Na abertura do pavilhão brasileiro na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (20) que o Brasil quer assumir protagonismo global na transição energética e se consolidar como parceiro estratégico da Europa em inovação, indústria limpa e desenvolvimento sustentável. Diante de autoridades brasileiras e alemãs, o petista defendeu que o país deixou de aceitar o papel secundário que historicamente lhe foi atribuído e quer disputar espaço entre as economias mais avançadas do mundo.
Recebido com honras pelo chanceler da Alemanha no Palácio de Herrenhausen, Friedrich Merz, o presidente aproveitou a viagem para assinar dez acordos bilaterais em inovação, defesa, energia limpa e sustentabilidade.
Ao apresentar o Brasil na maior feira industrial do planeta, Lula destacou a combinação entre base tecnológica, capacidade produtiva e potencial energético como trunfos para essa nova fase. “O Brasil é um país que quer se transformar numa economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno”, afirmou.
Em seguida, citou empresas estratégicas para sustentar esse discurso: “Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo. E nós temos a capacidade de compartilhar com a Alemanha coisas em toda a América do Sul. E por que não dizer, a gente começar a olhar para o continente africano”.
O eixo central da fala foi a ambição brasileira de liderar a economia verde. Lula afirmou que o país reúne condições únicas para se tornar referência mundial no fornecimento de energia limpa e combustíveis renováveis. Veja a fala de Lula na abertura do Estande do Brasil na Feira de Hannover:
“O Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável ao mundo. Nós não estamos falando pouca coisa”, declarou. Segundo ele, cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, o que dá ao país uma vantagem competitiva importante diante de economias mais industrializadas.
Ao defender a competitividade nacional, o presidente propôs comparar diretamente os combustíveis produzidos no Brasil com os de outros mercados. “Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou qualquer outro combustível de outro país, para que a gente possa ver qual é o combustível que emite menos CO2”, disse.
A fala foi apresentada como exemplo do potencial brasileiro para ampliar soluções sustentáveis no transporte de carga e reduzir emissões sem abrir mão de competitividade industrial.
Lula também afirmou que a participação do Brasil em Hannover não tem apenas caráter expositivo, mas estratégico: “Viemos aqui para aprender aquilo que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que nós somos capazes de fazer e aquilo que a gente pode compartilhar e pode construir junto”.
Ao encerrar, apostou no aprofundamento da relação bilateral: “Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma”.
Fonte: DCM
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