Secretário do Tesouro, Scott Bessent, diz que medida pode ocorrer já na próxima semana e envolver FMI e Banco Mundial
Os Estados Unidos avaliam retirar novas sanções econômicas impostas à Venezuela já na próxima semana, como parte de uma estratégia para facilitar a retomada das vendas de petróleo do país sul-americano. A informação foi divulgada neste sábado (10) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, as informações são da agência Reuters.
Segundo Bessent, a possível flexibilização das sanções ocorre após a retomada do comércio petrolífero entre os dois países, interrompido desde a ruptura das relações diplomáticas. Ele afirmou que o governo dos EUA estuda medidas para destravar mecanismos financeiros e comerciais que hoje dificultam a circulação de recursos provenientes da venda do petróleo venezuelano.
As sanções americanas em vigor proíbem bancos internacionais e credores de negociar com o governo da Venezuela sem autorização específica. De acordo com instituições financeiras, essas restrições são um dos principais entraves para a reestruturação da dívida venezuelana, estimada em cerca de US$ 150 bilhões, considerada essencial para atrair novamente capital privado ao país.
Em entrevista à Reuters, Scott Bessent afirmou que quase US$ 5 bilhões em ativos monetários da Venezuela, atualmente congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI) na forma de Direitos Especiais de Saque (SDRs), poderiam ser utilizados para apoiar a reconstrução da economia venezuelana. O secretário também disse que o Tesouro dos EUA analisa mudanças para facilitar a repatriação das receitas obtidas com a venda de petróleo, que hoje permanecem, em grande parte, armazenadas em navios.
“Como podemos ajudar isso a voltar para a Venezuela, para manter o governo, os serviços de segurança e chegar ao povo venezuelano?”, afirmou Bessent à Reuters, sem detalhar quais medidas práticas estão em estudo.
De acordo com o secretário, ele pretende se reunir com autoridades do FMI e do Banco Mundial para discutir a retomada das relações comerciais com a Venezuela. Bessent afirmou ainda acreditar que empresas privadas menores tendem a retornar rapidamente ao setor de petróleo venezuelano, diante da perspectiva de flexibilização das restrições.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que grandes companhias petrolíferas invistam pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela como forma de ampliar a influência americana na região. Executivos do setor, no entanto, demonstraram cautela. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que o país é atualmente “ininvestível”. “Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, declarou.
“Estamos confiantes de que, com esta administração e o presidente Trump, trabalhando lado a lado com o governo venezuelano, essas mudanças podem ser implementadas”, acrescentou Woods. Já o vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, disse que a empresa permanece comprometida com investimentos na Venezuela, sendo atualmente a única grande petroleira dos EUA ainda em operação no país.
Após a retirada de Nicolás Maduro do poder, o comércio de petróleo entre EUA e Venezuela foi retomado sob forte controle americano. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, toda a receita obtida com as vendas será inicialmente depositada em contas controladas pelo governo norte-americano em bancos reconhecidos internacionalmente.
“Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, informou o Departamento de Energia. De acordo com o órgão, os recursos ficarão sob controle dos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que ocorrerá “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Na última terça-feira (6), Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano retidos em razão do bloqueio imposto por Washington. Segundo o Departamento de Energia, as vendas começaram “imediatamente” e devem continuar por tempo indeterminado. O presidente afirmou que o petróleo será comercializado a preço de mercado e que os recursos serão controlados pelo governo americano.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, declarou Trump. O volume corresponde a aproximadamente dois meses da produção atual da Venezuela.
Desde dezembro, milhões de barris de petróleo venezuelano permanecem estocados em navios e tanques, sem possibilidade de exportação, em razão do bloqueio imposto pelos EUA. Nesta semana, autoridades americanas apreenderam um petroleiro vazio de bandeira russa, com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, como parte da estratégia de controle do fluxo de petróleo na região.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia, volume bem abaixo do potencial do país, devido às sanções econômicas e à deterioração da infraestrutura do setor.
Fonte: Brasil 247 com informações da agência Reuters
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