sexta-feira, 8 de maio de 2026

Como foi o dia de Ciro Nogueira em casa após ser alvo de operação da PF


       O senador Ciro Nogueira. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a última quinta-feira (7) recluso em sua casa, em Brasília, após ser acordado por agentes da Polícia Federal às 6h, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A operação abriu uma crise política no entorno do presidente do PP, que manteve contato direto com aliados ao longo do dia para tentar conter os efeitos das investigações.

Segundo relatos feitos sob reserva ao Globo, Ciro foi orientado por advogados a evitar deslocamentos e permanecer em casa enquanto sua equipe jurídica avaliava os desdobramentos do caso. A recomendação fez o senador cancelar planos iniciais. Ele chegou a cogitar uma visita à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas recuou após a orientação dos defensores.

Durante o dia, o telefone do senador recebeu ligações de praticamente toda a bancada do PP na Câmara e no Senado. Aliados descreveram o movimento como uma “rodada” de contatos para alinhar o discurso da legenda diante do avanço da apuração. Deputados e senadores procuraram Ciro para se inteirar do caso, oferecer apoio e discutir a posição pública que o partido deve adotar.

Além dos telefonemas, o senador recebeu visitas presenciais de advogados, familiares e do líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), aliado de longa data.

Luizinho deixou o local tentando evitar exposição, abaixado dentro do carro. Interlocutores afirmam que o clima no entorno de Ciro era de abatimento, com o parlamentar acompanhando o noticiário e mantendo conversas frequentes com advogados e aliados próximos.

No PP, a avaliação é que já havia preocupação com o avanço das investigações, mas a operação surpreendeu parte do grupo pelo timing e pelo alcance.

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira. Foto: Reprodução
Apesar da mobilização interna da legenda, a solidariedade pública de partidos do Centrão foi limitada. Dirigentes do Republicanos e do União Brasil evitaram procurar o senador e afirmaram, em tom de ironia, que o momento não era adequado para manifestações de apoio.

A cautela ocorre em meio ao temor de que a investigação avance sobre outros nomes do bloco. Aliados do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, admitem reservadamente receio de que ele possa ser um dos próximos atingidos. Rueda aparece citado em mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e já reconheceu, em nota, ter prestado serviços de advocacia ao Banco Master por meio de seu escritório, afirmando que a atuação foi técnica e dentro da legalidade.

Segundo a Polícia Federal, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Master. Entre os elementos reunidos pela investigação estão registros de pagamentos recorrentes, benefícios financeiros e a atuação do senador em favor de interesses do banco.

A apuração também cita uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. A proposta foi apelidada nos bastidores de “emenda Master”. De acordo com a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto teria sido elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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