em matéria penal do Ministério da Justiça, o governo brasileiro informou: “Solicitamos novamente informação atualizada às autoridades requeridas e, assim que recebermos qualquer resposta, esta lhe será prontamente encaminhada.”
A denúncia da PGR sustenta que Figueiredo integraria a estrutura responsável por disseminar desinformação contra as instituições brasileiras. O inquérito também envolve o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), parceiro de Paulo Figueiredo no lobby golpista junto aos elementos mais radicais do MAGA.
Pela legislação, o denunciado precisa ser formalmente cientificado da acusação antes do andamento processual. Como vive nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo teve de ser notificado via edital e por carta rogatória, mecanismo de cooperação jurídica internacional.
Em live, o próprio blogueiro admitiu a dificuldade da Justiça brasileira em alcançá-lo. “Meu processo é desmembrado porque eles sabem que comigo no exterior eles não podem dar andamento ao processo”, disse.
Ludmila Lins Grilo também se tornou figura conhecida do bolsonarismo radical após ataques reiterados ao sistema eleitoral e ao STF. Ela foi afastada do cargo por uso político das redes sociais e disseminação de desinformação. Antes disso, suas contas já haviam sido suspensas por decisões judiciais relacionadas a conteúdos falsos sobre as eleições.
Ao se mudar para os EUA, afirmou ter acionado organismos internacionais contra o ministro Alexandre de Moraes e prometeu usar medidas tomadas pelo STF como material para ações no exterior.
Foi nesse contexto que nasceu a Immigrex Global, empresa apresentada por Paulo Figueiredo em suas transmissões como uma porta de saída para brasileiros interessados em emigrar. “Nós vamos dizer qual é o visto certo para sua vida e vamos encontrar uma forma de você migrar”, dizia o comentarista ao divulgar os serviços da consultoria.
Fonte: DCM
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