sábado, 21 de março de 2026

Brasil tem estoque de diesel e descarta risco de falta, diz presidente da Vibra

Executivo afirma que país tem reservas suficientes apesar da alta global causada pela guerra no Oriente Médio e pressão sobre preços

      Vibra (Foto: Divulgação)

A escalada dos conflitos no Oriente Médio tem provocado impactos diretos no mercado global de energia, pressionando os preços dos combustíveis e gerando preocupações em diversos países, incluindo o Brasil. Mesmo diante desse cenário, o CEO da Vibra Energia, Ernesto Pousada, afirmou que não há risco imediato de desabastecimento de diesel no país.

As declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil, na qual o executivo detalhou os efeitos da crise internacional sobre o mercado brasileiro e as estratégias adotadas para garantir o fornecimento. Segundo Pousada, o país enfrenta reflexos de um cenário global instável. “Estamos vivendo à beira de uma crise energética global. O Brasil não iniciou esse problema, mas ele está nos afetando”, afirmou.

De acordo com o CEO, o preço internacional do diesel registrou alta de 65% desde o início do conflito, enquanto o reajuste oficial no Brasil foi de apenas 6%. Como cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, o impacto médio estimado chega a aproximadamente 20%.

Apesar da pressão sobre os preços, Pousada buscou tranquilizar consumidores e o mercado ao destacar a capacidade atual de abastecimento. “O Brasil tem hoje um estoque de diesel suficiente. Nós precisamos ir equacionando ao longo dos próximos meses, entre Petrobras e as distribuidoras, para que não falte. Posso assegurar que teremos diesel disponível”, declarou.

Ele ressaltou ainda que a situação de outros combustíveis é mais estável. A gasolina, por exemplo, é majoritariamente produzida no país, o que reduz a dependência externa, enquanto o etanol também apresenta maior segurança de oferta.

A Vibra Energia, maior distribuidora de combustíveis do Brasil e responsável por cerca de 7.500 postos da rede Petrobras, tem enfrentado aumento expressivo na demanda. Segundo Pousada, houve crescimento de 20% nas vendas em março, impulsionado pela dificuldade de outras distribuidoras em atender postos sem bandeira. “Em março, já tivemos um aumento de vendas de 20% de uma demanda adicional, porque outras distribuidoras não conseguem atender os chamados postos bandeira branca”, explicou.

Para atender essa demanda, a empresa ampliou a importação de diesel, dobrando o volume adquirido no exterior. No entanto, o executivo destacou um descompasso relevante entre os preços praticados no Brasil e no mercado internacional, que atualmente chega a uma diferença de R$ 2,50 por litro.

Segundo ele, a subvenção governamental de cerca de R$ 0,32 por litro ajuda a reduzir essa diferença, mas não é suficiente para equilibrar totalmente os custos. Pousada também esclareceu a composição do preço final ao consumidor: “O impacto da distribuição na composição do preço final é de apenas 5%”, afirmando que cerca de 30% correspondem ao custo do produto e 45% são tributos.

Sobre a atuação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que recentemente notificou distribuidoras por variações de preços, o CEO afirmou que a Vibra respondeu rapidamente às solicitações. “A Vibra tem prezado por toda a transparência e assim vamos continuar atuando. Nós queremos reafirmar esse compromisso não só com o poder público, mas com toda a população”, disse.

Diante do cenário desafiador, o executivo defendeu maior articulação entre os agentes do setor energético, incluindo Petrobras, distribuidoras, postos, órgãos reguladores e o governo federal. “A Vibra está bastante aberta ao diálogo, a encontrar soluções que vão ser o melhor para a população brasileira, para o país”, concluiu.

Fonte: Brasil 247 com entrevista concedida à CNN Brasil

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