sexta-feira, 20 de março de 2026

Moro sai em defesa do presidente da Fiep, suspeito de inflar contratos no Paraná

Questionamentos sobre contratos milionários e aditivos no Sistema Fiep mobilizam deputados estaduais e geram reação do senador

       Sergio Moro (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

O senador Sergio Moro (União-PR) saiu em defesa de Edson José de Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que tem sido alvo de questionamentos na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) sobre possíveis irregularidades em contratos firmados pela entidade. Entre os pontos levantados estão gastos elevados com serviços de jardinagem e o aumento expressivo de contratos com aditivos financeiros.

As informações constam de requerimentos protocolados pelo deputado estadual Marcelo Rangel (PSD), vice-líder do governo Ratinho Junior (PSD) na Alep, com base em dados divulgados pela própria Fiep e em reportagens sobre o tema. Os documentos solicitam esclarecimentos detalhados sobre a gestão de contratos no âmbito do Sistema Fiep.

De acordo com os dados citados no requerimento, os contratos relacionados a serviços de jardinagem e manutenção de áreas verdes teriam saltado de aproximadamente R$ 13,7 milhões em 2024 para cerca de R$ 53 milhões em 2025, o que representa um aumento superior a 280% em apenas um ano. Somando contratações e aditivos, o montante atual chega a R$ 53 milhões em contratos vigentes para esse tipo de serviço.

Além disso, o parlamentar aponta para um volume significativo de aditivos contratuais. No Serviço Social da Indústria (Sesi), 60 dos 170 contratos firmados receberam acréscimos de valor. Já no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), 53 dos 127 contratos passaram por aditamentos. Juntos, esses contratos somam mais de R$ 500 milhões.

Outro ponto levantado é a possível concentração de contratos em uma mesma empresa prestadora de serviços, o que, segundo o deputado, levanta dúvidas sobre os critérios adotados nas contratações e na aplicação de aditivos.

No requerimento encaminhado à presidência da Fiep, Rangel solicita a relação completa dos contratos vigentes de jardinagem e manutenção de áreas verdes, incluindo valores totais, períodos de vigência, modelo de contratação e identificação das empresas responsáveis, com respectivos CNPJs. Também pede informações sobre valores efetivamente executados e cópias dos documentos firmados.

O parlamentar ainda questiona a classificação de parte dos serviços como jardinagem. Segundo ele, há indícios de que algumas atividades possam corresponder, na prática, a serviços de facilities ou manutenção predial, conforme mencionado em nota pública da própria instituição.

Em resposta às críticas, a Fiep reconheceu, em nota, problemas em seu portal da transparência e afirmou que “a equipe técnica já iniciou o processo de atualização e reclassificação”.

Apesar das suspeitas, Sergio Moro saiu em defesa de Vasconcelos e criticou a atuação da Assembleia Legislativa. Em comentário publicado no Instagram, o senador também atacou diretamente o deputado Marcelo Rangel, afirmando: “O deputado Marcelo Rangel foi rejeitado pela população de Ponta Grossa na eleição para prefeito. Agora tornou-se um serviçal da mentira. O vereador Júlio Kuller representará PG [Ponta Grossa] muito melhor na Alep a partir do próximo ano”.

As investigações e pedidos de esclarecimento seguem em tramitação na Alep, com foco na análise dos contratos e dos critérios adotados pela Fiep na gestão de recursos.

Fonte: Brasil 247

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