Ministra diz que São Paulo precisa de visão estratégica, critica avanço do marco temporal e afirma que transição ecológica é oportunidade para o Brasil
A ministra Marina Silva defendeu, em entrevista à TV 247, a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo e afirmou que o estado “precisa de alguém com visão estratégica” para enfrentar desigualdades, violência contra mulheres, desafios ambientais e a necessidade de uma nova economia sustentável.
Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Marina também falou sobre sua possível candidatura ao Senado por São Paulo, a importância da reeleição do presidente Lula, a defesa da democracia, o papel do Supremo Tribunal Federal, o marco temporal, mineração, Margem Equatorial e os riscos da crise climática.
Segundo Marina, a discussão sobre a chapa ao Senado ainda está em curso. “Nós estamos fazendo essa discussão liderados pelo nosso pré-candidato ao governo, ex-ministro Fernando Haddad”, afirmou. Ela citou também Simone Tebet e Márcio França como nomes colocados para a disputa.
A ministra disse que a prioridade é construir uma frente capaz de eleger Haddad governador e garantir a continuidade do governo Lula. “Com certeza até o final desse mês haveremos de concluir esse processo”, afirmou.
☆ Haddad e os desafios de São Paulo
Marina avaliou que Haddad parte de uma base competitiva, mas ressaltou que uma campanha não pode subestimar adversários. “Uma das coisas fundamentais em uma campanha é não subestimar o adversário e trabalhar com todo o afinco para conseguir o resultado que a gente deseja alcançar”, disse.
Ela afirmou que São Paulo deve ser tratado como centro estratégico do desenvolvimento nacional. “São Paulo é um centro dinamizador, é um catalisador do desenvolvimento do Brasil e precisa de alguém com visão estratégica”, declarou.
A ministra também destacou que o estado, apesar de rico, convive com graves desigualdades sociais e aumento da violência contra mulheres. Segundo ela, Haddad teria compromisso com uma política de segurança que leve em conta diferentes dimensões, incluindo o feminicídio.
☆ Senado, democracia e Supremo
Ao comentar a eleição para o Senado, Marina afirmou que a disputa será estratégica para a democracia. Segundo ela, há ameaças constantes à independência dos poderes, especialmente contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
“O Senado é o espaço que inspira esse cuidado, porque é exatamente ali que corre o risco”, disse. Para Marina, é necessário eleger uma maioria “comprometida com a democracia, além da democracia comprometida com a nossa soberania e comprometida com a autonomia dos poderes”.
Sobre o Judiciário, ela defendeu modernização, mas ressaltou sua importância em temas como direitos indígenas e proteção ambiental. “Eu defendo que a gente possa ter uma modernização, sim, do poder judiciário, em que ele cada vez mais possa criar vínculos com o interesse da sociedade”, afirmou.
☆ Marco temporal e direitos indígenas
Marina criticou duramente o marco temporal para demarcação de terras indígenas. Para ela, a tese tenta passar por cima da Constituição.
“O marco temporal é uma tentativa de passar por cima do ganho constitucional que estabelece o princípio da originalidade dos povos indígenas em relação aos seus territórios”, afirmou.
Ela destacou a contradição de se exigir que os povos indígenas comprovem ocupação apenas a partir de 1988. “Os indígenas já estavam aqui quando os portugueses chegaram e para eles só será considerado após a promulgação da Constituição de 88”, disse.
☆ Mineração, Amazônia e licenciamento
Questionada sobre mineração na Amazônia, Marina afirmou que não pode haver mineração em terras indígenas sob o marco legal atual. “Dentro das terras indígenas não pode haver qualquer ação de mineração pelo marco legal que nós temos hoje”, declarou.
A ministra também defendeu rigor no licenciamento ambiental, especialmente em atividades de alto risco. “Eu sempre digo que não é só dizer o que não pode, é estabelecer o como pode da forma correta”, afirmou. Segundo ela, quando não há segurança técnica, a licença deve ser negada.
Marina citou como exemplo a transposição do São Francisco, licenciada durante sua gestão no primeiro governo Lula. Ela afirmou que o processo foi conduzido com transparência, base técnica e redução do volume de retirada de água inicialmente previsto.
☆ Desmatamento e reconstrução ambiental
A ministra afirmou que o governo Lula encontrou uma situação de “terra arrasada” ao retornar em 2023. Segundo ela, houve reconstrução orçamentária, retomada da fiscalização e reestruturação de órgãos como Ibama e ICMBio.
Marina disse que o país reduziu o desmatamento em 32% e, na Amazônia, em 50%. Também afirmou que foram evitadas emissões de 750 milhões de toneladas de CO2.
Ela criticou o projeto conhecido como “PL da devastação”. “Fizeram uma verdadeira devastação na lei do licenciamento ambiental, criando mecanismos que prejudicam a proteção do meio ambiente”, afirmou.
☆ Margem Equatorial e transição energética
Sobre a Margem Equatorial, Marina disse que a questão não pode ser analisada apenas pela lógica do petróleo. Para ela, o presidente Lula deu a orientação correta ao defender um mapa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
“É preciso fazer o mapa do caminho para que os países saiam da dependência econômica, fiscal e energética do uso de combustível fóssil”, afirmou.
A ministra explicou que a licença concedida pelo Ibama se refere à prospecção, não à exploração. Segundo ela, caso haja petróleo em quantidade e qualidade adequadas, será necessário criar uma governança socioambiental robusta.
“O mundo precisa sair da dependência de carvão, de petróleo e gás. Isso não é da noite pro dia, é de uma hora para outra. Hoje ainda não é possível, mas temos que caminhar nessa direção”, disse.
☆ Clima, soberania e desenvolvimento
Marina também relacionou a crise climática aos riscos de colapso hídrico, inclusive em São Paulo, e criticou a privatização da Sabesp. Para ela, a transição ecológica deve ser vista como oportunidade de desenvolvimento.
A ministra citou a China como exemplo de país que transformou a agenda climática em estratégia industrial. “Em vez de olhar pro desafio da transição energética como um problema, eles olharam como uma oportunidade”, afirmou.
Ao final, Marina defendeu a continuidade do projeto liderado por Lula. “Eu peço muito a Deus e ao povo brasileiro de que a gente mantenha o coeficiente civilizatório de defesa do meio ambiente, de combate à desigualdade, de ter uma economia que seja próspera, mas que também não deixe ninguém para trás”, declarou.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário