Ricardo Mansano diz que auditor admitiu ter acessado dados sigilosos, mas nega vazamento de informações
O auditor fiscal Ricardo Mansano admitiu ter acessado dados de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informou o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral. De acordo com ele, o acesso ocorreu, mas não houve qualquer vazamento de informações.Segundo o jornal O Globo, Cabral afirmou que o servidor não ultrapassou a tela inicial do sistema da Receita Federal e que não há registro de extração ou divulgação de dados relacionados à familiar do ministro.
◆ Operação da PF e investigação sobre vazamento
Ricardo Mansano foi um dos quatro servidores públicos alvos de operação da Polícia Federal que apura suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do STF e de seus familiares. A investigação teve início após auditoria interna da Receita identificar indícios de acessos irregulares a informações fiscais.
Segundo Cabral, Mansano reconheceu o acesso e classificou a própria conduta como “burrice” e uma “ideia cretina”. Ainda assim, o presidente da Unafisco sustenta que não houve vazamento e que o caso não estaria ligado ao foco principal da apuração conduzida no Supremo.
O dirigente explicou que o servidor teria realizado a consulta em novembro do ano passado, após a publicação de uma reportagem, com o objetivo de verificar se Maria Carolina era esposa de um ex-colega de Cuiabá. A busca teria retornado documentos antigos, de 2008, e não avançado além da primeira tela do sistema.
“Os sistemas da Receita mostram tudo que a pessoa fez. Não dá para ter dúvida se olhou, se printou, se mandou imprimir, quantos segundos ficou em cada tela, tudo isso a Receita guarda e registra para uma futura apuração. Mas existe algum dado vazado dessa pessoa (Maria Carolina)? Não. Então não tem nada a ver com essa história”, declarou Cabral. “Ricardo caiu de gaiato nesse navio furado aí, infelizmente”, acrescentou.
◆ Críticas às medidas determinadas pelo STF
O presidente da Unafisco também questionou o pedido feito pelo ministro do STF Alexandre de Moraes à Receita Federal para apurar possíveis vazamentos envolvendo ministros e familiares, lista que, segundo ele, incluiria cerca de 100 pessoas. Para Cabral, a amplitude da solicitação aumenta o risco de ocorrência de “falso positivo”.
“Na hora que você pega uma grande quantidade de pessoas, de tempo e de maneira aberta, caiu numa rede, entendeu? E podem não ter nada a ver com nada. O Ricardo eu sei que não tem, porque o parente do Gilmar não tem nada a ver com vazamento nenhum”, afirmou.
Embora reconheça que o acesso indevido possa resultar em procedimento disciplinar, Cabral considera desproporcionais as medidas cautelares impostas aos investigados. Os quatro servidores foram afastados dos cargos, tiveram passaportes cancelados, estão submetidos a recolhimento noturno e utilizam tornozeleira eletrônica.
“A nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo, criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado”, disse. Em seguida, acrescentou: “A nossa percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito desproporcionais.”
◆ Receita confirma auditoria em andamento
Cabral também afirmou que operações dessa natureza podem gerar receio entre auditores ao investigar autoridades politicamente expostas. “A atividade de maior risco na receita é investigar altas autoridades, ninguém está fazendo isso. Porque é um risco de retaliação gigantesco”, declarou.
O presidente da Unafisco criticou ainda o repasse de informações ao STF antes da conclusão da apuração interna. Em nota citada por O Globo, a Receita Federal informou que a auditoria segue em andamento, mas que “os desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF”.
De acordo com a reportagem, a defesa de Ricardo Mansano foi procurada, mas não se pronunciou sobre o caso.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário