quinta-feira, 7 de maio de 2026

“Trump não terá qualquer influência nas eleições brasileiras”, diz Lula

Presidente afirma que disputa no Brasil será decidida pelo povo e rejeita interferência estrangeira após encontro com líder dos EUA

                  Lula, Donald Trump e as delegações em Washington (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que Donald Trump não terá “qualquer influência nas eleições brasileiras” e defendeu que a escolha do futuro político do país cabe exclusivamente ao povo brasileiro. A declaração foi dada após reunião com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, em um encontro que também tratou de comércio, tarifas, crime organizado e minerais críticos.

Ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de interferência de Trump na política nacional, Lula afirmou que não considera legítimo que presidentes estrangeiros tentem influenciar processos eleitorais de outros países. O presidente brasileiro relacionou o tema à defesa da soberania nacional e disse que qualquer disputa interna deve ser resolvida apenas pelos eleitores brasileiros.

“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu. Porque eu ganhei as eleições”, disse Lula.

O presidente afirmou ainda que a soberania eleitoral do Brasil não será colocada em discussão em reuniões internacionais. Segundo Lula, a relação entre chefes de Estado deve partir do respeito mútuo aos mandatos conferidos pelas populações de cada país.

“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque quem vota é o povo brasileiro”, declarou.

Lula também foi questionado se havia tratado com Trump da eleição brasileira prevista para o fim do ano e sobre eventual apoio do presidente estadunidense a setores da oposição. O presidente descartou a hipótese de discutir o tema com qualquer liderança estrangeira.

“Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Esse é um assunto brasileiro”, afirmou.

➧ Soberania como limite da relação bilateral
Apesar da ênfase na boa relação construída com Trump, Lula deixou claro que democracia e soberania são pontos fora de negociação. O presidente disse que o Brasil está aberto a conversar com os Estados Unidos sobre qualquer tema de interesse bilateral, mas ressaltou que decisões políticas internas pertencem exclusivamente ao país.

“A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou.

Para Lula, a eventual tentativa de um presidente estrangeiro de interferir em eleições de outro país contraria princípios básicos de convivência democrática entre nações. Ele afirmou que o respeito à autodeterminação dos povos deve orientar a relação entre Brasil e Estados Unidos.

“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, disse.

O presidente acrescentou que essa posição vale também para o Brasil em relação aos Estados Unidos. Lula afirmou reconhecer Trump como presidente eleito pelo povo norte-americano e disse que não cabe ao governo brasileiro questionar a decisão dos eleitores dos EUA.

“O meu respeito ao presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. E só pelo fato de ele ter sido eleito pelo povo americano, não cabe a mim questionar”, afirmou.

➧ Relação com Trump
Mesmo ao rejeitar qualquer influência externa sobre a política brasileira, Lula avaliou positivamente a relação com Trump. Segundo ele, o diálogo entre os dois evoluiu desde o primeiro contato, durante a Assembleia Geral da ONU, passando por telefonemas e por um encontro anterior na Malásia.

“A nossa relação é muito boa, mas muito boa. Eu diria uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez”, afirmou.

Lula disse acreditar que Trump gosta do Brasil e demonstrou interesse em fortalecer acordos com os Estados Unidos. O presidente brasileiro defendeu que a relação bilateral avance em áreas como comércio, investimentos, infraestrutura e transição energética, desde que respeitados os interesses nacionais.

“Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. E por isso eu quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse em fazer os melhores acordos com os Estados Unidos”, disse.

➧ Comércio e tarifas também entraram na pauta
A reunião também abordou divergências comerciais entre os dois países. Lula afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir tarifas e apresentar uma proposta em até 30 dias. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos precisam tratar o tema de forma objetiva, com metas e prazos definidos.

“Quem tiver errado vai ceder. Se alguém tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.

Questionado sobre o risco de novas tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros, Lula disse estar otimista. O presidente afirmou que há divergências entre os dados apresentados pelos dois governos, mas defendeu que o diálogo técnico pode destravar o impasse.

“Olhe para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse.

➧ Democracia e diálogo
Lula afirmou que a boa relação entre Brasil e Estados Unidos pode servir como exemplo internacional por envolver as duas maiores democracias do hemisfério. O presidente disse que a aproximação com Trump não elimina diferenças, mas permite que temas sensíveis sejam discutidos diretamente.

Segundo Lula, o Brasil está preparado para tratar de qualquer assunto com qualquer país, desde que a conversa preserve os princípios democráticos e a soberania nacional.

“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. Nós não temos veto, não tem assunto proibido”, afirmou.

Fonte: Brasil 247

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