Auditoria interna investiga atos que antecederam a quebra do banco Master e se havia sinais para intervenção antecipada
A investigação interna aberta no Banco Central (BC) voltou-se para a análise de decisões tomadas antes da liquidação do Banco Master e concentra-se na avaliação de atos praticados durante a gestão do então presidente da instituição, Roberto Campos Neto. A apuração busca esclarecer se havia elementos técnicos suficientes para que a intervenção tivesse ocorrido em momento anterior, o que poderia ter reduzido prejuízos expressivos ao sistema financeiro.
Segundo a coluna da jornalista Ana Flor, do G1, a principal linha de trabalho da auditoria contraria a tese apresentada por ex-gestores do banco investigado, segundo a qual a liquidação teria sido precipitada. Técnicos envolvidos na apuração consideram que existiam sinais que poderiam ter justificado a medida antes do agravamento da situação financeira.
◉ Auditoria revisita decisões anteriores à liquidação
A liquidação de uma instituição financeira é considerada uma medida extrema, aplicada apenas em situações graves. No caso do Master, a avaliação interna do BC aponta que a demora na adoção dessa providência pode ter ampliado os danos financeiros. Apenas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o impacto é estimado em quase R$ 50 bilhões, além de perdas registradas por fundos de pensão e outros investidores não protegidos pelo mecanismo de garantia.
Segundo a reportagem, a sindicância analisa todo o percurso regulatório envolvendo o banco. O trabalho inclui desde a autorização concedida pelo BC para a transferência do controle do banco Máxima para o Master, passando pelo processo de consolidação dessa operação — que levou cerca de dois anos — até a identificação de problemas de liquidez ao longo de 2024.
◉ Investigação dialoga com apurações do MPF
A investigação interna do BC ocorre paralelamente ao avanço das apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal no caso Master. Essas investigações externas apontam fortes indícios de dificuldades de liquidez e da venda de carteiras fictícias ainda em 2024, elementos que reforçaram a necessidade de uma reavaliação da atuação do órgão regulador no período.
A auditoria busca responder a esses desdobramentos e verificar se a supervisão exercida pelo BC foi compatível com os sinais de deterioração financeira apresentados pelo banco antes da decretação da liquidação extrajudicial.
◉ Declarações de Campos Neto antes da intervenção
Antes da liquidação do Master, Roberto Campos Neto se manifestou publicamente sobre o tema. Em entrevista à Globonews, em 27 de outubro, o então presidente do Banco Central afirmou que a negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Master, posteriormente vetada pelo BC, não foi tratada durante sua gestão.
“O tema da negociação com o BRB eu fiquei sabendo pelos jornais, eu não sabia até a minha saída do Banco Central, isso nunca tinha sido ventilado, eu fiquei sabendo depois”, afirmou Campos Neto. Na mesma entrevista, ele avaliou que o banco não representava um risco sistêmico, mas sim um risco de imagem para o sistema financeiro.
◉ Abertura da sindicância e afastamentos no BC
A abertura da sindicância foi determinada em novembro pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O processo é conduzido de forma independente, uma vez que a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira é considerada um ato grave e exige ampla documentação técnica. Após a instauração da investigação, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados de seus cargos. Até o momento, não há acusações formais contra eles.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1
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