segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que são as terras raras negociadas por Lula e Trump


Os presidentes dos EUA, Donald Trump e do Brasil, Lula, durante encontro na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert/PR

As chamadas terras raras, negociadas pelos presidentes do Brasil, Lula, e dos Estados Unidos, Donald Trump, ganharam importância estratégica no mundo por serem fundamentais para tecnologias modernas, como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, chips e equipamentos militares. Apesar do nome, elas fazem parte de um grupo de 17 elementos químicos encontrados na crosta terrestre.

O Brasil possui a segunda maior reserva do planeta, atrás apenas da China. Elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio são considerados essenciais porque possuem propriedades magnéticas e elétricas difíceis de substituir.

Eles permitem fabricar motores mais leves, telas mais eficientes e baterias de alto desempenho. Especialistas descrevem esses minerais como “vitaminas da indústria tecnológica”, já que pequenas quantidades garantem grande eficiência energética e tecnológica.

Embora existam reservas em vários países, o desafio está no processamento industrial. As terras raras aparecem misturadas nas rochas e possuem comportamento químico parecido, exigindo dezenas ou até centenas de etapas de separação. O processo utiliza ácidos, infraestrutura sofisticada e controle de resíduos tóxicos e radioativos, o que encarece a produção e amplia os riscos ambientais.

Atualmente, a China domina cerca de 90% do processamento mundial desses minerais. Isso transformou o setor em peça central da disputa comercial e tecnológica com os Estados Unidos. O governo americano busca reduzir a dependência chinesa e vê o Brasil como parceiro estratégico para garantir acesso aos recursos.

Amostras de terras raras: Óxido de cério, Bastnasita, óxido de neodímio e carbonato de lantânio. Foto: David Becker/Reuters
O interesse internacional nas reservas brasileiras cresceu após discussões no Congresso Nacional e conversas entre Lula e Trump. O petista afirmou recentemente que espera ampliar projetos conjuntos com os EUA ligados às terras raras, em vez de aprofundar disputas entre Washington e Pequim.

O Brasil reúne condições geológicas consideradas raras. Regiões de Minas Gerais e Goiás concentram jazidas importantes formadas por antigas atividades vulcânicas e pelo desgaste provocado pelo clima tropical ao longo de milhões de anos. Pesquisadores também destacam a existência de argilas iônicas, consideradas mais fáceis de explorar industrialmente.

Apesar da abundância mineral, o país ainda tem dificuldades para transformar as reservas em produtos de alto valor agregado. O Brasil possui capacidade de mineração, mas ainda depende de outros países para etapas industriais como refino, purificação e fabricação de componentes tecnológicos.

Para tentar mudar esse cenário, a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência a criação da Política Nacional para Exploração de Minerais Críticos. O projeto prevê até R$ 5 bilhões para incentivar empresas que tragam tecnologia de processamento ao país. A proposta busca ampliar a industrialização nacional e reduzir a dependência estrangeira no setor.

Fonte: DCM

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