Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, comprou em fevereiro uma casa em Arlington, no Texas, estado estadunidense onde vive o ex-deputado federal. O imóvel foi adquirido por R$ 3,6 milhões pelo Mercury Legacy Trust, fundo privado de gestão de patrimônio usado nos Estados Unidos para deter bens em nome de terceiros.
Calixto também administra o Havengate Development Fund, que recebeu parte dos R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 2025 a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Flávio, os recursos seriam destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Polícia Federal investiga o destino dos valores enviados ao Havengate. A suspeita, segundo a Folha, é que parte do dinheiro tenha sido usada para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A apuração também mira se a estrutura financeira no Texas serviu para burlar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às contas do ex-deputado no Brasil.
Além do Mercury Legacy Trust, André Porciuncula aparece nos documentos como um dos responsáveis pela entidade que comprou a casa no Texas. Aliados de Eduardo apontam Porciuncula como uma espécie de representante operacional do ex-deputado nos Estados Unidos. Ex-PM, ele atuou no governo Bolsonaro como braço direito de Mário Frias, então secretário da Cultura e idealizador do filme sobre Bolsonaro.
Nesta semana, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Vorcaro, mas negou que os valores tenham sustentado o irmão nos Estados Unidos.

Reportagem do Intercept Brasil revelou que o pré-candidato à Presidência pediu os recursos ao dono do Banco Master afirmando que o dinheiro seria investido integralmente no filme. Os depósitos foram feitos de fevereiro a maio de 2025 pela Entre Investimentos e Participações.
Procurados, Eduardo Bolsonaro e Paulo Calixto não retornaram as chamadas da Folha. Uma secretária afirmou que Calixto não falaria com a imprensa. André Porciuncula respondeu por mensagens e disse que a residência adquirida pelo Mercury não tem “nenhuma relação com Eduardo Bolsonaro” nem com o Banco Master.
“A casa não tem relação com nenhum dos dois”, afirmou. Questionado sobre para quem o imóvel foi comprado, respondeu que “esta informação não é de interesse público”.
Nas redes sociais, Eduardo negou ter sido beneficiado com dinheiro de Vorcaro e chamou a suspeita da PF de “tola”. Segundo ele, seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria receber recursos de fundos de investimento e, se isso tivesse ocorrido, autoridades estadunidenses já o teriam punido. O ex-deputado também afirmou ter explicado a origem de todos os seus recursos no processo de imigração.
Eduardo disse ainda que Calixto não é apenas um escritório de migração e citou sua experiência em gestão de patrimônio e fundos de investimento. Sobre “Dark Horse”, afirmou que nem ele nem sua família são donos da produção, que pertenceria a mais de uma dezena de investidores. Segundo ele, apenas apresentou Calixto a Mário Frias, que buscava investidores para o projeto.
O ex-deputado também afirmou que o investimento foi feito nos Estados Unidos porque a produção era estadunidense, com elenco estadunidense, e disse que nenhum investidor apoiaria no Brasil um filme sobre Jair Bolsonaro, pois seria “perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe”. Ele classificou as acusações como “assassinato de reputação”.
Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo
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