segunda-feira, 18 de maio de 2026

PL convoca reunião com Flávio Bolsonaro e bancadas em meio à crise do caso Vorcaro

Partido tenta conter desgaste após pedido do senador para que o dono do Banco Master financiasse filme ligado a Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/ Banco Master/Divulgação/Montagem/IA- Dall E)

O PL convocou para esta terça-feira (19) uma reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e parlamentares das bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em meio à crise provocada pela divulgação de mensagens sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção ligada a Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o jornal O Globo, o encontro marca a primeira grande articulação interna da legenda desde que vieram à tona conversas em que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

◈ Cúpula do PL busca alinhamento político
Antes da reunião ampliada com deputados e senadores, Flávio já havia realizado encontros reservados com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que deve coordenar sua campanha presidencial, e também com Jair Bolsonaro.

A avaliação dentro do partido é de que o momento exige alinhamento político e definição de estratégias diante do desgaste gerado pelo caso. A crise ganhou força após o portal Intercept Brasil divulgar mensagens, áudios e documentos que apontariam negociações para o financiamento do filme Dark Horse. Segundo a publicação, o acordo previa aportes de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões.

◈ Aliados criticam condução da crise
A forma como Flávio Bolsonaro respondeu às denúncias passou a ser alvo de críticas dentro do próprio campo bolsonarista. Integrantes próximos ao senador avaliam que ele tem se pronunciado de maneira precipitada, o que teria provocado falas consideradas contraditórias.

Um dos episódios mais citados nos bastidores foi a mudança de versão sobre o pedido de recursos a Daniel Vorcaro. Inicialmente, Flávio negou ter solicitado dinheiro ao empresário, mas depois admitiu o contato relacionado ao financiamento do projeto audiovisual.

Outro ponto de desgaste envolveu o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ligado à produção do filme. Enquanto Flávio reconhecia o pedido de recursos, Frias negava que Vorcaro tivesse financiado o longa.

Posteriormente, o deputado afirmou que sua negativa dizia respeito ao envolvimento pessoal do empresário como pessoa física. Segundo a reportagem do Intercept, entretanto, a empresa Entre Investimentos e Participações teria sido utilizada para fazer os repasses ao projeto.

◈ Bolsonaristas apontam falhas de comunicação
A repercussão do caso gerou críticas públicas dentro do próprio bolsonarismo. O influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro , questionou a estratégia de comunicação adotada por Flávio em entrevista à GloboNews.

“Por que ele decide ir na TV em frente a alguns dos jornalistas mais hostis (e até preparados) do Brasil sobre um assunto que ele não domina, escapa ao meu entendimento. Mas ele é o candidato, tem que fazer as coisas do jeito que acha que tem que fazer. Aos amigos e apoiadores cabe aconselhar e apoiar. Repito apenas que não temos um problema jurídico, mas de comunicação e política”, afirmou Paulo Figueiredo.

Eduardo Bolsonaro também fez críticas semelhantes durante uma transmissão ao vivo realizada no domingo. “A gente demora um pouco para responder porque não podemos dar uma resposta qualquer, senão vamos cair em contradição, em falta de informação completa, o que é um prato cheio para nossos inimigos”, declarou o deputado.

◈ PF investiga destino de recursos do filme
Nos bastidores, aliados também demonstraram insatisfação com a ausência do publicitário Marcello Lopes, escolhido para comandar a comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro. Lopes está em férias nos Estados Unidos, situação que gerou questionamentos dentro do grupo político.

Em resposta às críticas, Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência durante o governo Bolsonaro, minimizou o episódio nas redes sociais. “É o 01 da campanha e conforme combinado com o cliente (Flavio) e todos os demais envolvidos ele assumirá a partir de 01/06”, escreveu.

A crise também afetou as negociações políticas em torno da possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Partidos como Republicanos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, passaram a adotar cautela nas conversas sobre eventual apoio e avaliam até mesmo permanecer neutros na disputa presidencial.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga se recursos ligados ao filme teriam sido utilizados para outras finalidades, entre elas o custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado nega qualquer irregularidade.

Fonte: Brasil 247 com informações dojornal O Globo

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