terça-feira, 31 de março de 2026

Tebet, Derrite e Marina lideram disputa para o Senado em São Paulo

Pesquisa Atlas/jornal Estado de S. Paulo aponta empate técnico entre os três principais nomes na corrida por duas vagas em 2026

03.03.2026 - Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

A disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo em 2026 começa com um cenário de forte equilíbrio entre três nomes de peso da política nacional. Pesquisa Atlas em parceria com o jornal Estado de S. Paulo, divulgada nesta terça-feira, 31, mostra a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o deputado federal Guilherme Derrite e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tecnicamente empatados na liderança da corrida eleitoral.

O levantamento, realizado entre os dias 24 e 27 de março com 2.254 eleitores paulistas por recrutamento digital aleatório, indica que a disputa no maior colégio eleitoral do País tende a ser uma das mais relevantes da eleição de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01079/2026.

No cenário principal, que consolida os dois votos do eleitor para o Senado, Simone Tebet aparece numericamente à frente, com 22,6% das intenções de voto, seguida muito de perto por Guilherme Derrite, com 22%. Logo depois surge Marina Silva, com 19,6%, o que configura empate técnico entre os três principais nomes da disputa.

O resultado reforça a tendência de uma campanha altamente competitiva em São Paulo, com a polarização nacional se refletindo também na eleição para o Senado. De um lado, aparecem figuras ligadas ao governo do presidente Lula e ao campo progressista. De outro, nomes vinculados à direita bolsonarista tentam transformar o capital político acumulado nos últimos anos em força eleitoral para 2026.

◎ Tebet aposta em São Paulo após mudança partidária
A liderança numérica de Simone Tebet ocorre poucos dias após sua filiação ao PSB, oficializada na última sexta-feira, 27. A ministra decidiu não disputar o Senado por Mato Grosso do Sul, seu estado de origem, diante das dificuldades enfrentadas pela esquerda na região.

A escolha por São Paulo também atende a uma estratégia política mais ampla: fortalecer o campo progressista no principal colégio eleitoral do País e, ao mesmo tempo, potencialmente reforçar uma chapa ligada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que é apontado como candidato ao governo estadual.

Além disso, Tebet conta com o recall eleitoral da disputa presidencial de 2022, quando terminou em terceiro lugar e teve bom desempenho entre o eleitorado paulista.

◎ Derrite representa a direita bolsonarista
Do lado da direita, Guilherme Derrite aparece como o principal nome já consolidado. Deputado federal e atual secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), ele ganhou projeção nacional com a pauta da segurança e se tornou uma das principais apostas do campo bolsonarista para o Senado em São Paulo.

Atrás do trio líder, o vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL), surge com 14,8% das intenções de voto, ocupando a quarta posição. Ele é considerado um dos favoritos do ex-presidente Jair Bolsonaro para compor a chapa ao Senado.

A disputa interna na direita, no entanto, permanece aberta. Nomes como os deputados federais Mário Frias e Pastor Marco Feliciano, além do deputado estadual Gil Diniz, também buscam espaço. Já o ex-ministro Ricardo Salles, atualmente no Partido Novo, aparece com 11,1% das intenções de voto.

◎ Marina Silva mantém competitividade e avalia futuro partidário
Mesmo sem confirmação oficial como candidata, Marina Silva surge competitiva na pesquisa, com 19,6%, em empate técnico com Tebet e Derrite. A ministra do Meio Ambiente, que ainda está filiada à Rede, negocia uma possível filiação ao PT diante de disputas internas em sua atual legenda.

Para disputar as eleições de 2026, Marina terá de deixar o cargo no governo até o prazo legal de desincompatibilização, previsto para 4 de abril.

◎ Cenário alternativo inclui Haddad e Mário Frias
O levantamento também testou um segundo cenário, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concorrendo ao Senado em vez de disputar o governo paulista, e com Mário Frias como candidato da direita.

Nesse caso, a disputa permanece equilibrada, com Guilherme Derrite liderando numericamente com 22,1%, seguido de perto por Haddad, com 21,8%, e Marina Silva, com 19,7%.

Na sequência aparecem Ricardo Salles (12,8%), Mário Frias (12,3%) e Paulinho da Força (0,6%). Brancos e nulos somam 8%, enquanto 2,7% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.

◎ Disputa aberta e cenário ainda indefinido
Os dados revelam que, apesar da vantagem numérica de alguns nomes, a corrida ao Senado em São Paulo está longe de definida. Com dois votos disponíveis para o eleitor, a dinâmica da disputa tende a favorecer alianças, transferências de votos e estratégias eleitorais mais complexas.

Além disso, o elevado número de pré-candidatos no campo da direita e as indefinições no campo progressista indicam que o quadro ainda pode sofrer mudanças significativas nos próximos meses, tornando a eleição de 2026 uma das mais imprevisíveis e disputadas da política brasileira recente.

Fonte: Brasil 247

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