quinta-feira, 7 de maio de 2026

Como encontro entre Lula e Trump deve atrapalhar bolsonaristas, segundo o Planalto


Donald Trump e Lula durante encontro na Malásia, em outubro passado. Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

O Palácio do Planalto avalia que a reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump, que ocorre nesta quinta (7), pode reduzir a influência de aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto à Casa Branca. A expectativa do governo é fortalecer o petista como principal interlocutor brasileiro nas negociações com os Estados Unidos, segundo a Folha de S.Paulo.

O senador mantém interlocução com figuras próximas ao governo americano, por meio do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, seu irmão, e o blogueiro Paulo Figueiredo, que atuam para influenciar posições da política externa dos EUA sobre o Brasil.

Segundo integrantes do governo, a reunião ganhou prioridade após um telefonema entre Trump e Lula no último fim de semana. Durante a conversa, o presidente americano sugeriu um encontro presencial ainda nesta semana.

No Planalto, a avaliação é de que a agenda precisava ocorrer antes do início mais intenso da pré-campanha eleitoral de Lula, prevista para os próximos meses. A viagem também passou a ser considerada viável após a redução das preocupações em torno do conflito envolvendo o Irã, que havia dificultado negociações anteriores.

Auxiliares do governo acreditam que o cenário internacional pode favorecer o anúncio de uma trégua ou acordo de paz, facilitando a realização do encontro entre os chefes de Estado.

Donald Trump e Eduardo Bolsonaro. Foto: Divulgação/Casa Branca
O governo brasileiro vê ainda potencial político na reunião. A estratégia é apresentar Lula como um líder capaz de manter diálogo diplomático e comercial com Trump, apesar das divergências ideológicas entre os dois presidentes. Integrantes do Planalto defendem que a aproximação pode reforçar a imagem institucional do governo brasileiro no exterior.

Entre os temas previstos para discussão está uma proposta de cooperação em segurança pública, incluindo ações contra tráfico de armas, lavagem de dinheiro e articulação com outros países da região. O governo brasileiro também tenta evitar que os Estados Unidos classifiquem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, possibilidade vista pelo Planalto como um risco de ampliação da influência americana sobre temas internos brasileiros.

Outro ponto considerado estratégico envolve as chamadas terras raras, minerais críticos que despertaram interesse dos EUA. Lula pediu agilidade na tramitação do projeto que regulamenta a exploração desses recursos no Brasil. O governo também pretende tratar da investigação da Seção 301, mecanismo usado pelo país para punir práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

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