sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

STF rejeita ação contra renovação automática da CNH

Ministro Flávio Dino apontou falta de legitimidade da entidade autora da ação

       Trânsito em São Paulo (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma ação que contestava a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas que não tenham cometido infrações de trânsito nos 12 meses anteriores ao vencimento do documento. A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, que determinou o arquivamento do processo sem análise do mérito. A informação foi divulgada pelo próprio Supremo Tribunal Federal ao relatar o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7924, proposta contra um dispositivo da Medida Provisória (MP) 1.327, de 9 de dezembro de 2025.

◎ Ação questionava regra de medida provisória

A ação foi apresentada pela Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (Abrapsit) e tinha como alvo o trecho da MP que dispensa a realização de exames médicos e psicológicos na renovação da CNH de condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), desde que não tenham recebido multas no período de um ano antes da renovação.

◎ Falta de legitimidade levou ao arquivamento

Ao analisar o pedido, o ministro Flávio Dino concluiu que a entidade autora não atende aos requisitos exigidos para propor ações de controle concentrado de constitucionalidade no STF. Segundo o relator, a associação não possui abrangência nacional nem representa uma categoria homogênea, condições indispensáveis para esse tipo de ação.

O ministro explicou que a qualificação como entidade de classe pressupõe a representação de um grupo profissional uniforme, o que não se verifica no caso da Abrapsit. De acordo com a decisão, a associação reúne entidades e instituições de naturezas distintas, como conselho de fiscalização profissional, gestora de plano de saúde, clínica médica e associações civis com finalidades diversas.

◎ Critérios para ações no Supremo

Flávio Dino também destacou que a simples distribuição geográfica de associados pelo país não comprova atuação nacional. Conforme a jurisprudência do STF, é necessária a demonstração de atividade concreta e efetiva da entidade em pelo menos nove estados da federação, requisito que, segundo o relator, não foi atendido.

Diante desse entendimento, a ADI 7924 foi rejeitada por falta de legitimidade da parte autora, encerrando o processo sem que o Supremo analisasse a constitucionalidade da norma questionada.

Fonte: Brasil 247

Lula passa por cirurgia de catarata hoje em Brasília

Procedimento simples é realizado nesta sexta-feira e segue histórico de intervenção semelhante feita pelo presidente em 2020

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 28/01/2026 REUTERS/Aris Martinez (Foto: REUTERS/Aris Martinez)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo nesta sexta-feira (30), em Brasília. O procedimento é considerado de baixa complexidade e rápida recuperação, de acordo com informações divulgadas ao longo da semana. A expectativa é de que o presidente retome suas atividades normalmente nos próximos dias, informa o G1.

Na quinta-feira (29), Lula esteve no hospital para a realização dos exames pré-operatórios e, após essa etapa, seguiu com compromissos oficiais na Residência Oficial da Granja do Torto.

A cirurgia no olho esquerdo repete um procedimento semelhante realizado em 2020, quando Lula passou por uma intervenção para correção de catarata no olho direito. Em ambos os casos, trata-se de um tratamento amplamente difundido na medicina e adotado em milhões de pacientes todos os anos.

A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino, estrutura natural do olho responsável pelo foco das imagens. A condição provoca perda progressiva da visão e, quando indicada, é tratada por meio da substituição do cristalino por uma lente artificial, técnica considerada segura e eficaz.

Segundo as informações divulgadas, não há previsão de afastamento prolongado das funções presidenciais. A liberação médica para o retorno ao trabalho deve ocorrer nos próximos dias, conforme a evolução do pós-operatório.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Caso Master: Toffoli retira sigilo de depoimentos de Vorcaro, de diretor do BC e de ex-presidente do BRB

Sigilo foi derrubado a pedido do Banco Central, mas inquérito segue fechado

     Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo de depoimentos prestados à Polícia Federal por personagens centrais da investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A medida alcança os relatos do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e de Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC).

Segundo Toffoli, a liberação se restringe exclusivamente aos depoimentos, enquanto o inquérito sobre o caso Master permanece sob segredo de Justiça até que a Procuradoria-Geral da República se manifeste. A decisão, segundo a Folha de São Paulo, atendeu a um pedido do Banco Central.

⊛ Decisão do STF atende pedido do Banco Central

Os depoimentos foram colhidos no fim de dezembro pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, antes da acareação entre os empresários, determinada pelo próprio ministro no âmbito da investigação. O objetivo é esclarecer operações financeiras e negociações que envolveram o Banco Master e o BRB.

Toffoli ressaltou, em sua decisão, que a retirada do sigilo não implica a abertura integral do inquérito, limitando-se às declarações já prestadas pelos investigados e autoridades ouvidas pela Polícia Federal.

⊛ Alerta do Banco Central sobre risco bilionário

Durante seu depoimento, Ailton de Aquino chamou a atenção para o impacto financeiro potencial das operações envolvendo o Banco Master. Segundo o diretor de Fiscalização do Banco Central, a reserva de recursos que o BRB teria de constituir para cobrir eventuais perdas poderia se aproximar de R$ 5 bilhões.

A avaliação do diretor do BC foi apresentada no contexto da análise dos riscos decorrentes da relação entre as duas instituições financeiras, tema central da investigação conduzida pela Polícia Federal.

⊛ Relato de Vorcaro sobre venda do Master ao BRB

Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que manteve mais de uma conversa com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do Banco Master ao BRB. No depoimento, o banqueiro também admitiu que a instituição enfrentava problemas de caixa.

Segundo Vorcaro, o modelo de negócios do Banco Master tinha como base o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo mantido com recursos do próprio sistema financeiro para proteger depositantes em caso de quebra de instituições.

⊛ Explicação do ex-presidente do BRB à Polícia Federal

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, declarou aos investigadores que a operação ocorria durante um processo de substituição de ativos do Banco Master. Ele afirmou que precisava ganhar tempo para conduzir essa transição, em seu papel de “zelar pelo BRB”. A declaração foi dada em resposta a um questionamento da PF sobre uma anotação encontrada na agenda da ex-diretora de Controle e Riscos do BRB, Luana Andrade Ribeiro. Segundo a PF, a anotação indicava que Costa teria determinado a compra de carteiras para evitar a quebra do Banco Master.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

PF encontra envolvimento de políticos na investigação do Banco Master

Apurações da operação Compliance Zero apontam referências a autoridades e devem abrir nova frente no STF

       PF encontra envolvimento de políticos na investigação do Banco Master (Foto: Divulgação )

As investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o Banco Master avançaram e chegaram a elementos que indicam a possível existência de vínculos entre o esquema sob apuração e políticos com foro por prerrogativa de função. Diante disso, eventuais desdobramentos envolvendo essas autoridades deverão tramitar no Supremo Tribunal Federal, enquanto parte do inquérito pode seguir na primeira instância, informa a Folha de São Paulo.

Segundo investigadores, provas reunidas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluem referências a lideranças partidárias e autoridades de alto escalão. De acordo com esses relatos, houve “vários achados” com menções a figuras do meio político, identificados após a quebra de sigilos, apreensão de documentos e acesso ao telefone celular de Vorcaro durante sua prisão.

Na avaliação da Polícia Federal, essas referências não estariam diretamente ligadas ao núcleo central do inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília). Esse conjunto de fraudes fundamentou a decisão da Justiça Federal do Distrito Federal que autorizou a deflagração da primeira fase da operação, em 18 de novembro do ano passado, data em que o Master também foi liquidado.

Daniel Vorcaro tornou-se uma figura conhecida em Brasília por articular uma extensa rede de relações políticas e promover encontros frequentes em uma mansão na capital federal. Desde que o ex-banqueiro passou a ser investigado, essas conexões têm provocado desconforto entre autoridades e gerado receio em setores da classe política quanto à exposição de vínculos pessoais e financeiros mantidos com ele.

Investigadores avaliam que o alcance dessas relações é amplo e, nos bastidores, chegou a ser comparado ao potencial de impacto da operação Lava Jato, que atingiu diversos partidos e desencadeou tentativas de conter o avanço das apurações. Agora, a PF pretende aprofundar a análise dos indícios para verificar se houve participação direta de autoridades no esquema atribuído a Vorcaro.

Esses novos elementos se somam às informações coletadas na segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em janeiro, que investigou o uso de fundos de investimento administrados pela gestora Reag para o desvio de recursos captados pelo Master por meio da venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Essa etapa da operação já ocorreu sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, por determinação do ministro Dias Toffoli, após a defesa de Vorcaro alegar a existência de referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que possui foro especial.

Embora o nome de Bacelar tenha sido citado, investigadores ressaltam que ele não é o foco das apurações neste momento. O material reunido menciona outros políticos, incluindo parlamentares do Congresso Nacional, cujas situações ainda estão sob análise.

Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro, Daniel Vorcaro buscou minimizar o peso de suas relações com autoridades. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, afirmou.

De acordo com investigadores, existe a possibilidade de desmembramento do caso. Mesmo que o inquérito sobre o negócio entre o BRB e o Master seja remetido à Justiça de primeiro grau, as apurações que envolvem políticos com foro especial permaneceriam sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Nas últimas semanas, ministros do STF iniciaram discussões internas para transferir parte do processo à primeira instância, numa tentativa de reduzir a pressão sobre a Corte. O movimento ganhou força após a divulgação de informações sobre conexões de integrantes do tribunal com negócios ligados ao Banco Master, sendo visto por interlocutores como uma saída institucional para o ministro Dias Toffoli, relator do caso, que tem sido alvo de questionamentos pelo elevado grau de sigilo mantido sobre o inquérito.

O debate se intensificou depois de vir a público a relação comercial de dois irmãos de Toffoli com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro, no resort Tayayá, no Paraná. Diante do desgaste e da pressão da opinião pública, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, chegou a declarar ao portal G1 que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora”, de que o caso deixasse o tribunal.

A identificação de indícios envolvendo políticos, no entanto, deve levar a uma reconfiguração da estratégia. A perspectiva atual é que uma parte das investigações siga para a instância inferior, enquanto outra permaneça no STF, abrindo uma nova frente de apuração relacionada às autoridades citadas.

A investigação que pode ser enviada ao primeiro grau, focada na fabricação de carteiras fraudulentas pelo Banco Master, encontra-se em estágio avançado e, segundo agentes envolvidos, deve ser concluída em breve. A Polícia Federal prepara um relatório final no qual pretende detalhar os indícios de crimes atribuídos aos principais suspeitos.

Entre pessoas próximas ao caso, persiste a preocupação de que as investigações envolvendo políticos não avancem no Supremo Tribunal Federal em razão de pressões sobre a Corte, o que mantém o tema no centro do debate institucional e público.
Fonte: Brasil 247

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Governador Ratinho Junior anuncia pacote de investimentos para Apucarana, nesta sexta


O governador Carlos Massa Ratinho Junior anuncia nesta sexta-feira (30) uma série de investimentos para Apucarana, no Vale do Ivaí. São recursos para saúde, saneamento básico, educação e infraestrutura urbana. O evento também marca as comemorações de 82 anos da cidade.

Os recursos liberados pela Secretaria da Saúde somam R$ 17 milhões. Serão construídas cinco novas UBS e reformadas outras quatro, além de um Pronto Atendimento Municipal. A cidade também vai receber ambulâncias, ônibus e van para transporte de pacientes.

Na área de infraestrutura urbana, a cidade será contemplada com R$ 17 milhões para recape asfáltico e mais R$ 15 milhões do Asfalto Novo, Vida Nova.

Em relação ao saneamento, o principal anúncio da Sanepar para a cidade é a obra de R$ 650 milhões do Sistema Integrado da Região de Londrina, que envolve Apucarana, Arapongas e Rolândia. A obra deve começar neste ano. A primeira etapa vai integrar e ampliar o abastecimento principalmente de Apucarana com a construção de uma unidade de captação do Rio Taquaras e construção de uma Estação de Tratamento de Água. O projeto terá duas frentes de captação, que juntas somam uma produção de 1.200 litros por segundo.

Além disso há outras obras em andamento na cidade, como melhorias da ETE Biguaçu e ETE Barra Nova, implantação de elevatória e 32 km de tubulações no Jd. Interlagos, e implementação de nova célula do Aterro Sanitário.

E na educação será assinado um protocolo de intenções para uma cooperação institucional entre a Secretaria de Estado da Educação e a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial para a criação e desenvolvimento de um Espaço de Inovação no Centro Estadual de Educação Profissional Manoel Ribas, em Apucarana. A iniciativa tem como foco a Agricultura 4.0 e as tecnologias emergentes aplicadas ao agronegócio.

Serviço:

Data: 30 de janeiro, sexta-feira

Horário: 10h30

Local: Prefeitura Municipal de Apucarana - R. Prof. Erasto Gaertner, 25 - Centro, Apucarana - PR

Boulos fala do STF no caso Master, mira Tarcísio e diz que esquerda saiu da defensiva


      Guilherme Boulos em entrevista ao Instituto Barão de Itararé

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participou de uma entrevista coletiva com canais de mídia independente nesta quarta-feira (28). O evento foi promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e contou com a participação do DCM e de outros veículos.

Eleições 2026: Boulos será candidato?

Meu plano para este ano é ajudar a reeleger o presidente Lula. Essa é a tarefa de todo o campo de esquerda, de todo o campo progressista no Brasil. Obviamente não é a única tarefa, pois também precisamos fazer uma bancada maior do que temos hoje no Congresso Nacional para ganhar e levar, porque a gente ganhar com um projeto e esse projeto ficar sendo continuamente sabotado, inclusive pelo sequestro orçamentário por meio das emendas, não dá. É um problema real. Temos que ter uma atenção muito forte para a eleição parlamentar.

Agora, existe, no meu caso, uma particularidade. Eu estou pelo projeto e pelo lugar que seja o melhor para ajudar o presidente Lula. É nesse lugar que estarei. De todos os ministros, eu sou o mais recente e cheguei com a missão de botar o governo na rua e trazer pautas importantes, como a dignidade para os trabalhadores de aplicativo e o fim da escala 6×1. Esse conjunto de questões que o presidente pediu que eu fizesse, para que seja executado com começo, meio e fim, faria ser muito difícil eu já ter que sair em março. Meu compromisso se dá para a construção de palanques competitivos, especialmente em São Paulo, que é de onde sou, de onde me fiz o deputado federal mais votado e que representei nas últimas duas eleições, indo ao segundo turno na capital. Mas acho que posso contribuir mais estando aqui no governo, fazendo esse processo de qualificar e melhorar a relação do governo com nossa base social e atuando junto à coordenação de campanha do presidente Lula.”

Emendas Impositivas x Orçamento Participativo

Sem papas na língua, sou inteiramente a favor de que o STF julgue inconstitucionais as emendas impositivas. A emenda impositiva é o que dá a condição do sequestro do orçamento. O orçamento secreto é consequência delas. Nos governos Lula 1 e 2, o orçamento não era impositivo. O máximo de emenda parlamentar individual, sem ser impositiva, era de R$ 4 milhões. Hoje, as emendas estão chegando a R$ 40 milhões só as individuais, sem falar nas emendas de bancada e de comissão, e são impositivas. Isso chega a R$ 61 bilhões destinados a emendas. Como fazer uma política pública estruturante em que o governo possa planejar e definir prioridades, se uma parcela tão grande do orçamento está sendo destinada no varejo, no picado, seguindo não o planejamento de política pública, mas uma lógica que, ao fim do dia, é eleitoral? Isso é inconstitucional porque toma uma competência que é do Executivo e dá para o Legislativo.

Sobre o Orçamento Participativo, estamos iniciando aqui na Secretaria-Geral da Presidência uma experiência muito pioneira chamada Orçamento do Povo, que é justamente a gente construir uma lógica, inclusive pedagógica, de apropriação do orçamento pela população. Ainda estamos construindo internamente, junto do Ministério do Planejamento e com a companheira Gleisi, da Secretaria de Relações Institucionais. Estamos fazendo reuniões de aprimoramento do projeto e acredito que, até o final do mês que vem, estaremos prontos para lançar a ideia para funcionar já neste ano.

Como trazer os jovens para a campanha de Lula?

Esse é um tema que vamos discutir no momento da campanha, mas que tem a ver não só com a campanha do Lula de agora, mas com uma disputa de futuro. Como a extrema-direita passou a capturar uma parte do sentimento e da consciência da juventude brasileira? Foi através das redes sociais, foi com guerrilha digital. Se você olhar que, nas eleições de São Paulo, com métodos muito abjetos, o Pablo Marçal conseguiu um voto de juventude muito significativo, é uma expressão disso. A extrema-direita conseguiu manejar o algoritmo e construir um discurso mais sedutor nas redes.

Temos instrumentos que não devem ser de governo. O Bolsonaro fez isso com o gabinete do ódio partindo aqui do Planalto. Nós não podemos repetir isso. O que temos que fazer é travar uma disputa que passa pela organização de redes, pelos ecossistemas de esquerda nas redes sociais e pelos canais progressistas. E isso passa muito pelo elemento antissistema. A extrema-direita vendeu um conteúdo completamente sistêmico com uma estética antissistema. Uma estética de performar revolta, como o Pablo Marçal, que não tem nada de novo, é um defensor dos bilionários, com ideias mais atrasadas que a minha avó, neoliberal, ultraindividualista e meritocrático. E, até onde me consta, no sistema capitalista em que a gente vive, quem é o sistema são os donos do capital. Quando a extrema-direita foi contra milionários? Pelo contrário, eles atacam trabalhadores e protegem os super-ricos. Mesmo assim, eles conseguiram vender uma estética antissistema pelo manejo da rede. Um museu de novidades que é uma velharia do ponto de vista do conceito. Temos que mostrar quem de fato é contra esse sistema.

Lula é muito mais antissistema do que bolsonaro

Pode parecer chavão o que vou dizer agora, mas entre Lula e Bolsonaro não há a menor dúvida de que Lula é mais antissistema do que Bolsonaro. As pessoas olham que Lula já foi presidente três vezes e está na política há 40 anos e, por não ser uma novidade política, seria alguém ‘adaptado à ordem’. Mas, pera lá, foi Lula que está zerando o imposto de renda do povo e está taxando bilionários, bets e bancos. Isso é o terror do sistema, das grandes corporações, banqueiros e milionários. Se comunicarmos isso em modelo e formato de rede social, somos capazes de arrastar muito bem a juventude neste ano e para a continuidade do nosso projeto.


Sair da defensiva histórica

Nos últimos oito meses, saímos do corner. A verdade é essa. Passamos os primeiros dois anos do governo Lula no canto do ringue, na defensiva, tendo o governo, mas com a extrema-direita e o centrão pautando a vida pública do país. De oito meses para cá, a virada importante veio e teve o presidente como protagonista. Isso permitiu a gente respirar e tomar as ofensivas, como no caso do IOF. Depois veio o tarifaço e a Lei Magnitsky. Se Lula fosse seguir conselhos do Tarcísio, teria dado uma vitória a Trump. Aliás, tenho me perguntado se Tarcísio perdeu o bonezinho do MAGA ou tomou vergonha na cara, pois nunca mais vi ele com aquele boné.

Lula fez o enfrentamento soberano, se colocou com altivez, dignidade e ganhou uma batalha contra a liderança do país mais poderoso do planeta. Depois voltamos para a rua com força em temas como a PEC da blindagem e da anistia. O diagnóstico é que, em 2025, saímos da defensiva, mas ainda não saímos da defensiva histórica, que aí vem o tema da disputa territorial e da guerra cultural. Nessas disputas, ainda não conseguimos alinhar inteiramente nossas tropas. Mas, em termos de defensiva conjuntural, nós invertemos. É a direita brigando entre si e Bolsonaro na Papuda, enquanto Lula segue bem avaliado, ao mesmo passo que aqueles que já queriam escrever o epitáfio político dele e já distribuir os ministérios de um eventual governo de direita em 2027 agora estão brigando para garantir espaço em palanque eleitoral ao lado de Lula.


Como combater Tarcísio em São Paulo?

Eu não tenho como entrar em debate de nomes, pois seria deselegante da minha parte. Os partidos do nosso campo e o presidente Lula estão empenhados em pilotar isso e levar uma chapa forte. Mas, parafraseando Mao Tsé-Tung, Tarcísio é um ‘tigre de papel’. O Tarcísio tem aprovação inercial da direita em São Paulo, que sempre tem uma aprovação inercial por conta de o interior do estado ter um perfil mais conservador e garantirá isso mesmo que o governador não faça nada. Mas ele tem muito telhado de vidro.

Cito duas questões. O tema da Sabesp. O cara comandou a privatização da maior empresa de saneamento da América Latina, que era lucrativa, bem avaliada e que prestava excelente serviço para o povo de São Paulo. A promessa dele reiterada era de que a conta de água não aumentaria enquanto o serviço iria melhorar. O que aconteceu foi que, em um ano, a conta aumentou e São Paulo está sofrendo pré-racionamento de água.

O outro tema é o da segurança pública, que a direita sempre joga como se fosse um problema para a esquerda discutir. Como anda o tema da segurança pública em São Paulo? Uma explosão de feminicídios, a retórica de uma polícia mais forte. Em termos de resultados reais, sob a gestão de Derrite, é uma mediocridade e muitos retrocessos. Esse calcanhar de Aquiles deverá ser tratado em campanha eleitoral.

O caso do Banco Master

O caso do Banco Master, me relembra a fatídica reunião que foi divulgada do Bolsonaro querendo trocar o comando da Polícia Federal por causa do caso da rachadinha do Flávio. Imagine se agora estivéssemos sob o governo Bolsonaro. Não teríamos investigação no caso do INSS nem do Banco Master. O presidente Lula dá autonomia para a Polícia Federal investigar e coloca a CGU com transparência, doa a quem doer. E é assim que tem que ser. Pau que bate em Chico bate em Francisco.

Agora, acho muito curioso, nestes últimos dias, que alguns jornalistas da grande mídia estão fazendo ilações, alegando que o Vorcaro se reuniu com Lula, como se fosse de agora. Isso foi muito antes de qualquer suspeita de fraude, assim como ele se reuniu com pessoas do Grupo Globo, da Veja, da Folha de S.Paulo e de vários outros órgãos, com ministros e muitos outros, como é comum que grandes empresários e banqueiros também se reúnam. Alguém é mãe Dináh para saber que o cara está envolvido com isso ou aquilo?

O que tem de fato é que o Cláudio Castro tem o esquema do Rio Previdência, que o Ibaneis Rocha tem o negócio do BRB. O que se diz do Ciro Nogueira e de outras figuras do centrão bolsonarizado vai para além de uma simples reunião. Deixa a Polícia Federal investigar para vermos como ficará isso.

Dias Toffoli deve se afastar do caso Master?

Não tenho como pré-julgar uma atitude dos ministros do STF que estão acompanhando o caso. Agora, é lógico que existem mecanismos contra conflito de interesse e isso tem que ser efetivado. Não faz sentido um ministro julgar um caso ao mesmo tempo em que seja direta ou indiretamente interessado nele. É assim no Executivo e no Legislativo e tem que ser assim no Judiciário. Não podemos naturalizar conflitos de interesse.

Fonte: DCM

Lula passa por exames para cirurgia de catarata em Brasília


        O presidente Lula. Foto: Divulgação

O presidente Lula realizou nesta quinta-feira (29), em Brasília, exames pré-operatórios para uma cirurgia de catarata no olho esquerdo, marcada para sexta-feira (30). Segundo apuração da TV Globo, o procedimento será feito à noite, é considerado simples e de rápida recuperação. Em 2020, Lula já havia sido operado do olho direito.

O Palácio do Planalto informou que, ao longo desta quinta, o presidente cumprirá compromissos oficiais na Residência Oficial da Granja do Torto, onde costuma permanecer nos fins de semana. A agenda fora do Palácio ocorre após o retorno de Lula de uma viagem ao Panamá, concluída na quarta-feira (28).

No país da América Central, o presidente participou de um fórum econômico e de reuniões bilaterais. Em seus discursos, criticou ações militares na América Latina e no Caribe, a paralisia de organismos internacionais diante dessas intervenções e defendeu a “neutralidade” do Canal do Panamá, tema sensível diante de pressões recentes dos Estados Unidos.

Fonte: DCM com informação da TV Globo

Atingida por raio em ato de Nikolas, advogada de ‘Débora do batom’ tem rosto paralisado


Advogada descreve sequelas na fala após ser atingida por raio durante ato bolsonarista em Brasília. Foto: Reprodução

A advogada Tanieli Telles, que atua na defesa de réus condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro no Supremo Tribunal Federal, afirmou ter sido atingida por uma descarga elétrica durante um ato bolsonarista realizado no domingo, em Brasília, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Segundo ela, o impacto provocou paralisia parcial no rosto e dificuldades cognitivas. Tanieli é defensora de Débora Santos, conhecida como “Débora do Batom”, responsável pela pichação da frase “perdeu Mané” na estátua “A Justiça”.

O relato foi concedido ao Estadão e publicado nas redes da advogada. “Eu senti uma dor muito forte no meu ombro direito e voei para longe. Achei que era um tiro”, disse. Nos dias seguintes, relatou formigamento nos braços e no rosto, fraqueza e sensação de língua queimada. “Eu estou com um certo atraso para falar. Normalmente estou ligada no 220 volts”, afirmou, dizendo que pretende procurar um neurologista.

Fonte: DCM

Carnaval 2026: Lula confirma presença no Recife para Galo da Madrugada

Presidente Lula marcará presença no Galo da Madrugada. Foto: Divulgação

O presidente Lula confirmou que estará no Carnaval de Pernambuco em 2026 e deve acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, no Recife. A informação foi confirmada pelo deputado federal Carlos Veras (PT-PE), presidente estadual do partido, que vem articulando a presença do chefe do Executivo na folia pernambucana.

A expectativa é de que ele marque presença no sábado de Zé Pereira, quando o bloco toma as ruas do Centro da capital. A programação detalhada ainda não foi divulgada oficialmente, mas a participação do presidente é tratada como praticamente certa pela organização do evento.

Para a direção do Galo da Madrugada, a presença do presidente tem peso simbólico. “Vai ser uma alegria ter o presidente no maior bloco do mundo”, afirmou Guilherme Menezes, diretor da agremiação que abre oficialmente o Carnaval de Pernambuco.

Carlos Veras também destacou a importância política e cultural da visita. “A presença de Lula vai engrandecer e animar ainda mais o maior carnaval do mundo”, declarou o parlamentar, reforçando o caráter popular da festa.

Nas redes sociais, Veras celebrou a confirmação e prometeu divulgar mais detalhes. “O presidente Lula confirma presença no Carnaval de Pernambuco. A festa vai ficar ainda mais animada com a participação do folião mais querido do Brasil”, escreveu.



A ida de Lula ao Galo da Madrugada vinha sendo articulada pela gestão municipal. Durante a apresentação oficial da programação do Carnaval 2026, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), revelou que fez pessoalmente o convite ao presidente.

“Eu cheguei a falar com o presidente sobre a importância de ele tentar vir no Carnaval. Eu até disse ‘presidente, a subida do Galo é um negócio interessante’”, relatou João Campos, ao explicar a dinâmica atual do desfile.

O Galo da Madrugada é reconhecido pelo Guinness Book como o maior bloco carnavalesco do mundo e terá sua alegoria posicionada na Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife, na quarta-feira que antecede o Carnaval, reforçando o caráter simbólico da festa que Lula deve acompanhar de perto.

Fonte: DCM

Rui Falcão: "A única certeza até agora é que Lula é favorito"

Deputado federal também ironiza, em entrevista à TV 247, os planos do PSD, de Gilberto Kassab. Assista

Rui Falcão (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) afirmou, em entrevista à TV 247, que o cenário eleitoral para o pleito deste ano ainda está em fase de definição, sobretudo em razão da incerteza em torno dos possíveis candidatos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Falcão, esse quadro torna o presidente Lula o favorito na disputa. O parlamentar também ironizou as articulações lideradas pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, que reúne alianças com nomes como o governador do Paraná, Ratinho Jr., o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

"A única certeza que temos agora é que o presidente Lula é favorito", disse Falcão, ao avaliar que o cenário ainda segue indefinido para o outro lado. Até abril, segundo ele, deve surgir uma indicação mais concreta. "Os demais estão aí, jogando para lá e para cá", disse.

"O 'trio' de Kassab é o 'trio parada mole'", disse o parlamentar, ao referir-se à aliança, lançada mais cedo nesta semana, entre Ratinho Jr., Caiado e Leite.

Falcão finalizou: "Lula conta com uma aliança ampla de vários partidos. Vamos esperar para ver quem vai virar o Cristiano Machado do Kassab".

Fonte: Brasil 247

Brasil gerou 1,28 milhão de vagas de trabalho em 2025, aponta Caged

Dados do Novo Caged mostram crescimento do emprego formal em todas as regiões do país

         Luiz Inácio Lula da Silva e Luiz Marinho - 21/02/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O mercado de trabalho formal brasileiro encerrou 2025 com saldo positivo de 1.279.498 empregos com carteira assinada. O resultado é fruto de 26,59 milhões de admissões e 25,32 milhões de desligamentos registrados entre janeiro e dezembro, consolidando um ano de expansão do emprego formal no país.

Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado nesta quinta-feira, 29 de janeiro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o levantamento oficial, o estoque de vínculos celetistas cresceu 2,71% ao longo do ano, passando de 47,19 milhões para 48,47 milhões de trabalhadores com carteira assinada em atividade.

◎ Emprego formal cresce em todas as regiões do país

O desempenho positivo foi observado nas cinco regiões brasileiras e em todas as 27 Unidades da Federação. A região Sudeste liderou a geração de empregos em números absolutos, com saldo de 504,97 mil vagas ao longo de 2025, o que representa crescimento de 2,10%.

Na sequência aparece o Nordeste, que criou 347,94 mil empregos formais no acumulado do ano, registrando expansão de 4,38%. A região Sul apresentou saldo positivo de 186,12 mil vagas, com alta de 2,16%. Já o Centro-Oeste somou 149,53 mil novos postos de trabalho, crescimento de 3,56%, enquanto o Norte fechou o ano com saldo de 90,61 mil empregos formais, avanço de 3,81%.

◎ Estados registram avanço do mercado de trabalho

Entre os estados, São Paulo concentrou o maior saldo absoluto de vagas criadas em 2025, com 311.228 empregos formais, crescimento de 2,17%. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 100.920 novos postos, alta de 2,60%, enquanto a Bahia registrou saldo positivo de 94.380 vínculos, com crescimento de 4,41%.

As maiores taxas de expansão do emprego formal foram observadas no Amapá, que apresentou crescimento de 8,41%, seguido pela Paraíba, com 6,03%, e pelo Piauí, que registrou alta de 5,81% no estoque de empregos com carteira assinada.

◎ Serviços lideram geração de vagas em 2025

No recorte por atividades econômicas, todos os cinco grandes grupamentos apresentaram saldo positivo na geração de empregos formais em 2025. O setor de Serviços foi o principal motor da expansão, com a criação de 758.355 vagas, crescimento de 3,29%.

Dentro desse setor, destacaram-se as atividades de informação, comunicação e serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos, que responderam por 318.460 novos postos, com alta de 3,12%. Também tiveram desempenho relevante as áreas de administração pública, educação, saúde e serviços sociais, que registraram saldo positivo de 194.903 empregos formais, igualmente com crescimento de 3,12%.

O Comércio encerrou o ano com a criação de 247.097 vagas, avanço de 2,3%. A Indústria também apresentou resultado positivo, com 144.319 postos gerados, crescimento de 1,6%. Na Construção, foram abertas 87.878 vagas, alta de 3,1%, enquanto a Agropecuária manteve trajetória de crescimento, com saldo de 41.870 empregos formais, avanço de 2,3%.

◎ Dezembro tem retração histórica no emprego formal

Em dezembro, mês que tradicionalmente apresenta retração no mercado de trabalho formal, o saldo foi negativo, com fechamento de 618.164 vagas. A redução atingiu homens, com menos 348,4 mil postos, e mulheres, com queda de 269,7 mil empregos.

Entre os estados, as maiores retrações foram registradas em São Paulo, com saldo negativo de 224,2 mil vagas, seguido por Minas Gerais, com redução de 72,7 mil, e Paraná, com fechamento de 51 mil postos de trabalho.

No recorte por setores, todos os grandes grupamentos apresentaram desempenho negativo em dezembro, com destaque para Serviços, que perdeu 280,8 mil vagas, Indústria, com retração de 135 mil postos, e Construção, que registrou saldo negativo de 104 mil empregos.

◎ Salário médio real apresenta alta na comparação anual

No mesmo mês, o salário médio real de admissão foi de R$ 2.303,78, registrando leve redução em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2024, no entanto, o salário médio real apresentou crescimento de 2,55%, de acordo com os dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Fonte: Brasil 247

Governo do Paraná contrata B3 para leilão da Celepar sob questionamentos

Contratação ocorre antes de decisão final do TCE e em meio a alertas sobre riscos à proteção de dados

       Governo do Paraná contrata B3 para leilão da Celepar sob questionamentos (Foto: Divulgação)

O governo do Paraná avançou no processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) ao contratar a B3, operadora da Bolsa de Valores brasileira, para conduzir o leilão da estatal. A decisão foi tomada mesmo com a desestatização ainda sob análise no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e em um contexto de sucessivas contestações jurídicas e técnicas.

As informações foram divulgadas pela coluna Painel S.A., do jornal Folha de S.Paulo, que acompanha o tema desde o início do impasse envolvendo a venda da empresa pública de tecnologia, fundada em 1964 e considerada a primeira estatal de TI do país. A Celepar é responsável por serviços digitais estratégicos do governo paranaense, atendendo órgãos como o Detran e a Secretaria de Segurança Pública.

Segundo a reportagem, a gestão do governador Ratinho Jr. (PSD) justificou a contratação da B3 com base em uma decisão favorável obtida no TCE-PR. Na sexta-feira (23), o conselheiro Durval Amaral, em decisão monocrática, autorizou a retomada do processo de privatização após a Celepar apresentar documentos solicitados pela Corte de Contas. Antes mesmo de o plenário do tribunal referendar a decisão, o governo firmou o contrato com a B3 na terça-feira (27), ao custo de R$ 1,4 milhão.

O avanço ocorre após um histórico de questionamentos. Em setembro do ano passado, o conselheiro Sotero Costa determinou a suspensão da privatização, apontando “graves fragilidades” no processo, conforme relatório da área técnica do TCE-PR. Entre os problemas identificados estavam a falta de estudos sobre impactos financeiros e operacionais, a concentração de funções essenciais de tecnologia da informação na estatal, a dependência do governo em relação aos serviços prestados e a inexistência de uma política estadual de governança em tecnologias da informação e comunicação.

A decisão de Sotero Costa foi posteriormente confirmada pelo plenário do tribunal. No entanto, após a liberação concedida por Durval Amaral, o processo voltou a enfrentar obstáculos. Um dia depois da contratação da B3, o conselheiro Fábio Camargo solicitou formalmente a revisão da decisão que havia derrubado a liminar de suspensão. Segundo ele, houve falta de clareza no procedimento e risco de exposição de dados sigilosos.

A controvérsia extrapolou o âmbito estadual e chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em dezembro, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, pediu para ingressar como terceira interessada em uma ação direta de inconstitucionalidade que questiona a lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná autorizando a privatização da Celepar.

No parecer encaminhado ao STF, a ANPD alertou para “riscos jurídicos específicos e relevantes no que se refere à proteção de dados dos cidadãos paranaenses que devem ser considerados no contexto da eventual privatização da Celepar”. A agência destacou a possibilidade de aumento do risco de vazamento de dados pessoais sensíveis, em razão da transferência de atividades de processamento e armazenamento para operadores privados com padrões de segurança distintos.

O órgão também apontou o risco de uso indevido e de compartilhamento não autorizado de informações, além da “redução da capacidade do poder público de impor regras rígidas de segurança da informação, auditorias e políticas de privacidade”. Segundo a ANPD, a gestão de dados pessoais não pode ser transferida integralmente à iniciativa privada sem requisitos técnicos prévios, como relatórios de impacto, mapeamento das bases de dados e mecanismos adequados de governança.

Enquanto o debate segue no TCE-PR e no STF, o governo estadual mantém o cronograma de privatização, mesmo diante das incertezas jurídicas e das advertências sobre a segurança das informações sob responsabilidade da Celepar.

Fonte: Brasil 247 com informações da coluna Painel, da Folha de S. Paulo

Auditoria do BC sobre o Banco Master foca atuação da gestão Campos Neto

Auditoria interna investiga atos que antecederam a quebra do banco Master e se havia sinais para intervenção antecipada

Ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A investigação interna aberta no Banco Central (BC) voltou-se para a análise de decisões tomadas antes da liquidação do Banco Master e concentra-se na avaliação de atos praticados durante a gestão do então presidente da instituição, Roberto Campos Neto. A apuração busca esclarecer se havia elementos técnicos suficientes para que a intervenção tivesse ocorrido em momento anterior, o que poderia ter reduzido prejuízos expressivos ao sistema financeiro.

Segundo a coluna da jornalista Ana Flor, do G1, a principal linha de trabalho da auditoria contraria a tese apresentada por ex-gestores do banco investigado, segundo a qual a liquidação teria sido precipitada. Técnicos envolvidos na apuração consideram que existiam sinais que poderiam ter justificado a medida antes do agravamento da situação financeira.

◉ Auditoria revisita decisões anteriores à liquidação

A liquidação de uma instituição financeira é considerada uma medida extrema, aplicada apenas em situações graves. No caso do Master, a avaliação interna do BC aponta que a demora na adoção dessa providência pode ter ampliado os danos financeiros. Apenas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o impacto é estimado em quase R$ 50 bilhões, além de perdas registradas por fundos de pensão e outros investidores não protegidos pelo mecanismo de garantia.

Segundo a reportagem, a sindicância analisa todo o percurso regulatório envolvendo o banco. O trabalho inclui desde a autorização concedida pelo BC para a transferência do controle do banco Máxima para o Master, passando pelo processo de consolidação dessa operação — que levou cerca de dois anos — até a identificação de problemas de liquidez ao longo de 2024.

◉ Investigação dialoga com apurações do MPF

A investigação interna do BC ocorre paralelamente ao avanço das apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal no caso Master. Essas investigações externas apontam fortes indícios de dificuldades de liquidez e da venda de carteiras fictícias ainda em 2024, elementos que reforçaram a necessidade de uma reavaliação da atuação do órgão regulador no período.

A auditoria busca responder a esses desdobramentos e verificar se a supervisão exercida pelo BC foi compatível com os sinais de deterioração financeira apresentados pelo banco antes da decretação da liquidação extrajudicial.

◉ Declarações de Campos Neto antes da intervenção

Antes da liquidação do Master, Roberto Campos Neto se manifestou publicamente sobre o tema. Em entrevista à Globonews, em 27 de outubro, o então presidente do Banco Central afirmou que a negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Master, posteriormente vetada pelo BC, não foi tratada durante sua gestão.

“O tema da negociação com o BRB eu fiquei sabendo pelos jornais, eu não sabia até a minha saída do Banco Central, isso nunca tinha sido ventilado, eu fiquei sabendo depois”, afirmou Campos Neto. Na mesma entrevista, ele avaliou que o banco não representava um risco sistêmico, mas sim um risco de imagem para o sistema financeiro.

◉ Abertura da sindicância e afastamentos no BC

A abertura da sindicância foi determinada em novembro pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O processo é conduzido de forma independente, uma vez que a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira é considerada um ato grave e exige ampla documentação técnica. Após a instauração da investigação, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados de seus cargos. Até o momento, não há acusações formais contra eles.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

"Uma coisa é gratidão, outra coisa é submissão", diz Kassab sobre relação de Tarcísio e Bolsonaro

Líder do PSD diz que o governador de São Paulo tem estatura nacional e precisa construir identidade própria

      Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas (Foto: Reprodução/Facebook

O secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) precisa deixar clara a distinção entre reconhecimento político e submissão a Jair Bolsonaro (PL). Segundo Kassab, a postura de respeito adotada pelo governador é legítima, mas não pode impedir a construção de uma identidade política própria.

Em entrevista ao UOL, Kassab avaliou que a relação de gratidão com Bolsonaro deve ser acompanhada de autonomia e posicionamento claro. “Identidade significa ser bom caráter, ele tem que ser, evidentemente, reconhecido, tem que estar sempre mostrando qual foi a importância do ex-presidente Bolsonaro na sua carreira, na sua eleição de governador... Mas é fundamental que ele tenha a sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão”, disse Kassab.

☉ Diferença entre reconhecimento e submissão

De acordo com Kassab, desde o início do mandato, Tarcísio tem demonstrado consideração ao ex-presidente, a quem já classificou como “um grande líder”. Para o dirigente do PSD, esses gestos são importantes, mas não substituem a afirmação de independência política. “São muito importantes os gestos dele, as ações dele de reconhecimento, de gratidão, porque isso mostra caráter”, declarou.

☉ Identidade política e projeção nacional

Kassab destacou que o cargo ocupado por Tarcísio e o peso político de São Paulo projetam o governador como uma liderança nacional em potencial. Para ele, essa condição exige posicionamento próprio. “Uma personalidade como ele, que é governador de São Paulo, que legitimamente tem as pretensões de comandar o País um dia, e, se não tem, muita gente no Brasil quer que ele tenha, precisa mostrar que tem a sua identidade”, afirmou.

☉ Impacto da desistência presidencial

As declarações ocorrem após a decisão de Tarcísio de Freitas de não disputar a Presidência da República neste ano. Kassab havia manifestado publicamente apoio à eventual candidatura do governador, mas a desistência veio após o ex-mandatário indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para disputar a corrida presidencial.

☉ Novo cenário eleitoral no PSD

Com a saída de Tarcísio do cenário nacional, o Partido Social Democrático passou a trabalhar com outros nomes como possíveis candidatos ao Palácio do Planalto: Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul; Ronaldo Caiado, governador de Goiás; e Ratinho Jr., governador do Paraná. Caso a estratégia se concretize, será a primeira vez que o PSD lançará uma candidatura própria à Presidência da República.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL