O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto, ministros que vão deixar o governo para disputar as eleições e os respectivos substitutos que assumirão as pastas até o fim do mandato. A movimentação marca uma das maiores trocas no primeiro escalão desde o início do atual governo e deve atingir ao menos 18 dos 38 ministérios, em razão do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, que termina em 4 de abril.
A reunião terá como objetivo formalizar a passagem de comando e fazer um balanço das ações da gestão. Com a saída de nomes de maior peso político, o governo passará a ser ocupado, em grande parte, por secretários-executivos e quadros internos já familiarizados com a rotina administrativa dos ministérios.
A tendência é que Lula priorize nomes da casa para garantir continuidade às entregas e reduzir o impacto das mudanças na reta final do mandato. Entre os exemplos já colocados estão Leonardo Barchini, que deve assumir a Educação no lugar de Camilo Santana, e George Santoro, cotado para os Transportes com a saída de Renan Filho. Na Fazenda, a troca já foi antecipada com a entrada de Dario Durigan após a saída de Fernando Haddad.
A Casa Civil também deve mudar de comando com a saída de Rui Costa, que pretende disputar o Senado pela Bahia. A expectativa é de que Miriam Belchior assuma a função. No Ministério do Planejamento, Simone Tebet será substituída por Bruno Moretti, nome visto no governo como uma aposta de maior projeção. Já no Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro deve dar lugar a André de Paula, numa movimentação que também atende à articulação política do Planalto com o PSD.

Apesar de várias trocas já dadas como certas, Lula ainda mantém indefinições em áreas estratégicas. O principal caso é o da Secretaria de Relações Institucionais, com a saída de Gleisi Hoffmann para disputar o Senado pelo Paraná. O nome de Olavo Noleto chegou a ser considerado, mas o presidente passou a avaliar alternativas com maior experiência política e trânsito no Congresso. O cargo pode até ser ocupado interinamente até a definição.
Outros ministros também seguem com futuro em aberto. Márcio França é citado tanto como possível candidato ao Senado quanto como eventual vice de Haddad em São Paulo, além de ser lembrado para substituir Geraldo Alckmin no MDIC. Wolney Queiroz ainda não decidiu se deixará a Previdência para concorrer à Câmara.
Já Camilo Santana, que vai deixar o MEC, é tratado como peça importante para a disputa no Ceará. Ao comentar o assunto, Lula afirmou na última segunda-feira (30) que Camilo será “candidato a não sei o quê”, ao mesmo tempo em que anunciou a promoção de Leonardo Barchini para o comando da Educação.
Entre as saídas já previstas estão também Jader Filho, Paulo Teixeira, Anielle Franco, Silvio Costa Filho, André Fufuca, Marina Silva, Waldez Góes, Macaé Evaristo e Sonia Guajajara.
A reformulação amplia o peso de nomes menos conhecidos no ministério e abre uma nova fase no governo, marcada pela transição para o calendário eleitoral e pela tentativa de manter a máquina funcionando até o fim do mandato.
Fonte: DCM
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