quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Prévia do PIB mostra crescimento de 2,5% da economia brasileira em 2025

Em meio aos juros altos, índice recuou 0,2% em dezembro; Agro puxou o resultado positivo anual

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agronegócio (Foto: Joédson Alves/ABr | Jorge Adorno/Reuters)

A economia brasileira cresceu 2,5% em 2025, segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do resultado positivo, o indicador mostra perda de fôlego em comparação com 2024.

O desempenho de 2025 foi o mais fraco em cinco anos, desde 2020, quando o país enfrentava os impactos econômicos mais severos da pandemia da Covid-19 e das medidas de isolamento social.

O resultado de 2025 representa uma desaceleração relevante frente ao crescimento de 3,7% registrado pelo próprio indicador em 2024. A leitura reforça o cenário de esfriamento gradual da atividade econômica, após um ciclo de recuperação mais forte observado nos últimos anos.

● Agro puxou crescimento

Os dados setoriais mostram que a agropecuária foi o grande destaque do ano, com alta expressiva de 13,1%. Já a indústria apresentou crescimento mais modesto, de 1,5%, enquanto o setor de serviços avançou 2,1% em 2025.

O desempenho evidencia que o crescimento econômico do país foi sustentado principalmente pelo campo, enquanto os demais segmentos registraram evolução mais lenta, refletindo um ambiente de juros elevados e menor dinamismo na produção.

● PIB oficial será divulgado em março pelo IBGE

O PIB é o principal indicador usado para medir a produção de bens e serviços no país e funciona como termômetro do desempenho econômico nacional. Quando o PIB cresce, significa aumento da produção e da atividade econômica; quando recua, pode indicar retração no consumo e nos investimentos.

Apesar de ser acompanhado como sinalização do PIB, o dado do Banco Central não substitui o resultado oficial. O PIB de 2025 será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 3 de março.

Em 2024, segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 3,4%.

● Queda em dezembro reforça perda de ritmo no fim do ano

A trajetória mensal do IBC-Br também reforçou a desaceleração. Em dezembro de 2025, o índice registrou retração de 0,2% na comparação com novembro, já considerando o ajuste sazonal.

O recuo no fim do ano sinaliza enfraquecimento da atividade econômica e reforça a leitura de que a economia entrou em 2026 com menor impulso.

● Banco Central e mercado já esperavam desaceleração

A desaceleração da economia já era considerada provável tanto por analistas do mercado financeiro quanto pelo próprio Banco Central, especialmente devido ao impacto dos juros altos sobre o consumo e os investimentos.

A instituição tem defendido que um crescimento mais moderado faz parte da estratégia para conter a inflação, apontando que a redução do ritmo econômico é um “elemento necessário para a convergência da inflação à meta”, fixada em 3%.

No comunicado mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro, o Banco Central afirmou que o chamado “hiato do produto” segue positivo, ou seja, a economia ainda opera acima do seu potencial, o que pode manter pressões inflacionárias.

O mercado estima que o BC poderá iniciar cortes na taxa básica de juros em março, com expectativa de redução de 0,5 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.

● Entenda por que o IBC-Br é diferente do PIB

Criado em 2010, o IBC-Br funciona como um indicador de acompanhamento da atividade econômica ao reunir estimativas de produção nos setores agropecuário, industrial e de serviços, além dos impostos.

Embora seja chamado de “prévia do PIB”, o índice do Banco Central não segue exatamente a mesma metodologia do IBGE. A principal diferença é que o IBC-Br não incorpora o lado da demanda — que inclui consumo das famílias, investimentos e gastos públicos — componente fundamental no cálculo oficial do PIB.

Mesmo assim, o indicador é usado como referência pelo Banco Central na formulação da política monetária, já que uma economia aquecida pode aumentar a pressão inflacionária e influenciar decisões sobre juros.

Fonte: Brasil 247

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