A empresa Conhecer Brasil Assessoria Produção e Marketing Cultural, comandada por Karina da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, atuou na campanha eleitoral de Mario Frias (PL-SP) em 2022. Na época, a empresa recebeu R$ 54 mil por serviços de assessoria de imprensa prestados ao então candidato a deputado federal.
Segundo o Globo, os pagamentos mostram que a relação entre Frias e integrantes da produtora antecede as revelações recentes sobre o financiamento do longa-metragem por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Além dos contratos eleitorais, Wemerson da Gama, secretário-executivo da ONG Instituto Conhecer Brasil, dirigida por Karina, prestou serviços ao gabinete de Frias na Câmara entre abril de 2023 e agosto de 2024. No período, sua empresa recebeu R$ 115,6 mil por serviços de tecnologia.
Frias também indicou duas emendas que somam R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. A ONG, também comandada por Karina, recebeu ao menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo por um contrato de Wi-Fi público, agora investigado pela Polícia Civil por supostas irregularidades na execução.

Ao G1, Karina admitiu que Vorcaro bancou mais de 90% do filme e disse que o orçamento já realizado está em cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65 milhões.
Vorcaro, preso por envolvimento nas fraudes relacionadas ao banco, comprometeu-se a repassar cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, segundo reportagem do Intercept Brasil. Áudios divulgados pelo site mostraram Flávio cobrando o ex-banqueiro.
Na terça-feira (19), o Intercept revelou que Frias agradeceu a Vorcaro, por WhatsApp, pelo apoio ao filme “Dark Horse”. A mensagem foi enviada em 11 de dezembro de 2024, às 18h24. “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”, disse Frias.
Na troca de mensagens, após o agradecimento, Vorcaro respondeu: “Eu to numa ligação te chamo em seguida”. Frias, então, escreveu: “Blz”. Às 19h06, os dois conversaram por ligação de voz por cerca de dois minutos.
Quando as primeiras mensagens de Flávio vieram a público, Frias afirmou que o filme não havia recebido um “único centavo” do banqueiro. A declaração entrou em choque com a admissão posterior de Flávio Bolsonaro, que reconheceu que o longa recebeu recursos de Vorcaro.
A obra, que retrata a campanha presidencial de 2018 de Jair Bolsonaro, teria recebido R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro. Flávio confirmou as tratativas, mas afirmou que não houve “favores em troca”. Na terça-feira, o senador também admitiu que visitou Vorcaro no fim do ano passado, na casa do executivo em São Paulo, quando ele cumpria medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Fonte: DCM com informações do jornal O Globo e do G1
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