Jornalistas da IstoÉ Publicações, responsável pelas marcas IstoÉ, Dinheiro, Gente, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural, entraram em greve na última quinta-feira (14) em razão de atrasos recorrentes no pagamento de salários e benefícios. A paralisação ocorre em meio aos escândalos envolvendo a Entre Investimentos e Participações, empresa de Antônio Carlos Freixo Junior, que também é dono da editora.
A Entre foi apontada como intermediadora de repasses financeiros do Banco Master para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2018. Segundo uma fonte ouvida pelo Portal dos Jornalistas, os problemas judiciais enfrentados pelo empresário levaram ao bloqueio de bens dele e do Grupo Entre, o que impediu pagamentos a funcionários e fornecedores.
A situação também afetou serviços básicos da editora, como o provedor de e-mail e a plataforma de publicação de conteúdo nos sites das marcas, que estão sem atualizações desde a última segunda-feira (11). Até a manhã deste sábado (16), o site da revista segue fora do ar.
“Só temos acesso às redes sociais, mas sem poder publicar novas matérias”, relatou um funcionário da empresa, que pediu para não ser identificado.

Com a falta de estrutura, os jornalistas estariam praticamente impedidos de trabalhar mesmo sem a greve. Na noite de quinta, uma nova assembleia foi realizada para atualizar a situação. Durante o encontro, foi informado que o juiz responsável pelo caso preparava uma liminar para liberar, ainda na sexta-feira (15), os pagamentos dos funcionários e os recursos básicos para manter a operação dos sites. O que não aconteceu.
Em nota ao Portal dos Jornalistas, a IstoÉ Publicações confirmou que “a intermitência nos pagamentos de funcionários e fornecedores da IstoÉ decorre do bloqueio judicial de parte dos bens e ativos financeiros do Grupo Entre, ao qual a empresa pertence. A medida impacta temporariamente a operação financeira da companhia e o cumprimento de compromissos com colaboradores e parceiros. O grupo mantém diálogo constante com as autoridades competentes para regularizar a situação o mais rapidamente possível e reafirma seu compromisso com profissionais, fornecedores e leitores, seguindo empenhado na busca por uma solução responsável e célere para o momento enfrentado”.
Segundo o Intercept Brasil, a Entre Investimentos teria sido usada no repasse de R$ 61 milhões para financiar “Dark Horse”. Desse total, cerca de US$ 2 milhões, o equivalente a R$ 12,2 milhões, teriam sido enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos, e gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses de R$ 203 milhões em um único dia entre o Banco Master e a Entre, sem especificar quem enviou e quem recebeu o dinheiro, em 19 de agosto de 2024. Segundo o SBT, A informação consta de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do banco de Daniel Vorcaro.
As movimentações passaram a ser investigadas pela Polícia Federal, que apura se os recursos foram destinados de fato ao filme ou se houve desvio de finalidade para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado é considerado foragido pela Justiça brasileira.
Além do caso ligado ao filme sobre Jair Bolsonaro, O Globo informou que outros repasses da Entre, feitos entre julho de 2022 e dezembro de 2025, teriam sido enviados a empresas investigadas pela PF por lavagem de dinheiro, fraudes em combustíveis e ligações com facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana.
Em nota ao jornal, o grupo afirmou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”. “A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, completou.
Fonte: DCM
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