terça-feira, 28 de abril de 2026

Relator propõe suspensão de três deputados por motim que paralisou a Câmara

Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão podem ser afastados por dois meses, após tumulto em agosto

Deputados de oposição ocupam Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O grupo prometeu nesta semana permanecer no local até que a Casa dê uma “resposta” à prisão e às demais sanções impostas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a Jair Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados apresentou, nesta terça-feira (28), um relatório que sugere a suspensão por dois meses dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), devido ao seu envolvimento no motim que paralisou o funcionamento da Câmara por 30 horas em agosto do ano passado. A votação do relatório está agendada para o dia 5 de maio.

De acordo com o relator da matéria, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), a oposição no Parlamento não pode se transformar em uma licença para obstruir fisicamente as atividades da Casa Legislativa. "O direito de oposição não pode se converter em uma autorização para inviabilizar, mediante ocupação física, o funcionamento regular da Câmara", afirmou o relator ao justificar sua posição

O relatório descreve com detalhes os atos dos três parlamentares. Marcos Pollon é acusado de ter se sentado na cadeira da presidência da Câmara, bloqueando o retorno do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) às suas funções. Marcel Van Hattem, por sua vez, teria se acomodado em uma cadeira da Mesa Diretora, impedindo o acesso de Motta e o exercício de suas atribuições. Já Zé Trovão, segundo a denúncia, agiu de forma mais direta, usando seu corpo para bloquear o acesso de Motta à presidência, até mesmo obstruindo a escada com a perna para evitar que o presidente assumisse o cargo.

A proposta de suspensão dos mandatos dos três deputados foi recebida com reações variadas. Alguns aliados dos parlamentares se posicionaram contra a punição, alegando que as atitudes deles estavam dentro dos limites do direito à manifestação política, enquanto outros veem as ações como uma afronta à ordem e ao respeito às normas institucionais da Câmara.

Este episódio ocorre em um momento de crescente polarização política, com uma disputa acirrada pela liderança na Câmara. O resultado da votação do relatório, previsto para o início de maio, será decisivo para o futuro político dos envolvidos.

Fonte: Brasil 247

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