sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

PF investiga desvios em fundo de pensão do Amapá; investimentos teriam sido direcionados por aliados de Alcolumbre

PF investiga suspeitas de irregularidades na administração de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá

    Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta para investigar suspeitas de irregularidades na administração de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP), com foco em investimentos feitos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A ação ocorre em Macapá e envolve o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.

Os agentes federais buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam esclarecer como essas aplicações financeiras foram aprovadas e executadas pela autarquia estadual. O objetivo é entender se houve falhas ou desvios no processo decisório relacionado aos investimentos realizados.

A PF apura operações que podem se enquadrar nos crimes de gestão temerária ou gestão fraudulenta. Essas condutas, segundo a investigação, estariam associadas à adoção de práticas consideradas de alto risco ou à tomada de decisões em desacordo com as normas que orientam a administração de recursos previdenciários.

No centro das suspeitas está a possibilidade de que os investimentos no Banco Master tenham sido realizados sem respaldo técnico suficiente e em desconformidade com a política de investimentos do fundo. A apuração também considera se o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais teria sido exposto de forma indevida.
Banco Master e Alcolumbre

Reportagem do jornal O Globo de novembro de 2025 aponta ligação entre aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e os investimentos da Amprev em papéis do Master.

O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, aliado de Alcolumbre, autorizou em julho de 2024 a aplicação de R$ 400 milhões em papéis do Banco Master, que posteriormente entrou na mira do Banco Central e da Polícia Federal e acabou sendo liquidado extrajudicialmente.

A decisão gerou críticas e cobranças internas no fundo, já que conselheiros apontaram que havia alertas e informações sobre riscos envolvendo a instituição financeira desde 2024, além de um parecer do Ministério da Previdência orientando fundos a evitarem aplicações em bancos com “risco reputacional”. Mesmo assim, Jocildo defendeu a escolha alegando que a proposta do Banco Master oferecia “uma taxa de juros melhor” e afirmou que o comitê era alvo de informações “fake”.

O investimento representou cerca de metade das aplicações da Amprev em 2024 e colocou o fundo entre os mais expostos à crise do banco, atrás apenas do Rioprevidência, que aplicou R$ 970 milhões. A Amprev disse que seguiu as normas do sistema financeiro e que o valor aplicado equivale a aproximadamente 5% do patrimônio total do fundo.

Apesar de Jocildo afirmar que assumiu o cargo por convite de Alcolumbre, o senador declarou que não teve participação ou influência nas decisões de investimento da Amprev.

Leia, abaixo, nota da Polícia Federal sobre a operação:

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (5/2), a Operação Zona Cinzenta, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP).

Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal, no município de Macapá.

A investigação examina a aprovação e a execução de investimentos realizados pela autarquia estadual responsável pela gestão do RPPS/AP em Letras Financeiras emitidas por banco privado.

Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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