quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

"Não passou da tela inicial", diz presidente da Unafisco sobre auditor que acessou dados de enteada de Gilmar Mendes

Ricardo Mansano diz que auditor admitiu ter acessado dados sigilosos, mas nega vazamento de informações

Receita Federal (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O auditor fiscal Ricardo Mansano admitiu ter acessado dados de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informou o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral. De acordo com ele, o acesso ocorreu, mas não houve qualquer vazamento de informações.Segundo o jornal O Globo, Cabral afirmou que o servidor não ultrapassou a tela inicial do sistema da Receita Federal e que não há registro de extração ou divulgação de dados relacionados à familiar do ministro.

◆ Operação da PF e investigação sobre vazamento

Ricardo Mansano foi um dos quatro servidores públicos alvos de operação da Polícia Federal que apura suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do STF e de seus familiares. A investigação teve início após auditoria interna da Receita identificar indícios de acessos irregulares a informações fiscais.

Segundo Cabral, Mansano reconheceu o acesso e classificou a própria conduta como “burrice” e uma “ideia cretina”. Ainda assim, o presidente da Unafisco sustenta que não houve vazamento e que o caso não estaria ligado ao foco principal da apuração conduzida no Supremo.

O dirigente explicou que o servidor teria realizado a consulta em novembro do ano passado, após a publicação de uma reportagem, com o objetivo de verificar se Maria Carolina era esposa de um ex-colega de Cuiabá. A busca teria retornado documentos antigos, de 2008, e não avançado além da primeira tela do sistema.

“Os sistemas da Receita mostram tudo que a pessoa fez. Não dá para ter dúvida se olhou, se printou, se mandou imprimir, quantos segundos ficou em cada tela, tudo isso a Receita guarda e registra para uma futura apuração. Mas existe algum dado vazado dessa pessoa (Maria Carolina)? Não. Então não tem nada a ver com essa história”, declarou Cabral. “Ricardo caiu de gaiato nesse navio furado aí, infelizmente”, acrescentou.

◆ Críticas às medidas determinadas pelo STF

O presidente da Unafisco também questionou o pedido feito pelo ministro do STF Alexandre de Moraes à Receita Federal para apurar possíveis vazamentos envolvendo ministros e familiares, lista que, segundo ele, incluiria cerca de 100 pessoas. Para Cabral, a amplitude da solicitação aumenta o risco de ocorrência de “falso positivo”.

“Na hora que você pega uma grande quantidade de pessoas, de tempo e de maneira aberta, caiu numa rede, entendeu? E podem não ter nada a ver com nada. O Ricardo eu sei que não tem, porque o parente do Gilmar não tem nada a ver com vazamento nenhum”, afirmou.

Embora reconheça que o acesso indevido possa resultar em procedimento disciplinar, Cabral considera desproporcionais as medidas cautelares impostas aos investigados. Os quatro servidores foram afastados dos cargos, tiveram passaportes cancelados, estão submetidos a recolhimento noturno e utilizam tornozeleira eletrônica.

“A nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo, criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado”, disse. Em seguida, acrescentou: “A nossa percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito desproporcionais.”

◆ Receita confirma auditoria em andamento

Cabral também afirmou que operações dessa natureza podem gerar receio entre auditores ao investigar autoridades politicamente expostas. “A atividade de maior risco na receita é investigar altas autoridades, ninguém está fazendo isso. Porque é um risco de retaliação gigantesco”, declarou.

O presidente da Unafisco criticou ainda o repasse de informações ao STF antes da conclusão da apuração interna. Em nota citada por O Globo, a Receita Federal informou que a auditoria segue em andamento, mas que “os desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF”.

De acordo com a reportagem, a defesa de Ricardo Mansano foi procurada, mas não se pronunciou sobre o caso.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário