A apresentação da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro neste domingo (15) provocou reação imediata de políticos de direita e ampliou a disputa política em torno do Carnaval. O enredo, parcialmente financiado com recursos federais, como acontece com todas as suas concorrentes, exaltou a trajetória do petista e apresentou críticas indiretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como um palhaço em uma das alegorias e na comissão de frente.
Lula assistiu ao desfile do camarote ao lado da primeira-dama Janja, que não desfilou como previsto. Em determinado momento, o presidente desceu à avenida acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), para cumprimentar integrantes da escola. A homenagem percorreu a infância do líder no sertão de Pernambuco, a migração para São Paulo na década de 1950, a atuação sindical e a ascensão à Presidência da República.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reagiu nas redes sociais ao compartilhar um vídeo de uma alegoria que mostrava um palhaço com tornozeleira eletrônica atrás das grades. “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”, escreveu.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) afirmou que, se o desfile tivesse ocorrido em 2022, Bolsonaro estaria preso. “[Haveria] busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”, declarou em evidente vitimização.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também divulgou um vídeo produzido com inteligência artificial simulando um samba-enredo que chamava Lula de ladrão. O material mescla imagens de desfiles com montagens do presidente vestido de presidiário e fotos de Janja e da ministra Gleisi Hoffmann.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticou a caracterização dos eleitores conservadores. “Eles serão banalizados para o Brasil inteiro por um bloco financiado com dinheiro do governo federal”, disse. Zema compartilhou ainda uma paródia intitulada “cadê minha picanha?”, também criada com inteligência artificial, com versos como “Mensalão na avenida, compra de voto no ar”.
A apresentação também foi alvo de tentativas judiciais para barrar o desfile. No dia 12, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou pedidos dos partidos Novo e Missão para impedir a exibição do samba-enredo. Na ocasião, a ministra Cármen Lúcia alertou para o risco de irregularidades. “Há um risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito” na apresentação, afirmou.
Deputados do Novo também pediram ao Tribunal de Contas da União (TCU) a aplicação de multa de R$ 9,65 milhões aos responsáveis pelo enredo, após a Embratur destinar R$ 12 milhões ao conjunto das escolas do grupo especial, sendo R$ 1 milhão para a agremiação de Niterói.
O desfile contou ainda com a participação do ator Paulo Vieira no papel de Lula e das atrizes Juliana Barone e Dira Paes interpretando Marisa Letícia e dona Lindu.
O samba-enredo incluiu referências ao número 13, símbolo do PT, em versos como “Por ironia, 13 noites, 13 dias, me guiou Santa Luzia, São José Alumiou, da esquerda de Deus pai, da luta sindical, à liderança mundial”. A apresentação revisitou a trajetória política do presidente e consolidou o desfile como um dos mais comentados do Carnaval carioca.
Fonte: DCM
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