Deputado afirma que Jair Bolsonaro criou uma “bomba relógio” no INSS e repudia a articulação da extrema direita brasileira com os EUA no caso do PIX
Por Leonardo Lucena, 247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta quinta-feira (2), em entrevista ao 247, que o “tiro saiu pela culatra” ao comentar sobre a tentativa de políticos bolsonaristas em desgastar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com as investigações das irregularidades no INSS, além do caso Banco Master, investigado por um esquema de fraudes financeiras. A Polícia Federal (PF) estimou uma movimentação entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões no esquema envolvendo a instituição bancária. Investigadores também apuram o envolvimento da instituição financeira no segmento de crédito consignado para beneficiários do INSS.
“O caso Master está muito vinculado a Bolsonaro”, disse Correia, acrescentando que na gestão bolsonarista “se armou essa bomba relógio”. Conforme o parlamentar, o governo do político da extrema direita “é o principal responsável tanto pelos descontos associativos de entidades picaretas como o crédito consignado”. “Um exemplo é o Banco Master, que roubou os aposentados”, disse.
“No governo Lula, resolvemos tanto do ponto de vista de paralisar o processo como estamos fazendo a devolução do dinheiro (aos aposentados)”, comparou o deputado, que também defendeu o relatório alternativo apresentado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
O colegiado, que chegou ao fim no último dia 28, rejeitou, por 19 votos a 12, o parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL). “(Era) um relatório falseando a verdade”, denunciou Correia na entrevista. O deputado informou que, a partir das 16h da próxima terça-feira (7) uma reunião para discutir as etapas seguintes dos trabalhos do Congresso sobre fraudes no INSS e no Banco Master.
“Vamos fazer na terça-feira a entrega desse relatório à Polícia Federal”, observou o parlamentar, acrescentando que a bancada governista aciona também a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Controladoria-Geral da União (CGU). “Estamos tratando o relatório nosso como o da maioria, deve embasar o que foi essa roubalheira construída no governo Bolsonaro e que o governo Lula resolveu”.
Articulações da extrema direita
Na entrevista, o deputado Rogério Correia alertou para a importância das mobilizações contra as tentativas de interferência dos Estados Unidos no Brasil, pois a Casa Branca fez um relatório crítico ao Pix, à "taxa das blusinhas", ao governo Lula e ao Mercosul. O documento mira uma série de políticas brasileiras em setores que vão do etanol à legislação trabalhista, passando pela proteção de dados, produção audiovisual e meio ambiente.
Segundo Correia, o debate entre a defesa da soberania e a defesa dos interesses dos estrangeiros feita pela oposição bolsonarista “vai ser um ponto essencial de campanha” nas eleições deste ano. “Ao invés de defender soberania, eles defendem os interesses americanos. Essa do Pix é um negócio impressionante. Defesa dos cartões de crédito de hegemonia norte-americana querendo tirar do Brasil algo que deu certo (o PIx).
O deputado reforçou que governistas já entraram no Judiciário com várias ações contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Temos várias ações do PT em relação a Eduardo Bolsonaro, que seja enquadrado no crime de lesa-pátria”, continuou. “No momento em que os EUA declara guerra ao Irã, está de olho no petróleo venezuelano, nos ameaça aqui também. E a questão das terras raras. Isso merece maior contundência, unificação de ações”, ressaltou Correia.
Em referência à extrema direita, o parlamentar repudiou o “apoio explícito” aos interesses dos EUA, que têm a “desculpa de grupos de tráficos serem taxados de terroristas para viabilizar intervenção americana”. Ao comentar sobre o narcotráfico, o petista mencionou as pretensões dos EUA, de querer classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. No Brasil, políticos do campo progressista denunciam tentativas de interferência para violar a soberania brasileira e extrair riquezas como terras raras.
Terras raras
As terras raras reúnem propriedades físicas e químicas que as tornam indispensáveis à indústria de alta tecnologia, entre elas maleabilidade, condução de calor e eletricidade, baixa dureza e características magnéticas excepcionais. A distribuição dessas reservas pelo planeta, entretanto, é marcadamente concentrada: segundo o U.S. Mineral Commodity Summaries de 2025, apenas oito países detêm 98% de todo o estoque mundial.
Os dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, publicados em agosto do ano passado, mostram que a China lidera com 49% das reservas globais, seguida pelo Brasil com 23%, pela Índia com 7,7%, pela Austrália com 6,3%, pela Rússia com 4,2%, pelo Vietnã com 3,9% e pelos Estados Unidos com 2,1%.
A Groenlândia, também disputada pelos norte-americanos, ocupa a oitava posição com 1,7%, enquanto os 1,9% restantes estão espalhados por outros países. O levantamento da USGS ainda registra uma queda nas reservas totais mundiais, que recuaram de 110 milhões de toneladas em 2023 para 90 milhões em 2024.
No campo da produção, a China domina com 69% do total global — uma participação que chegou ao pico de 95% em 2010 e recuou para cerca de 60% em 2019, conforme relatório de 2022 do Brookings Institution. Mesmo com essa redução, o país asiático mantém controle quase absoluto sobre o refino e o processamento do mineral, respondendo por 85% a 90% da capacidade global nessa etapa crítica da cadeia produtiva.
O Brasil, apesar de ocupar a segunda posição em reservas, ainda participa com apenas 1% da produção mundial. A Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, representa a única mina em operação comercial no segmento no país, com atividades iniciadas em 2024 e foco em terras raras pesadas. Os demais projetos brasileiros permanecem em fase de pesquisa ou licenciamento, sem garantia de que todos chegarão à etapa de exploração efetiva.
Dados sobre o PIX
O Banco Central lançou o Pix em novembro de 2020, e o sistema acumulou 178,9 milhões de usuários até o fim de novembro de 2025, segundo as estatísticas mensais mais recentes. Desse total, 162,3 milhões correspondem a pessoas físicas e 16,6 milhões a pessoas jurídicas, informou o BC. Em outubro do mesmo ano, o sistema movimentou R$ 3,32 trilhões — dado mais recente consolidado disponível.
Ao completar cinco anos em 16 de novembro do ano passado, o Pix já ocupava a posição de principal método de pagamento do Brasil. Ao longo de 2024, o sistema movimentou R$ 26,4 trilhões, valor que equivale a quase duas vezes o Produto Interno Bruto brasileiro registrado naquele ano.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário