sexta-feira, 3 de abril de 2026

Estadão detona Moro: "herói sem nenhum caráter"

Editorial critica trajetória do ex-juiz parcial e expõe contradições políticas após anos de apoio à Lava Jato

          Sergio Moro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A trajetória do ex-juiz parcial e senador Sergio Moro (PL-PR) voltou ao centro do debate político após editorial do jornal O Estado de São Paulo classificá-lo como um “herói sem nenhum caráter”, apontando contradições em sua atuação pública e mudanças de posicionamento ao longo dos últimos anos — em uma crítica que também evidencia revisões do próprio veículo sobre figuras que ajudou a projetar.

No texto, o Estadão traça um paralelo entre Moro e o personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, destacando as múltiplas transformações do senador desde sua ascensão como símbolo da Lava Jato até sua atuação recente na política. A avaliação parte de um jornal que, durante anos, deu sustentação editorial à operação e contribuiu para consolidar a imagem do então juiz como referência no combate à corrupção.

O editorial relembra a saída de Moro do governo Jair Bolsonaro (PL), em abril de 2020, quando acusou o então presidente de tentar interferir na Polícia Federal para proteger familiares investigados. A ruptura provocou ataques de antigos aliados, que passaram a chamá-lo de “traíra” e “mentiroso”, enquanto Bolsonaro o classificou como “idiota”. Moro reagiu afirmando que “quem manda no presidente Bolsonaro é Valdemar Costa Neto”, dirigente do PL.

A crítica central do jornal se concentra na mudança de postura ocorrida em 2022, quando Moro declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, após ter se apresentado como candidato ao Planalto. Já eleito senador, passou também a defender o ex-presidente em episódios recentes e acabou se filiando ao PL, partido que anteriormente criticava.

Segundo o editorial, esse movimento revela um “fosso abissal” entre o discurso que projetou Moro nacionalmente e suas ações posteriores. Sua imagem pública, construída com base na negação do sistema político tradicional e na promessa de combate à corrupção, não teria se sustentado diante das alianças firmadas ao longo do tempo.

O texto sustenta ainda que a credibilidade do ex-juiz começou a se deteriorar quando aceitou o cargo de ministro da Justiça no governo Bolsonaro, o que confirmou as suspeitas sobre as motivações políticas por trás de sua atuação na Lava Jato. A partir desse episódio, a imagem do chamado “herói” teria perdido consistência.

Embora a crítica seja direcionada a Moro, o editorial também evidencia uma inflexão no posicionamento do próprio Estadão, que historicamente apoiou a Lava Jato e ajudou a impulsionar a figura do ex-juiz parcial no cenário nacional. A revisão atual, ainda que indireta, expõe as contradições de um processo que contou com amplo respaldo midiático antes de ser questionado.

Por fim, o editorial aponta que caberá aos eleitores do Paraná avaliar a trajetória do senador, ao mesmo tempo em que reforça uma reflexão mais ampla sobre o risco de transformar figuras públicas em “salvadores da pátria” — dinâmica que, ao longo dos anos, também contou com o apoio de setores da mídia e ajudou a moldar o cenário político atual.

Fonte: Brasil 247

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