Romeu Zema tem insistido em expor sua burrice. O exemplo mais gritante é a defesa do trabalho infantil. Ele usa histórias pessoais e comparações esdrúxulas com os EUA, mas ignora que, no Brasil, esse tema está ligado à evasão escolar e à desigualdade, não a uma “formação de caráter” romantizada.
O mesmo vale para a promessa de “privatizar tudo”. É uma frase de efeito forte para agradar o mercado. Tudo é tudo e nada é nada, dizia Tim Maia. Na previdência, a lógica se repete: fala em aumentar tempo de contribuição e segurar benefícios, mas sem detalhar quem paga essa conta.
Zema é o padre Kelmon de Flávio Bolsonaro.
Em 2022, o candidato-padre, nas palavras imortais de Soraya Thronicke, não estava ali para ganhar. Ele serviu como linha auxiliar de Jair Bolsonaro: radicalizava o discurso, criava cortinas de fumaça e ajudava a empurrar o debate para um terreno baldio bom para o fascista.
Zema cumpre função parecida hoje, só que para Flávio.
Quando o ex-governador de Minas Gerais dispara uma groselha e viraliza, Flávio aparece com um discurso menos tosco (ainda que na mesma direção) e soa mais razoável do que realmente é. Perto do jumento Zema, ele é “moderado”.
Isso não é novidade em política. Funciona assim: um ator puxa o discurso para o extremo da estupidez; outro ocupa o “meio-termo” dentro desse novo eixo; o eleitor passa a enxergar esse segundo como alternativa.
A questão central não é se Zema tem chance real de ganhar. É outra: para que ele está sendo útil agora? Assim como o Padre Kelmon em 2022, ele gera barulho, ocupa espaço no debate, testa narrativas mais radicais e protege ou suaviza a imagem de outro candidato.
Zema é uma piada, mas é útil para Flávio Bolsonaro.
Fonte: DCM
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