PF investiga suspeitas de irregularidades na administração de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta para investigar suspeitas de irregularidades na administração de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP), com foco em investimentos feitos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A ação ocorre em Macapá e envolve o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.
Os agentes federais buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam esclarecer como essas aplicações financeiras foram aprovadas e executadas pela autarquia estadual. O objetivo é entender se houve falhas ou desvios no processo decisório relacionado aos investimentos realizados.
A PF apura operações que podem se enquadrar nos crimes de gestão temerária ou gestão fraudulenta. Essas condutas, segundo a investigação, estariam associadas à adoção de práticas consideradas de alto risco ou à tomada de decisões em desacordo com as normas que orientam a administração de recursos previdenciários.
No centro das suspeitas está a possibilidade de que os investimentos no Banco Master tenham sido realizados sem respaldo técnico suficiente e em desconformidade com a política de investimentos do fundo. A apuração também considera se o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais teria sido exposto de forma indevida.
Banco Master e Alcolumbre
Reportagem do jornal O Globo de novembro de 2025 aponta ligação entre aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e os investimentos da Amprev em papéis do Master.
O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, aliado de Alcolumbre, autorizou em julho de 2024 a aplicação de R$ 400 milhões em papéis do Banco Master, que posteriormente entrou na mira do Banco Central e da Polícia Federal e acabou sendo liquidado extrajudicialmente.
A decisão gerou críticas e cobranças internas no fundo, já que conselheiros apontaram que havia alertas e informações sobre riscos envolvendo a instituição financeira desde 2024, além de um parecer do Ministério da Previdência orientando fundos a evitarem aplicações em bancos com “risco reputacional”. Mesmo assim, Jocildo defendeu a escolha alegando que a proposta do Banco Master oferecia “uma taxa de juros melhor” e afirmou que o comitê era alvo de informações “fake”.
O investimento representou cerca de metade das aplicações da Amprev em 2024 e colocou o fundo entre os mais expostos à crise do banco, atrás apenas do Rioprevidência, que aplicou R$ 970 milhões. A Amprev disse que seguiu as normas do sistema financeiro e que o valor aplicado equivale a aproximadamente 5% do patrimônio total do fundo.
Apesar de Jocildo afirmar que assumiu o cargo por convite de Alcolumbre, o senador declarou que não teve participação ou influência nas decisões de investimento da Amprev.
Leia, abaixo, nota da Polícia Federal sobre a operação:
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (5/2), a Operação Zona Cinzenta, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP).
Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal, no município de Macapá.
A investigação examina a aprovação e a execução de investimentos realizados pela autarquia estadual responsável pela gestão do RPPS/AP em Letras Financeiras emitidas por banco privado.
Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário