domingo, 22 de março de 2026

No Foro CELAC-África, Lula presta solidariedade a Cuba e à Venezuela

'Em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Em que documento? Nem da Bíblia', disparou o presidente

      Lula no Foro de Alto Nível CELAC-África (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua participação no Foro de Alto Nível CELAC-África, realizado neste sábado (21) em Bogotá, capital da Colômbia, para manifestar solidariedade a Cuba, Venezuela e Bolívia diante do que classificou como interferências externas nos assuntos internos desses países. O posicionamento, amplamente repercutido, veio carregado de questionamentos diretos sobre a legalidade das ações dos Estados Unidos na região.

Em discurso no evento, segundo informações divulgadas a partir do foro, Lula recorreu à própria Carta da ONU para contestar as investidas americanas. "O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático? Em que parágrafo e em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia", disparou. O presidente foi além: "Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?", questionou.

O pano de fundo das críticas de Lula a Cuba ganhou contornos ainda mais concretos com a declaração feita no último dia 16 por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, que afirmou ter intenção de assumir o controle da ilha caribenha e ressaltou possuir total autonomia para decidir seu destino. A posição geográfica de Cuba amplifica o peso político do tema: o país está localizado a aproximadamente 150 quilômetros do território americano, o que historicamente torna qualquer movimento político em solo cubano uma questão sensível para Washington.

No caso da Venezuela, o contexto é igualmente tenso. Forças militares dos Estados Unidos sequestraram o presidente Nicolás Maduro em janeiro deste ano. O governo Trump, atual presidente dos Estados Unidos, alegou, sem apresentar provas, que Maduro tinha envolvimento com o narcotráfico. Por trás da ofensiva, analistas apontam o interesse americano no petróleo venezuelano — recurso que coloca o país sul-americano no topo do ranking mundial de reservas.

Dados divulgados em 2024 pelo World Atlas revelam a dimensão estratégica dessa disputa. A Venezuela lidera o ranking global de reservas de petróleo com 303,22 bilhões de barris, à frente da Arábia Saudita, com 267,19 bilhões, e do Irã, com 208,60 bilhões. O Canadá ocupa a quarta posição, com 163,63 bilhões de barris, seguido pelo Iraque, com 145,02 bilhões. Os Emirados Árabes Unidos aparecem em sexto, com 113 bilhões, à frente do Kuwait, com 101,50 bilhões. Rússia, Estados Unidos e Líbia fecham o top 10, com reservas de 80 bilhões, 55,25 bilhões e 48,36 bilhões de barris, respectivamente.

A Bolívia também foi contemplada na fala de solidariedade de Lula, que a citou ao lado da Venezuela como alvo de tentativa de golpe orquestrada pelos Estados Unidos. O gesto do presidente brasileiro em Bogotá reforça sua postura de defesa da soberania dos países latino-americanos diante de pressões externas — tema que permeou toda a sua participação no foro.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário