Levantamento GEM 2025 aponta avanço do empreendedorismo por oportunidade e redução histórica da abertura de negócios motivada pela falta de emprego
Com melhora da economia, falta de emprego deixa de ser principal motivo para empreender (Foto: Freepik/Dmytro Sheremeta)
A mais recente edição da pesquisa Monitor Global de Empreendedorismo (Global Entrepreneurship Monitor – GEM 2025), realizada pelo Sebrae em parceria com a Anegepe, revelou uma mudança importante no perfil do empreendedor brasileiro. Segundo o levantamento, caiu de forma significativa a proporção de pessoas que decidem abrir um negócio por falta de emprego, enquanto cresce o número de empreendedores motivados por oportunidades de mercado e realização pessoal.
Os dados, divulgados pelo Sebrae, mostram que a escassez de vagas de trabalho deixou de ser o principal fator para empreender no país. Em 2025, 71% dos entrevistados afirmaram ter aberto um negócio porque “os empregos são escassos”, o menor índice da série histórica recente. Em comparação, essa motivação alcançou 88% em 2019 e 82% em 2020 e 2022.
A principal razão para empreender no Brasil passou a ser o desejo de “fazer a diferença no mundo”, apontada por 76% dos entrevistados — um ponto percentual acima do registrado em 2024. Também aparecem entre os principais estímulos “construir grande riqueza”, com 69%, e “continuar uma tradição familiar”, que atingiu 46%, maior índice já registrado pela pesquisa.
◉ Empreendedorismo por oportunidade avança
A pesquisa também identificou crescimento do chamado empreendedorismo por oportunidade, que passou de 55% em 2024 para 58% neste ano. Esse tipo de empreendedorismo ocorre quando uma pessoa identifica uma demanda de mercado ou uma tendência ainda pouco explorada e cria um negócio planejado para atender essa lacuna.
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, os números refletem o cenário positivo da economia brasileira e a melhora das condições do mercado de trabalho no país.
“A situação próxima ao pleno emprego que o Brasil alcançou com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin, fez com que mais brasileiros estejam motivados a empreender por vislumbrarem a possibilidade de realizar o sonho de ter o próprio negócio, em lugar da necessidade de ocupação”, afirmou Rodrigo Soares.
O presidente do Sebrae destacou ainda que o empreendedorismo motivado por oportunidade tende a gerar negócios mais estruturados e com maiores chances de sobrevivência no mercado.
◉ Qualificação e planejamento fortalecem negócios
“O empreendedor que abre a própria empresa por oportunidade normalmente se prepara melhor para a realização desse projeto. Isso resulta em mais qualificação para a gestão do negócio e – consequentemente – maiores chances de sucesso”, acrescentou Rodrigo Soares.
O levantamento reforça uma tendência observada nos últimos anos: a profissionalização crescente dos pequenos negócios brasileiros. Com maior planejamento e capacitação, os empreendedores tendem a desenvolver empresas mais sustentáveis e competitivas.
A GEM é considerada a maior pesquisa sobre empreendedorismo do mundo e atualmente é realizada em 110 países. No Brasil, o estudo é conduzido há 25 anos pelo Sebrae e pela Anegepe (Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas).
◉ Brasil melhora posição em ranking global
No ranking internacional da motivação empreendedora ligada à falta de empregos, o Brasil passou da 22ª para a 24ª colocação entre as economias analisadas. O resultado indica uma redução relativa do empreendedorismo motivado exclusivamente pela necessidade.
Entre os países avaliados, a Suécia apresentou o melhor cenário, com apenas 30% dos empreendedores afirmando abrir negócios devido à escassez de trabalho. Na outra ponta aparece a Argentina, onde 92% dos entrevistados disseram empreender por falta de oportunidades no mercado formal.
Os dados da pesquisa também detalham os principais fatores que impulsionam os empreendedores iniciais brasileiros em 2025. “Fazer a diferença no mundo” lidera com 76%, seguido de “porque os empregos são escassos” (71%), “construir grande riqueza” (69%) e “continuar uma tradição familiar” (46%).
◉ Pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros
A edição de 2025 da GEM realizou 2.350 entrevistas em todo o território nacional. O levantamento ouviu diferentes perfis de empreendedores, incluindo os chamados empreendedores nascentes — pessoas que começaram a desenvolver um negócio nos últimos 12 meses ou possuem empresas com até três meses de operação.
Também participaram empreendedores novos, com negócios entre três meses e três anos e meio de funcionamento, além de empreendedores estabelecidos, que mantêm atividades empresariais há mais de três anos e meio.
Os resultados ajudam a traçar um panorama atualizado do empreendedorismo brasileiro e indicam uma mudança importante no comportamento dos trabalhadores, cada vez mais impulsionados pela busca de autonomia, realização pessoal e oportunidades de crescimento econômico.
Fonte: Brasil 247
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