A crise provocada pela divulgação de áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse” interrompeu uma tentativa de reaproximação entre o senador e Michelle Bolsonaro. Os dois estavam afastados desde o atrito público envolvendo a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes no Ceará.
Em novembro do ano passado, Michelle criticou a composição política no estado e foi desautorizada por Flávio. O senador chamou a ex-primeira-dama de “autoritária” e disse que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que havia autorizado a aliança. Depois, ele pediu desculpas em privado, mas Michelle queria uma retratação pública.
Nos bastidores, interlocutores dos dois lados vinham tentando reconstruir a relação, segundo o Globo. O primeiro aceno ocorreu em 30 de abril, quando Michelle desejou “feliz aniversário” a Flávio nas redes sociais, no dia em que o senador completou 45 anos. A etapa seguinte seria uma manifestação pública de apoio à pré-candidatura dele ao Palácio do Planalto.
O roteiro, porém, foi abortado após as reportagens do Intercept Brasil revelarem áudios em que Flávio cobra Vorcaro por repasses ao filme sobre Jair Bolsonaro. Depois da repercussão, o senador reconheceu que R$ 61 milhões foram recebidos por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Na terça-feira (19), Michelle foi questionada sobre o caso Master ao participar do lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal. Ela evitou defender o enteado. “[Sobre] Flávio, você tem que perguntar para ele”, respondeu, sorrindo. Em seguida, completou: “Estou cuidando do meu marido e, quando consigo conciliar a agenda, eu participo de eventos como esse”.
A reação pública foi considerada branda por aliados, mas interlocutores afirmam que Michelle tem demonstrado irritação nos bastidores. Segundo relatos, ela diz que nem ela nem Jair Bolsonaro sabiam do envolvimento de Flávio com Vorcaro. “Flávio virou um candidato tóxico, radioativo”, afirmou um interlocutor da ex-primeira-dama ao blog, em caráter reservado.
A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro é marcada por tensão e desconfiança. Lideranças evangélicas próximas à ex-primeira-dama dizem que ela ainda guarda mágoa por não ter sido escolhida como vice em uma eventual chapa com Tarcísio de Freitas, embora ela negue essa versão a pessoas próximas.
Com o desgaste de Flávio, lideranças do Centrão passaram a discutir nos bastidores uma possível chapa com Tereza Cristina (PP-MS) na cabeça e Michelle como vice. O arranjo manteria o sobrenome Bolsonaro na disputa presidencial, mas em posição secundária.
A ausência de Michelle na pré-campanha também preocupa aliados porque ela é vista como peça importante para reduzir a rejeição de Flávio entre mulheres. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 19 de maio mostra Lula com 50,1% no eleitorado feminino, contra 35,2% de Flávio. Entre homens, a distância é menor: 43,3% para Lula e 33,3% para o senador.
Fonte: DCM com informações do jornal O Globo
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